Ao sabor das preferências

3 de julho de 2017 at 17:48 1 comentário

POR GERSON NOGUEIRA

Oliveira Canindé parece gostar de emoções fortes. Para o jogo contra o Sampaio Corrêa, hoje à noite, ele escalou o Remo com algumas peças que têm demonstrado alto risco para o time – Bruno Costa, Gerson e João Paulo. Ao mesmo tempo, barrou Flamel, dono do gol mais bonito da Série C até agora, marcado contra o Moto na rodada passada.

O pecado de Flamel talvez seja exatamente este: mostrar categoria como homem de ataque. Canindé prefere um time fechado, obreiro e que aplique carrinhos ao invés de dribles. De minha parte, sigo adepto do estilo mais técnico de jogar.

Jogadores com o talento de Flamel para chutes de média e longa distância são preciosos num futebol cada vez mais nivelado ao rés do chão. A opção que Canindé fez em manter Gerson no time, mesmo depois da desastrosa atuação contra o Moto, é reveladora de seus conceitos como treinador.

Concentro-me nesse caso por ser representativo da indigência técnica do futebol paraense. Apesar de já na faixa dos 33 anos e voltando de lesão, o meia-atacante ainda é capaz de decidir os destinos de uma partida.

Durante a semana, Canindé emitiu sinais nessa direção. Chegou a experimentar Gerson no meio, barrando o próprio Flamel. Na escalação oficial, o lateral foi mantido em sua posição, mas o técnico optou por três volantes – Ilaílson, João Paulo e Tsunami.

É compreensível a preocupação defensiva, mas é preciso observar que o Remo perdeu pontos preciosos muito mais pela falta de ousadia do que pelos excessos de cautela. Foi assim contra o Asa (fora) e nos empates em casa diante de Cuiabá e CSA. Que a história contra o Sampaio seja diferente.

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O centenário do lendário João Sem Medo

João Saldanha faria hoje 100 anos. Nasceu em Alegrete (RS) no dia 3 de julho de 1917. Sua ausência – desde 1990 – é sentida até hoje no cenário do jornalismo e da própria vida política brasileira. Sim, Saldanha extrapolava os limites da análise de futebol. Desassombrado, declarava publicamente suas convicções e jamais se curvou ante os poderosos. E fez tudo isso em plenos anos de chumbo, quando a ditadura militar não poupava ninguém.

Com a coragem habitual, ele assumiu o posto de comandante do escrete brasileiro com um simples e característico “topo” quando convidado pela então CBD. Enfrentou muitos problemas internos na Seleção, desafiou patrulhas ideológicas insanas – semelhantes ao que se vê hoje no país marcado pela intolerância – e montou um timaço para as Eliminatórias.

As feras do Saldanha foram o embrião da portentosa Seleção que brilhou em campos mexicanos um ano depois. Zagallo pegou o bonde andando, mas quem acompanhou a passagem de João Sem Medo pelo escrete sabe que aquele time carregava as suas digitais.

Um grande homem, um brasileiro que fazia a diferença. Saudades eternas.

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Em ritmo de ensaio, Alemanha fatura outra taça

O tempo passa e a Alemanha segue imbatível quando o assunto é planejamento e gestão no futebol. Campeã em 2014, montou um time alternativo para a Copa das Confederações. Revelou alguns bons nomes, com destaque para o meia-atacante Draxler (que joga no futebol francês).

Joachim Löw armou o time com as mesmas características da seleção principal: dura marcação no meio, com pressão alta na saída de bola inimiga e chegada sempre forte pelos lados. Foi superando os adversários e, na final, mesmo bastante atacado pelo Chile, terminou vitorioso.

Uma espécie de ensaio da orquestra – que poupou Neuer, Kroos, Müller, Khedira e outros – para voltar à Rússia em ponto de bala no próximo ano para o torneio que realmente importa. Do jeito como os alemães são disciplinados, desconfio que a sina que persegue vencedores da Copa das Confederações pode acabar em 2018.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 03)

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Rock na madrugada – Jerry Lee Lewis & Keith Richards, Little Queenie Capa do Bola – segunda-feira, 03

1 Comentário Add your own

  • 1. Daniel Lima  |  3 de julho de 2017 às 20:35

    Gerson….por isso que a maioria dos técnicos não conseguem dastaque em nada….e os que conseguem tb seguem os mesmos princípios…haja vista o Tite na seleção …que 1 a 0 era goleada….por sorte a seleção ele pode escolher jogadores…O técnico hj do remo….esta jogando não eh para empatar o jogo e sim não tomar goleada…temo que tal escalação prefetize ja uma. derrota. Mas o que nos resta eh apenas que as tendências não se concretize. Por isso que a maioria dos treinadores tem raiva do estilo Barcelona de jogar. Não querem inovação….querem a mesmisse.

    Curtir

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