O desabafo de Cristina Serra

Texto postado hoje à tarde nas redes sociais pela jornalista Cristina Serra, irmã de Sérgio Serra, ex-presidente do Paissandu:

Meu irmão, Sérgio Serra, acaba de renunciar à presidência do Paysandu Sport Clube (time de futebol de Pará), depois de um episódio traumático que nos abalou a todos. No domingo à noite, ele passeava numa praça em Belém com a esposa, Cristina (sim, minha xará), e o filho mais velho, Gustavo, de 14 anos, quando dois homens numa moto se aproximaram. Um deles, com o rosto encoberto pela camisa, encostou o revólver no rosto do meu irmão e disse o seguinte: “Eu já sei onde tu moras. Se o Paysandu descer pra série C, eu acabo contigo, com a tua mulher e com esse teu filho maluco”. Detalhe, Gustavo, meu sobrinho, é um adorável adolescente autista, um tesouro que temos em nossa família.

Abaladíssimo, meu irmão tomou a única decisão possível numa situação como essa, a renúncia. Como muitas outras coisas no Brasil, o futebol (com poucas exceções), pra mim, há tempos virou coisa de bandido. Já está a tal ponto contaminado que não há o que reformar, recuperar, restaurar, tamanha a putrefação. E dou ênfase: tal como outras tantas coisas no Brasil. Quando meu irmão informou à família que iria se candidatar à presidência do clube, todos lamentamos.

Eu, particularmente, achava um desperdício o Sérgio dedicar o seu talento, sua competência, sua inteligência e seu altruísmo a isso. Mas meu irmão é um idealista, tem um coração de ouro, acredita poder fazer a diferença com seus valores, seu trabalho e sua dedicação. Sou testemunha do quanto trabalhou nestes seis meses, sacrificando o tempo precioso em que poderia estar com a família e sua vida profissional, para se dedicar ao clube que é sua paixão desde a infância.

Infelizmente, vejo este caso, que me toca tão de perto, como uma metáfora do Brasil de hoje, em que bandidos nos ameaçam, nos amedrontam, nos tiram a crença de que podemos contribuir para a construção de algo melhor, nos tiram a esperança em dias melhores.

Pobre Paysandu, pobre Brasil.

11 comentários em “O desabafo de Cristina Serra

  1. Se esses cabras da peste que ameaçaram forem torcedores do Paysandu eles terão de sofrer a tortura de expulsa-los do Paysandu e depois mandar eles vestirem a camisa do micro remo e se transformarem em torcedores desse time. Aí eles vão ver como dói demais, como é difícil ficar 7 anos sem qualquer divisão nacional , 23 anos longe da elite, 12 anos longe da serie B e so ter um título nacional da terceira divisão em 100 anos.
    rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsr

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  2. sou torcedor do clube do Remo, mas quero manifestar meu apoio e solidariedade ao sr. Sérgio Serra e família e também estender a instituição Paysandu, por este triste e lamentável acontecimento e ao mesmo o meu repúdio contra esses marginais que não podem ser chamados de torcedores, mas sim de bandidos e lugar destes meliantes é ficar no presídio.

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  3. Eita q o aposentado bebeu de novo, te contar!
    Já esqueceu q a mucura dormmiu na praça, jogou com cachorro no interior, fugiu de campo, perdeu pro Bacuri no chiqueiro, foi lanterna da terceira 1 ponto a maior vergonha dos times Paraenses…

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  4. Neliosofrecolor o REMO não ficou 7 anos sem divisão outra somos o único do Norte quer quer obteve melhor campanha na Série A teve time quer só vivia na zona parecer bebel kkkkkkkkkkkkk e outra a loba ainda me perder a Série C de 2014 pro Macae do Josué Teixeira kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkk

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  5. Outra não porque é desespero ser a lobase cair caiu futebol é isso só não vão fazer armação pra fugir de um possível rebaixamento kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  6. Esse Nélio é a escória desse blog. Até pra tirar sarro existe o momento oportuno, não serie neste caso de extrema gravidade no esporte paraense. Meu apoio à familia Serra!

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  7. Nem Serra e nem ninguém merece passar por isso. É preciso que as autoridades elucidem o ocorrido quanto antes para mostrar para sociedade e para os delinquentes que situações como essa não passarão impune.

    Confesso que fiquei “alegre” num primeiro momento com a renúncia de Serra, pois vi nela a oportunidade de realinhamento dos setores do PSC que visivelmente se dividiram com a chegada de Serra (não me cabe apontar culpados, pois aproximação é um problema que cabe a ambos os lados).

    Mas, esta “alegria” ruiu por completo ao saber da razão de sua renúncia.

    Ruiu por que já fui vítima da violência nessa cidade e entendo perfeitamente o medo por que Serra passou.

    Ruiu por que futebol é algo banal.

    Ruiu por que nada é mais importante do que a vida de outro ser humano.

    Solidariedade à família Serra.

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