Sinal de alerta ligado

22 de maio de 2017 at 0:35 2 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

A opção de remontar radicalmente o time do Remo cobra um preço alto neste começo de Série C. Depois de um primeiro tempo de boa movimentação e tentativas agudas (com duas chances de gol), a equipe sucumbiu ao cansaço e aos muitos erros, deixando três pontos em Arapiraca, no sábado à tarde. A continuar nessa toada, candidata-se a ser (de novo) mero figurante na competição. Ocupa o 4º lugar, mas o time não passa confiabilidade.

O apenas esforçado ASA pouco arriscou inicialmente, respeitando o time azulino. Quando percebeu o cansaço e a desarrumação, botou pressão e achou facilidades pelos lados do campo. Insistiu com bolas cruzadas até que o gol saiu num lance curioso, que teve um quase milagre do goleiro Vinícius e a total inércia do sistema defensivo do Remo.

A derrota se consolidou porque o Remo não teve forças para manter a transição rápida que fazia no 1º tempo, quando o estreante Gerson apareceu bem no apoio ao ataque. Edgar e João Paulo tiveram oportunidades, mas o goleiro Carlão fez grandes defesas, evitando o gol.

Até a conhecida limitação criativa do meio-de-campo foi um pouco disfarçada pela velocidade com que o Remo conseguia sair de seu campo. Em várias situações ficou patente a fragilidade defensiva do ASA, condição que os remistas não souberam explorar nos 45 minutos finais.

Para piorar, o precário condicionamento físico de boa parte da equipe, principalmente dos novos jogadores, comprometeu a cobertura defensiva e limitou as iniciativas do ataque. Edgar, o melhor do time, foi esquecido no lado esquerdo, sem receber bolas para investir em jogadas rumo ao gol.

Com o Remo escalado no sistema 3-5-2, os volantes tinham papel decisivo na partida, mas na segunda etapa abusaram da burocracia, trocando (e errando) passes no meio, justamente o setor mais povoado pelo ASA. Mikael, peça nula, foi substituído por Rony, que nada acrescentou.

Quando Gabriel Lima entrou, substituindo a João Paulo, o ASA já havia chegado ao gol, em lance que confirmou a excelente atuação do goleiro Vinícius e desnudou em todas as cores a incrível lentidão da zaga remista. Em cruzamento de Everton, o goleiro se desdobrou defendendo um cabeceio e um chute à queima-roupa, mas não evitou o disparo de Leandro Kível, aos 12 minutos. Estava sozinho contra o ataque inimigo, pois os zagueiros do Remo não se mexeram para pelo menos atrapalhar a jogada.

Em desvantagem, o Remo buscou forças para reagir, mas em nenhum momento conseguiu dar o bote sobre a defesa do ASA. Gabriel correu, lutou, mas foi atrapalhado pelos erros de posicionamento e passe de Damião e na falta de entendimento com Nino Guerreiro e Rony. O melhor momento foi uma tentativa de Tsunami, mas a bola saiu sobre a trave.

Os manuais ensinam que, em situações de aperreio, o jeito é apelar para a bola alçada na área, o popular muricybol. Nem isso o Remo fez. Estranhamente, ficou cozinhando o galo em seu campo, sem arriscar chutes de fora da área e deixando de incomodar a defesa do ASA.

O mau resultado acende o sinal de alerta quanto às deficiências do time, já expostas na vitória sobre o Fortaleza. O fato mais desconcertante é que o time que disputou o Parazão, reconhecidamente limitado, conseguia ser superior ao amontoado de jogadores escalados neste começo de Série C.

A opção de desmontar o time e prestigiar os novatos até agora não se mostrou a mais acertada. Quase todos os contratados desembarcaram em Belém longe das condições ideais, sendo que alguns denotam sérias limitações técnicas – casos de Damião, João Paulo, Labarthe, Mikael e Danilinho (que não jogou em Arapiraca). Gerson, Nino Guerreiro e Bruno Costa, mesmo sem maior brilho, são as exceções até agora.

Em meio às dificuldades, Josué pode substituir os “importados” que não se encaixaram por Gabriel, Jayme, Léo Rosa e até Rodrigo, que apareceu bem na final do campeonato e que pode cuidar da armação até Flamel voltar – há previsão de que possa jogar domingo contra o Cuiabá. Insistir com os novatos à espera de entrosamento é um risco que o Remo não pode correr.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 22)

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Galeria do rock A OAB e sua incoerência

2 Comentários Add your own

  • 1. Bira  |  22 de maio de 2017 às 9:01

    Lembro que em algumas entrevistas, o Josué disse que as contratações seriam de jogadores que deveriam estar prontos para jogar, mas o que se ver não passam de jogadores que estavam encostados em seus clubes ou em casa.

    Curtir

  • 2. Mauro Arnaud  |  22 de maio de 2017 às 18:39

    Caríssimo amigo Gerson.Acompanho futebol paraense pela Clube, desde quando me entendo como gente, para diletantismo. Não entendo quase nada de Futebol. Só das “peladas” nos campinhos suburbanos do Guamá e Cremação, onde nasci.Frequentei o Baenão nos idos 70, Glorioso ao Remo, de jornadas inesquecíveis. São, aproximadamente 50 anos de amores e revezes por esse clube. E somente ele. Nem mais a “paixão nacional” me atrai, depois daquele fatídico vexame.Escutei e escuto todas as resenhas futebolísticas de clubes nacionais, inclusive o do hilariante ibis pernambucano. Dentre todas as notícias que eu li e escutei, em todas essas décadas, não lembro de um clube profissional, montado com 80% de jogadores locais, disputando um campeonato local e conseguindo com competência um honroso vice-campeonato, ser desmontado abruptamente e irresponsavelmente, em toda sua estrutura, para disputar um campeonato nacional, com jogadores ditos importados, que jogam sem raça, sem vontade, apenas pelo dever da necessidade, e, pior, de qualidade técnica abaixo dos que aqui estavam jogando no time.
    Não sei de algum clube profissional que tenha, num jogo só, substituído 8 jogadores, de uma só vez, formando um amontoados de jogadores que não se conheciam, não tinham treinado juntos o suficiente, para fazer jus entrar no time.
    Decepcionante, parece coisa de amador. O normal e racional, seria substituir, paulatinamente, as peças necessárias , nos setores mais críticos, até ir ajustando o time, conforme as falhas que se fossem ainda encontradas. Eu disse, racionalmente, porque não vejo na direção técnica do time e na sua diretoria, um discernimento lógico para administrar essa situação. Antes se dizia que Leo Rosa era o melhor lateral do campeonato, que Tsunami era uma jóia rara, que Igor João era promissor, João Victor , Gabriel, Jaime, e de repente, muda-se estupidamente de opinião. A troco de quê?
    Tomara que esses desacertos não nos leve de volta ao recente passado negro.

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