Tempo de mudanças

11 de julho de 2017 at 0:52 7 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo vai para o seu terceiro técnico na temporada, média de um a cada dois meses. Um novo recorde em Antonio Baena. Trocas de treinadores são corriqueiras, mais até do que deveriam, no Brasil. O problema não está exatamente na substituição de Oliveira Canindé por Léo Goiano (foto), pois a mudança se fazia urgente e necessária.

Duro é entender como o clube foi se interessar por Canindé, apostando nele exclusivamente pelo critério geográfico: um nordestino para comandar o time numa chave da Série C povoada por clubes da região. O projeto não funcionou desde o começo e acabou fracassando diante instabilidade técnica do time após quatro rodadas.

Apesar de seus próprios erros, Canindé também sofreu com a herança de um grupo formado pelo antecessor, Josué Teixeira, que havia despedaçado o time do Campeonato Paraense para adicionar 10 jogadores de questionável qualidade técnica.

O mais grave ainda é que Josué deixou de lado a melhor parte de seu trabalho, que foi o aproveitamento de jogadores vindos da base e de valores regionais. Como a provar que havia acertado nas indicações, tratou de escalar praticamente todos os importados, ideia que se mostrou desastrosa.

Com Canindé, o Remo perdeu tempo e dinheiro. Sai, com apenas uma vitória (sobre o Moto Clube e às duras penas), sem deixar saudades e entregando ao sucessor um cenário preocupante. Léo Goiano, que foi bem no Independente, terá que operar alguns milagres logo de cara.

Sem entrosamento, o time tem mudado a cada rodada, sem mostrar sequer sinais de raça e superação em campo. Jogadores fundamentais, como Edgar e Eduardo Ramos, têm mostrado baixo rendimento e até certo desânimo.

Contra o Salgueiro, Ramos jogou razoavelmente na primeira etapa. Edgar não atuou bem o jogo todo, mostrando-se dispersivo e pouco concentrado nas raras vezes em que foi acionado.

Goiano será apresentado hoje e tende a seguir a cartilha regionalista, valorizando jogadores que já conhece. Seu trabalho pode ser facilitado se a diretoria confirmar a dispensa de boa parte dos contratados por Josué.

A limpeza do elenco permitirá a Goiano trabalhar com o que há de melhor no Baenão, e sua chegada será especialmente positiva para jogadores da casa, como Igor João, Jefferson, Jaquinha, Flamel, Rodrigo e Gabriel Lima, que devem ter chances reais de aproveitamento. A conferir.

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Papão encara nova decisão fora de casa

À beira do precipício na classificação, em 16º lugar, o Papão enfrenta hoje o Criciúma em Santa Catarina com a missão de iniciar uma campanha de recuperação na Série B. Depois de oito jogos sem vitória, chegou o momento de reagir de verdade. Para isso, o técnico Marquinhos Santos tenta consolidar uma formação-base.

O problema é que não terá hoje peças importantes, como Perema e Rodrigo Andrade. Ao mesmo tempo, chama atenção a insistência com Renato Augusto, jogador trazido no período de Marcelo Chamusca e que ainda não revelou nível para ser titular, principalmente com Jonathan no elenco.

O ataque deve ter Bergson e Magno. O primeiro ainda não repetiu as boas atuações do começo do ano. Magno entrou no 2º tempo contra o Londrina e tornou o ataque bem mais agressivo. A parceria pode dar certo.

Outro aspecto a ser observado é que a partida marca o começo da gestão Tony Couceiro, que substitui Sérgio Serra.

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Mistérios da meia-noite rondam a Federação

Assim que a perícia do IML for concluída, em cima de documentos contábeis da entidade, o futebol paraense talvez passe a ver finalmente a FPF como ela realmente é.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 11)

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Rock na madrugada – Ramones, Poison Heart A questão para Maia: quem é você e para quem trabalha?

7 Comentários Add your own

  • 1. Antonio Valentim  |  11 de julho de 2017 às 7:21

    Na mosca.

    Além de ser fraco, Canindé herdou os bondes trazidos por Josué, que, para provar que acertou nessas contratações, insistiu com esses craques.

    Lembrou muito um personagem de humor, que estava indo bem, mas quando ia tirar um dez, desandou de uma vez só.

