Sobre ignorância, autoritarismo e ressentimento

POR MÁRIO MAGALHÃES, em seu blog em 23/12/2015

Pingos nos is: na essência, o que houve no Leblon na noite da segunda-feira não foi bate-boca. E sim intimidação e provocação de um grupo de jovens adultos contra Chico Buarque, 71, e amigos com quem o artista passeava, depois de jantar.

Chico estava na dele.

O ato hostil decorre do que na cachola de intolerantes constitui delito de opinião. A, B ou C? É o de menos. Poderia ser qualquer uma. O crime é ter e expressar opinião diversa.

“Você gravou um vídeo apoiando a Dilma”, disse em tom acusatório um dos participantes do cerco.

Diante da agressividade, Chico tentou esgrimir ideias. Pode-se concordar ou divergir dele. O inaceitável é levar uma dura por acreditar nisso ou naquilo.

O compositor que criou uma canção falando “no tempo da delicadeza” escreveu sobre um porvir que parece cada vez mais alucinação utópica.

“Você é um merda”, berrou um sujeito para ele.

A desqualificação do interlocutor é característica autoritária. O mal não é apenas o que o outro pensa, mas o outro. No fundo, trai a indigência de argumentos.

“Vai correr daqui já?”, urrou um valentão de ópera-bufa.

Como Chico é Chico, enquanto rostos vincados pelo ódio o miravam, ele reagia com sorrisos. Para quem odeia, o que dói mais é o sorriso.

Retrato do Brasil, os insultos no Leblon são herança de nossas raízes. Não somos a terra de gente cordial, mas onde a escravidão foi mais longeva, onde a desigualdade obscena campeia, onde depois de vencidos adversários são decapitados (de Canudos ao Araguaia, passando pelo cangaço).

Os intolerantes de anteontem aparentemente não querem cortar a cabeça de ninguém. Talvez somente arrancar as cordas vocais. Pensar até pode. Falar seria prerrogativa de quem pensa igual.

O surto na noite do Rio tem outras ascendências. Na Alemanha da década de 1930, os nazistas perseguiam também quem ousava dizer não.

Os intolerantes da segunda-feira formam no que um protagonista do Brasil republicano ironizava como “a turma do Jockey”. Núcleos de grã-finos que pretendem impor a qualquer preço ideias e interesses.

Outro traço distintivo é a vulgaridade de certa elite, como contemplado no vídeo que nasceu como documento histórico e antropológico (clicar aqui).

Já de início a abordagem a Chico Buarque foi vulgar, tomando árvores pela floresta: “Todo mundo era seu fã, Chico”.

Um dos intolerantes, Álvaro Garnero Filho, é rebento do empresário Álvaro Garnero. O pai “confirmou a presença do filho no episódio” e “disse que teve de explicar a Alvarinho quem era Chico Buarque“.

Quer vulgaridade e ignorância maiores que um marmanjo com acesso à educação e à cultura precisar de explicação, no século 21, sobre quem é Chico Buarque?

O milionário Álvaro Garnero é um dos herdeiros do grupo Monteiro Aranha.

A nau da intolerância guarda lugar para os ressentidos. O mesmo indivíduo que chamou Chico Buarque de “merda” falou: “Para quem mora em Paris, é fácil”.

Vacilou: “Você mora em Paris, não mora?”

Chico mora ali pertinho, no Leblon.

Logo outro provocador emendou “Tem um apartamento lá em Paris. É gostoso Paris, né?”

A bronca com o apê de Chico em Paris é o vômito dos ressentidos.

No Marais ou na Île Saint-Louis, o autor de “Vai trabalhar, vagabundo” o comprou com dinheiro ganho honestamente. Ao contrário de alguns brasileiros donos de imóveis na Europa, não recebeu de herança seu apartamento. E se tivesse?

Adquiriu-o com a grana suada de seu trabalho.

Qual o problema? Os fascistoides agora viraram partidários da propriedade coletiva?

De uma parte deles, Chico é alvo do ressentimento comum a determinada classe média que abomina pobre e inveja rico.

Nesse caso, merda é a inveja.

Para os ricos-ricos, Chico é um traidor. Traidor de classe.

Como pode um cidadão que vive no Leblon e tem apê na França não votar como a esmagadora maioria dos endinheirados?

Soa como exigência de fidelidade de classe. A diferença equivale a traição.

O silêncio sobre o comportamento primitivo e intolerante é conivente.

Vale o clichê: quem cala consente.

Não está em jogo, enfatizo, o mérito das opiniões de Chico Buarque, mas o direito democrático de manifestação dele e de todos os brasileiros.

Muita gente ralou para que opinar não resultasse mais em cana e castigo.

Só o que faltava era um bando furioso de intolerantes e ressentidos levar a melhor em sua cruzada obscurantista, rancorosa e vulgar.

(*) Mário Magalhães é jornalista e escritor

29 comentários em “Sobre ignorância, autoritarismo e ressentimento

  1. Depois de ler minuciosamente esse belo texto do escritor acima em apreço,só me resta concordar em número,gênero,gráu e em mais aditivos que possam existir.Muita cabeça,muito conhecimento de causa e muito discernimento, o que faltou, para os revoltados ! Isso que ocorreu,acontece cotidianamente pelo Brasil afora, Parabéns pela bela matéria a vc e ao autor ! Feliz Ano de 2016 pra vc e família e para tds os participantes do nosso querido Blog !

