Liderança com méritos

POR GERSON NOGUEIRA

Apesar do adversário pouco qualificado, o Brasil passou com louvor no teste de jogar sem Neymar. A ausência do principal jogador do time não alterou a estratégia de velocidade no ataque, troca incessante de passes e aproximação entre os setores.

O gol de Gabriel Jesus, logo aos 7 minutos, batendo de cobertura depois de presentaço do goleiro Hernandéz, deixou a partida ainda mais tranquila para o Brasil. Em desvantagem, a Venezuela viu-se obrigada a ir à frente, fragilizando ainda mais seu sistema defensivo.

unnamed-76Philipe Coutinho, William e Jesus se movimentavam e invertiam posicionamento, dificultando a marcação. Com o apoio dos laterais Filipe Luís e Daniel Alves, o ataque encontrava sempre alternativas para agredir a confusa defensiva adversária.

Com Renato Augusto dominando a meia-cancha, a transição se efetivava corretamente, sempre com passes verticais e de primeira. Graças a isso, Coutinho e Jesus desfrutaram de oportunidades para ampliar o escore ainda no primeiro tempo, mas falharam nas finalizações.

No segundo tempo, William ampliou aos 7 minutos, mas a produção brasileira foi suficiente para deslanchar uma goleada, que só não se consumou por falhas na definição. Paulinho recebeu três bolas dentro da área, mas disparou longe.

Com a interrupção causada pela pane elétrica no estádio, o jogo foi reiniciado, mas nada de mais relevante aconteceu. O Brasil administrou as ações, mantendo até o fim índice de posse de bola superior a 60%, num sinal mais do que eloquente de sua superioridade.

Destaque para as atuações de Marquinhos na zaga; Renato Augusto, cada vez mais absoluto no meio-campo; e de Gabriel Jesus, confiante e inventivo, à altura do ausente Neymar.

Tite alcança a liderança no torneio classificatório, com quatro vitórias consecutivas, igualando-se a treinadores do porte de Zezé Moreira, João Saldanha e Telê Santana. Está, sem dúvida, em muito boa companhia.

—————————————————-

Necessidade e urgência de pacificação

Termina amanhã o prazo para inscrição de candidatos à eleição do Remo, em meio a intensas articulações para formação de chapas. Reuniões se sucedem em torno de alguns nomes, mas não há um quadro ainda claro quanto aos escolhidos para concorrer em novembro.

Por ora, mesmo sem chapas definidas, consolida-se a impressão de um clube profundamente dividido, com pelo menos três grupos que se destacam na luta pela hegemonia interna.

O que poderia ser prova de solidez política é, na verdade, sintoma de divergências sedimentadas ao longo dos anos e acentuadas nas eleições recentes. São divisões que comprometem a gestão do Remo independentemente do presidente no poder.

Além da falta de receita consolidada e da herança das dívidas acumuladas nos últimos dez anos, motivos que se interligam e que respondem pelos principais problemas contábeis do clube, os gestores sofrem com o clima de discórdia e o “fogo amigo” sem tréguas.

Critica-se a atuação dos últimos dirigentes, mas há um fato inescapável: o cidadão nem bem assume a presidência e o bombardeio da oposição começa, implacável e intenso. Foi assim com quase todos os presidentes desde que Raphael Levy deixou o cargo, no final de 2005.

A união sempre reclamada no futebol deveria ser buscada incessantemente no Remo, a fim de que as gestões tivessem tempo e tranquilidade para trabalhar. Nesse sentido, o pleito do próximo mês abre nova oportunidade para uma ampla pacificação interna, capaz de permitir ao novo gestor evitar os erros – e não foram poucos – cometidos de 2006 até hoje.

Esta deve ser a pré-condição básica para que a nova diretoria tenha condições de executar seu programa de governo e se empenhe em recuperar as finanças e a própria credibilidade do clube.

—————————————————-

Sobre penalidades e lambanças

O Fortaleza fracassou outra vez na hora H e o escriba também entrou na dança. Ao comentar a eliminação do tricolor cearense, na coluna de segunda-feira, sapequei do nada uma disputa em penalidades, que não aconteceu.

Na verdade, com o empate em 1 a 1 o Juventude garantiu o acesso, pois o primeiro jogo havia terminado em 0 a 0. Aos 27 baluartes deste espaço, peço desculpas pela lambança.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 12)

10 comentários em “Liderança com méritos

  1. Só acho que esse oba oba da imprensa brasileira, principalmente da Globo, em torno da seleção brasileira, está servindo para escamotear o nefasto governo Temer e sua atrocidades. Cuidado para não cair nessa Gerson.

  2. Que exagero amigos, até um post da coluna do Gerson, vocês direcionam pro lado político-partidário. A avaliação do colunista é correta no que diz respeito a evolução do escrete no comando do técnico Tite, como também o desempenho individual de alguns jogadores. O primeiro lugar do grupo já evidência o bom futebol jogado pela nossa seleção.

    Amigo Gerson, não carece de desculpa a informação equivocada no post anterior, pois somos passíveis de falhas. Agora, vamo combinar, o blog tem crédito aos bilhões, entre todos os frequentadores deste espaço.

  3. No ponto diversionismo não posso concordar Aládio. Nem mesmo por ato inadvertido o Titular do Blog incidiria em semelhante contradição. Pode até existir intenção desta natureza em certos segmentos da mídia dita especializada. Mas, aqui no Blog tenho certeza que a relação é Seleção evoluindo, evoluindo, concertos do governo Temer à parte.

    Agora, não se pode negar que há um certo descompasso entre a inegável, mas discreta evolução do time brasileiro, e a superentusiasmada avaliação feita pelos especializados em geral. Mas, sinceramente, eu credito este entusiasmo um tanto acentuado demais à saída do Dunga, figura que ainda resta atravessada na garganta da esmagadora maioria dos cronistas da mídia dita especializada. Demais disso, mesmo sendo ainda muito pouco o que temos visto para um país que tem cinco títulos mundiais e foi berço de craques rebrilhantes como Pelé e Cia, não se pode negar que voltar a vencer de times como a Bolívia, Venezuela e Equador, é fator digno de reativar o gen da alegria que estava sob latência.

    De minha parte, que depois do pioneirismo do Nélio (que intuiu que o Brasil venceria a Olimpíada e se reencontraria no time principal), fui um dos que logo registrou aqui que o time brasileiro parecia mostrar um potencial para vir à tona e trazer de volta consigo a identificação com o torcedor, ainda estou em fase de observações, continuo acreditando no soerguimento, mas sob um clima de muito comedimento, afinal ainda há muita água para rolar embaixo destas pontes até chegarmos à próxima copa, e, até lá, não podemos esquecer que mesmo contra uma Venezuela absolutamente inocente, inepta, boba mesmo, o sistema defensivo brasileiro cedeu várias oportunidades de gol.

Deixe uma resposta