    Há muito, nessas nove rodadas (metade da competição), que o Remo vem jogando com um ou dois a menos. Escutando a RCP ontem, Gerson disse que, de fonte de fidedigna, durante o intervalo Eduardo queixou-se de que não estava bem e pediu substituição. O treineiro insistiu com ele, fazendo ouvido de mercador. Então, durante todo o segundo tempo, de fato o Remo jogou com um a menos por culpa exclusiva do senhor Oliveira Canindé.
    Só isso já seria mais que motivo para a sua substituição.

    Quanto ao Léo Goiano, não sei se vai conseguir mudar muita coisa, vez que essa decisão de trazê-lo para o Remo deveria ter sido no início na competição ou, no mais tardar, quando da saída do senhor Josué Teixeira. Agora, restam nove jogos, sendo apenas quatro deles em casa.

    O alento é que, a se confirmarem as notícias de ontem, a diretoria tomou a iniciativa de dispensar os bondes, com exceção de Bruno Costa e João Paulo, que também não são todo esse refrigerante.

    Diretoria ainda no semi-amadorismo dos anos 70, quando a única fonte de receita era a bilheteria.

    Pobre Remo!

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  • 2. Antonio Valentim  |  11 de julho de 2017 às 7:24

    A sorte do Remo é que o nível da competição é fraco. Favoritos como Fortaleza e Botafogo também vêm tropeçando, como vimos nesta rodada. Ontem houve empate entre Confiança e ASA.
    O Remo depende só dele.

    Mas cabe à direção azulina não deixar que chegue ao elenco a filosofia vampetiana, que, salvo melhor juízo, cheguei a ver no jogo de domingo.

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  • 3. Gleydson  |  11 de julho de 2017 às 8:45

    O problema é achar que só porque é da casa os caras jogam mais: Jaquinha, Tsunami, Igor ruim, Léo Rosas são outros bondes!

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  • 4. Antonio Oliveira  |  11 de julho de 2017 às 8:49

    De fato, o caos tático, técnico e físico chegou ao cúmulo no jogo passado. E todos indistintamente foram alcançados pela lástima.

    Todavia, não me pareceu que tenha havido desânimo, seja aquele natural, lamentável, mas explicável decorrente do longo tempo de permanência em aberto do recolhimento dos salários, seja aquele deplorável advindo da filosofia vampetiana.

    O que entendi que sucedeu é o que já vinha sucedendo já de algum tempo. A bola não chega com qualidade ao ataque com os jogadores que entram jogando e em nada melhora com aqueles que entram no andamento do jogo.

    O que faltou mesmo foi inspiração. Só isso explica erros de “palmo em cima” na hora de passar a bola ao companheiro. E o treinador também ajudou sacando o Pimentinha, único que parecia estar com alguma inspiração disponível. Além disso colocou o Gabriel já muito tarde. Sem contar que sem que a bola chegue em condições no ataque não há como os atacantes renderem. Mesmo o centroavante novato que se notabiliza pela disposição na disputa da bola acaba ficando sem eficácia.

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  • 5. Antonio Valentim  |  11 de julho de 2017 às 9:01

    Caro Oliveira, quem pode garantir?

    Tais como os crimes invisíveis, que, exatamente por isso, não são identificados e nem punidos, um passe mais longo que o normal, um jogador que corre e não chega, um cruzamento pela linha de fundo… No final, tudo isso é creditado ao fator humano.

    São como os erros de arbitragens em que há sempre o benefício da dúvida. O mediador é um ser humano que tem frações de segundo para decidir; eis um álibi perfeito.

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  • 6. Antonio Oliveira  |  11 de julho de 2017 às 9:14

    Acreditar que não houve corpo mole, de qualquer natureza, pelos indícios que acredito ter identificado, eu acredito. Mas, garantir eu não posso. Acho que muito pouca gente poderia. Mas, como má fé não se presume. Eu fico com a presunção de boa fé.

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  • 7. Antonio Valentim  |  11 de julho de 2017 às 11:44

    Então, entre o dolo (que, se não direcionado à direção, e sim ao treineiro que caiu) e a incompetência, optemos por esta última.

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