Frustração e cobrança

1 de julho de 2017 at 15:26 5 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

A estreia de Marquinhos Santos não foi ruim, mas o resultado foi terrível para o Papão. Um dos mandamentos dos campeonatos de pontos corridos ensina que jogos em casa não podem ser desperdiçados. Até agora, foram três tropeços como anfitrião, representando a perda de sete pontos. Aliás, foi também o 7º jogo consecutivo sem vitória, marca preocupante numa competição que não perdoa os que demoram a reagir.

Quanto a Marquinhos, a atuação do Papão em boa parte do jogo de sexta-feira atestou que ele soube armar o time com o que há de melhor no elenco. Não podia fazer muito, após quatro dias no comando.

Acertou ao optar por um meio-campo de pegada leve e rápida, que só não funcionou melhor porque Jonathan às vezes embolava com Diogo Oliveira, mas a presença sempre marcante de Rodrigo Andrade tornou a saída mais dinâmica do que em partidas anteriores.

Apesar do gol marcado logo aos 9 minutos, as coisas só não foram mais tranquilas para o Papão pela quantidade de erros de finalização. Em certos momentos, o time parecia ansioso demais, querendo resolver tudo de uma vez só, o que, obviamente, não resultava em nada.

Ainda assim, depois do gol de Bergson, surgiram vários momentos propícios à ampliação do placar. Ayrton, Marcão e Bergson tiveram boas chances, mas falhavam sempre no último toque.

O 2º tempo começou com o Luverdense fazendo o jogo habitual de troca de passes no meio e avanços pelos lados, principalmente em cima do lateral Jean. A insistência, porém, não ocasionava lances de maior perigo.

Enquanto isso, novas oportunidades foram criadas por Rodrigo, Bergson e Diogo Oliveira, que mandou a bola no travessão aos 13’. A cada gol perdido, o Papão permitia ao LEC aumentar a dose de confiança no empate.

O problema de enfrentar uma equipe que sabe valorizar a posse de bola é que não pode haver nenhuma desatenção. E o cochilo foi se desenhando gradualmente, com seguidas investidas de Sérgio Mota pela esquerda e Ratão pela direita, jogadores que entraram no início da segunda etapa.

Marquinhos, ainda inseguro quanto às características dos jogadores, custou a mexer no time, retardando principalmente a substituição mais óbvia: trocar Diogo (ou Bergson) por Wellinton Jr., a fim de aproveitar as subidas do LEC. Isso só foi ocorrer aos 40 minutos.

Um pecado que acabaria sendo duramente punido aos 44 minutos, quando Rafael Silva recebeu livre dentro da área e chutou para empatar o jogo.

Empate em casa é sempre motivo de lamentação, mas a coisa piora ainda mais quando acontece no finalzinho do jogo. O gostinho de derrota contagiou o torcedor, que voltou suas baterias – pela primeira vez – contra a diretoria, cobrando um time melhor e com mais atitude.

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Bola na Torre

O técnico Marquinhos Santos (PSC) é o convidado do programa. Giuseppe Tommaso apresenta a atração, a partir das 21h, na RBATV, com participação deste escriba de Baião.

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O adeus de um bravo militante da democracia

Paulo Nogueira (não era meu parente), um dos mais combativos jornalistas brasileiros, morreu na sexta-feira, depois de bons serviços prestados ao ofício da informação e, por tabela, à democracia. Criou, com o seu Diário do Centro do Mundo, poderosa trincheira alternativa ao noticiário da grande imprensa. Especializou-se em noticiar e analisar fatos com um olhar mais afinado com a realidade e sem medo da verdade.

Pelo desassombro e pela crítica de alto coturno, deixa um vazio difícil de preencher num momento de grandes incertezas na vida brasileira.

A coluna de hoje é dedicada à sua memória.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 02) 

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Sobre o ofício de ensinar Lendas do mundo da bola

5 Comentários Add your own

  • 1. Wesley Bentes  |  1 de julho de 2017 às 16:24

    Continua a decepção com a Novos Rumos. Constata-se que o crescimento do patrimônio não melhorou o time dentro de campo. Os erros são os mesmos criticados em direções anteriores: excesso de contratações (que raramente vingam), time com idade média elevada e campanha fraca, com a equipe rumando para o que pode ser o segundo rebaixamento na gestão Novos Rumos em apenas quatro anos. Mas não é só no futebol principal que as coisas não estão bem. Há poucos dias vimos o time sub-17 ser goleado pelo rival e não chegar sequer à final do torneio. Há enorme diferença entre o Paysandu do marketing e o da vida real, o que vai ficando mais claro a cada dia. A estrutura é essencial, sem dúvida, mas sem recursos financeiros que viabilizem boas contratações, ela não pode fazer milagres. Temos exemplos pelo país de clubes com invejáveis condições, mas que, pela falta de recursos, também vivem séria crise técnica: São Paulo, Cruzeiro, Inter (há dez anos campeão do mundo, hoje série B). Tudo porque sem material humano de qualidade, nenhum time se põe de pé.

