Bastardos gloriosos

10 de abril de 2017 at 1:14 4 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol, como a vida, às vezes avança quando dele menos se espera. É tão forte que consegue dar passos evolutivos em meio à mais inclemente das pindaíbas. Por força da necessidade, a dupla Re-Pa parece parece de repente ter redescoberto o imenso celeiro de jovens jogadores, quase sempre inaproveitado em épocas de bonança econômica.

A mudança de filosofia mais óbvia se verifica no Remo. Atordoado pelas dívidas (trabalhistas e fiscais, principalmente) e na iminência de perder patrimônio, o clube lançou mão do que as divisões de base produziram nos últimos cinco anos.

No Papão, a situação é um pouco mais tranquila. Não há o desespero por obter receita que tanto assola o rival, mas existem problemas de natureza técnica. Nos tempos bicudos ora vividos pelo futebol brasileiro, garimpar bons jogadores no mercado da bola virou uma quase loteria.

E é justamente aí que desponta a importância dos boleiros feitos em casa. Na Curuzu, alguns se destacaram aliando sucesso junto à torcida com a valorização externa, como Yago Pikachu, que não rendeu dinheiro ao clube, mas foi importantíssimo enquanto defendeu a camisa alviceleste.

No confronto de sábado em Paragominas, válido pela 10ª rodada do Campeonato Estadual, o Remo alinhou nada menos que 10 atletas caseiros: Jefferson, Tsunami, Max, Lucas Vítor, Gabriel Lima, Felipe, Luís Cláudio, Caio, Jaquinha e Fininho.

O nobre leitor e baluarte há de ponderar que isso ocorreu porque o técnico Josué Teixeira não tinha outra saída, com tantos titulares lesionados e suspensos. Acontece que, em outros tempos, até recentes, o elenco estaria recheado de sucatas importadas de outras praças. Atletas inferiores (e mais caros) aos jogadores regionais.

Sem dinheiro em caixa, a nova diretoria arranjou soluções simples e caseiras, fugindo aos custos de contratações duvidosas. Foi assim que, além dos moleques da base, o Remo manteve Flamel e trouxe os laterais Léo Rosa e Jaquinha, talvez suas duas melhores contratações no ano.

Diante de cenário tão educativo, é razoável perguntar: por que os dirigentes não pensam sempre em alternativas que sejam compatíveis com as finanças dos clubes¿ Será preciso sempre atravessar uma crise braba para enxergar as saídas mais inteligentes e sensatas¿ Que todos aprendam a lição deste começo de 2017: os jovens “bastardos” das divisões de base merecem mais atenção, respeito e oportunidade.

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Arbitragem capenga e a volta triunfal de Sassá

Acompanhei ao treino de luxo do Fogão para a batalha contra o Atlético Nacional no meio da semana que se inicia. Uma coisa ficou óbvia: Sassá, bem condicionado, é um dos mais perigosos atacantes brasileiros. Só precisa ajustar mais a pontaria e aprender a tomar a decisão certa no último instante – item fundamental no arsenal de um atacante, segundo mestre Tostão. Em velocidade, drible e controle de bola, Sassá já é um dos melhores em atividade no país.

Provou isso ao se livrar de um marcador e bater inapelavelmente na saída do goleiro Júlio César. Gol que lembrou outro astro imortal botafoguense, o “furacão” Jairzinho, pai do técnico Jair Ventura. Sassá enfrentou problemas de ordem pessoal, andou pisando na bola no aspecto disciplinar e pegou um período de gancho no clube. Volta agora em melhor forma e pronto a reforçar o Botafogo no Carioca e na Libertadores.

Outro detalhe a observar no clássico entre Botafogo e Fluminense foi o baixo nível da arbitragem. Além da falha clamorosa no segundo gol alvinegro – vários jogadores na linha de impedimento –, o trio ainda vacilou na aplicação de critérios para faltas e cartões. É preciso haver mais seleção no setor de arbitragem, urgentemente.

Por fim, resta a constatação de que os cariocas criaram neste ano o campeonato mais escalafobético dos últimos tempos. Dividida em duas partes – Taça GB e Taça Rio –, a competição só dá valor de fato à primeira taça. Quem ganhar a Taça Rio (Vasco ou Botafogo) não terá qualquer vantagem extra nas finais.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 10)

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Rock na madrugada – Sex Pistols, Holidays in the Sun Capa do Bola – segunda-feira, 10

4 Comentários Add your own

  • 1. lucilofilho  |  10 de abril de 2017 às 9:26

    A necessidade e a coragem dos dirigentes e o treinador em utilizar jogadores da base é louvável, mas me preocupa como o time vai reagir ao revés sofrido de forma dura na CV. O Remo vai ter que mostrar força e equilíbrio pra superar o Independente, clube do interior ao meu ver, candidato ao título do paraense deste ano.

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  • 2. Jorge Paz Amorim  |  10 de abril de 2017 às 11:00

    O problema das divisão de base é que parece colheita de café: se sofreu efeitos da geada vem frutos de qualidade precária. Se você pega a safra do Remo de dois anos atrás, a qualidade não era tão boa quanto a atual, por sinal, campeã paraense.
    Assim como não se deve desistir de plantar o café, claro que não se deve deixar de investir nas divisões de base, todavia, devemos estar sempre atentos a fim de mitigar os efeitos eventuais dos contratempos que rondam ambas as atividades. e aí deve prevalecer o recurso à pesquisa como forma de encontrar soluções.

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  • 3. blogdogersonnogueira  |  10 de abril de 2017 às 11:03

    Amigo, quase tudo na vida cumpre esse ciclo de alternâncias. A sabedoria está em cuidar para que o cultivo seja sempre perfeito. Do contrário, não haverá safra alguma.

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  • 4. Jonathan Pires  |  10 de abril de 2017 às 13:11

    O Remo cuida pessimamente de suas categorias de base e, paradoxalmente, sobe os garotos para o profissional, esperando que eles façam grandes atuações em campo. Gabriel Lima é a prova viva da deficiência das categorias de base do clube. O jovem atacante subiu sem saber chutar, driblar e nem cabecear. Os gols perdidos por ele no jogo contra o Santos-Ap foram absurdos. Nenhum atacante pode se dar ao luxo de perder um gol no qual o goleiro adversário recua a bola para ele.

    Muito se tem dito que não se pode culpar o Gabriel Lima. Concordo. A culpa não é dele. A culpa é do clube que não deu um preparo mínimo para o garoto e o subiu para o profissional. Valorizar a base não é subir jovens para o profissional de qualquer jeito. É dar uma estrutura minimamente adequada para eles.

    As categorias de base do Remo são administradas de forma precária. Quanto tempo faz que o clube não disputa uma Copa São Paulo?Lá, ao menos os meninos teriam oportunidade de jogar contra times melhores como o Corinthians. Mas não é o que acontece. Nos últimos anos, o Remo amargou também insucessos nas suas categorias de base e, mesmo assim, tem dirigente que insiste que os garotos atuem no profissional totalmente despreparados. Resultado: sete gols perdidos em uma partida e eliminação.

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