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  • 2. Jorge Paz Amorim  |  1 de julho de 2017 às 16:48

    O conforto, querido Gerson, é que fica o exemplo do DCM, admirável trincheira da boa reflexão jornalística e referência daanálise pertinente à conjuntura, nesses tempos de vil jornalixo.
    Quanto ao Papão, penso que foi vítima dos vícios de seus jogadores que tinham a missão de tecer a parte ofensiva do time. Bergson, D. Oliveira e Jonnathan abusaram do direito de serem egoístas, preciosistas e individualistas impedindo que o Papão também tivesse posse de bola consciente.
    No caso de Diogo é muito grave porque é flagrante que já não tem saúde pra fazer o que ensaia, daí seu excesso de dribles sempre acabar em contrataque dos adversários.
    Pior, ainda é o Bergson, cujo gol marcado acabou sendo veneno pra equipe, pois, depois disso, tirou uma bola dos pés do Marcão que estava aprumado pra conclusão. Bergson intrometeu-se desajeitadamente e todo torto deu um peteleco pra fora; depois, cabeceou todo torto uma bola alçada da direita pra esquerda e que ia encontrar o R. Andrade em condições privilegiadas de finalização; lá da intermediária, mandou um chute horripilante lá pra tv do Chaco, quando tinha o Jonnathan em boas condições entrando pela direita, repetindo por mais algumas vezes esse comportamento, tanto que passou boa parte do jogo com a mão espalmada pedindo desculpas pro restante da equipe.
    Diante disso, ou Marquinho enquadra essas estrelas até aqui opacas ou terá grandes dificuldades em fazer o Papão retomar o caminho da boa campanha inicial.

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  • 3. lopesjunior  |  1 de julho de 2017 às 18:06

    Verdade Amorim, perdemos uma referência do jornalismo brasileiro. Enquanto isso, a grande mídia vai permanecendo com cabeças de bagre com a pena na mão… e por isso a perda é mais sentida. As análises Paulo Nogueira tinham uma característica notável: eram escritas para que todo leitor o compreendesse, o interesse dele era mesmo o de comunicar bem, com clareza, sem perder a elegância. Trabalho admirável.

    Quanto ao Paysandu, permitam-me meus colegas bicolores, parece carecer de raciocínio lógico. Tendo um cabeça-de-área como Jonathan, deixa-lo no banco parece algo estúpido. Os desencontros com Diogo Oliveira ontem parecem problema de readaptação e de falta de entrosamento. Com o tempo, a dupla vai dar liga, e o Paysandu pode engrenar e fugir da zona do rebaixamento. É um problema muito parecido com o do Remo e por isso a dupla RE-PA se equivale em sustos no torcedor, tropeços dentro de casa e situação difícil na tabela. O Remo teve uma sorte um pouco melhor até agora. O valor dos cabeças-de-área se mede pela qualidade da sequência ao ataque e da cobertura à zaga e laterais. Muitos treinadores optam por ter um volante marcador e um que sobe muito ao ataque, como se isso equilibrasse as características do meio-campo. Entendo que cada cabeça-de-área deva ter as duas características, equilibradas, de marcar bem e de sair bem pro ataque. É uma posição singular e o futebol argentino a valoriza como poucos. Não custa lembrar do canhotinha de ouro, Gerson, que era o cabeça-de-área da seleção de 70, bem como de Cerezo e Falcão, na de 82. Não quero dizer que todo cabeça-de-área deva ser craque como os citados, mas não é pedir demais que saibam fazer passes com direção ao ataque. É pra frente que se joga, e não para os lados.

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  • 4. Jorge Paz Amorim  |  1 de julho de 2017 às 18:34

    Pois é, meu caro Lopes. Sandro e Vanderson se completavam por isso formaram uma dupla de volantes inesquecível. Também acho que para o bem de seu futuro Jonnathan devia rogar aos treinadores pra voltar às origens. Aliás, espero que a saída de R. Andrade tenha sido fruto de falta de condições físicas, caso contrário terá sido grande mancada.
    Por fim, o Papão pode dormir no Z-4, se o ABC bater no Guarani lá no Frasqueirão. Os dois resultados de hoje à tarde não ajudaram: Boa Esporte bateu o Inter dentro do Beira Rio e o Oeste bateu o Santa. Tá feia a coisa!

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  • 5. Comentarista  |  2 de julho de 2017 às 7:00

    Agradecido ao Guarani, que venceu ao ABC por 1 a 0, o Paysandú não dormiu na Riachuelo mas está acampado na Praça da República !!

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