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  2. Chico antes de ser um bom letrista, as vezes passar a impressão que é vidente.

    Meu caro amigo me perdoe, por favor
    Se eu não lhe faço uma visita
    Mas como agora apareceu um portador
    Mando notícias nessa fita
    Aqui na terra ‘tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll
    Uns dias chove, noutros dias bate sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
    E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
    Ninguém segura esse rojão

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  3. Esse Chico e cabra bom mesmo! Te dizer!

    Apesar de você
    amanhã há de ser
    outro dia
    inda pago pra ver
    o jardim florescer
    qual você não queria
    você vai se amargar
    vendo o dia raiar
    sem lhe pedir licença
    e eu vou morrer de rir
    que esse dia há de vir
    antes do que você pensa
    Apesar de você
    amanhã há de ser
    outro dia
    você vai ter que ver
    a manhã renascer
    e esbanjar poesia
    como vai se explicar
    vendo o céu clarear
    de repente, impunemente
    como vai abafar
    nosso coro a cantar
    na sua frente
    Apesar de você
    amanhã há de ser
    outro dia
    você vai se dar mal
    etc. e tal

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  4. Aos conservadores de plantão, nem tanto incomoda que tenha ocorrido aquele ocorrido precisamente com o Chico Buarque, mas que se tenha chegado àquilo. Reconheço na fala do “ex-fã” do Chico uma reverência ao poeta, à imensa habilidade, e grandiloquência, do compositor. Como se Chico tivesse arrancado daqueles marmanjos a obrigação do reconhecimento, dado de mal grado pelos endinheirados do Brasil. O que realmente preocupa é o sem limites de uma juventude mal educada, quero dizer, que teve educação muito pobre histórica e culturalmente.

    Outro dia defendi um ponto de vista, baseado na obra de Pierre Bourdieu, da violência simbólica, em que dizia que há uma escola para ricos e outra, para pobres e que ambas têm a mesma qualidade, uma vez que o objetivo dessas escolas são opostos: as particulares, ensinam a mandar, enquanto as públicas, a obedecer. Estas escolas ensinam crianças e jovens a serem líderes, e não se preocupam com o currículo escolar. A ignorância das elites vêm do mesmo desconhecimento dos conteúdos que os alunos de escolas públicas.

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  5. Labuta diária . Chicos da vida são cronologicamente afrontados dia a dia, alguns conhecidos nossos e não referenciados como o Chico poeta. O Chico ditadura está sendo caramelado ao extremo servindo de bandeira e reforço na linha de frente de um ataque descoordenado e péssimo de finalização.

    Gol da Alemanha………

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  6. Lobão Rs… Deve ser remista.

    Deixo claro que sou fã das músicas do Chico que considero um dos maiores letristas. São canções de qualidades e principalmente de conteúdo. Só não é aceitável fazerem na defensiva uso da imagem do artista como escudo político e na ofensiva utilizá-lo como bomba caseira. Acho que já deu.

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  7. Lopesjúnior, O ensino público que você descreve faz parte da sua geração, Os mais conceituados colégios na década de 60 e 70 eram os públicos. EX. Souza Franco, Paes de Carvalho, Lauro Sodré, Augusto Meira, entre outros. Os colégios militares sempre foram os mais rankeados e continuam sendo. Os servidores públicos os melhores remunerados, hoje são remediados. Assistência Social de hoje é ridícula simplesmente. Quando você tonaliza seus comentários para um Brasil de dois gumes, você se baseia no que testemunhou até então. Assim sendo lembro que há 30 anos o Brasil é administrados por políticos democráticos e o país sendo rebaixado paulatinamente na fase mais inoperante após a redemocratização. Viva a democracia e abone meus erros ortográficos mais precisos que muitas exposições de idéias.

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  8. Texto bem concatenado. Gostei muito de uma expressão que não é nova, mas que nos dias que correm, especialmente nas repercussões deste episódio, tem excelente cabida: ‘tomar as árvores pela floresta’.

    Quanto ao Chico, nomeadamente quanto a sua Obra, não me considero um ex-fã.

    Deveras, páginas como O Meu Guri, Roda Viva, Construção, Pedaço de Mim, Olê Olá, dentre tantas outras, só pra falar na quadra da crítica político-social, até pela sua extrema atualidade, não são passíveis de descarte.

    Na realidade, no caso, o que se impõe é que o próprio autor se reconcilie com sua Obra. Afinal, os infortúnios seguem os mesmos do período em que foi mais profícua a produção do compositor.

    Enfim, se a situação segue a mesma, se os índios continuam morrendo, se os meninos ‘seguem comendo luz’, se os ‘guris continuam chegando lá’, se as ‘transações seguem cada vez mais tenebrosas’, será que quem mudou foi o Jorge Maravilha?

    De minha parte, serena, pacífica e democraticamente, até para homenagear uma obra que além de genial, a cada dia que passa vai se revelando de uma atualidade perene, eu prefiro continuar dizendo:

    Chico, quem te viu, quem te vê…

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  9. Pois é, caro Ferdinando, meu minhas ideias e comentários continuam mais corretos que seu português porque a educação pública dos anos 60 e 70 era direcionada à classe média urbana, a essa elite apenas. A educação de lá, como a de cá, essa de hoje em dia, escolhe a quem, quando não deveria, quando deveria ser igualitária e, desse modo, ajudar a diminuir o abismo social que existe no país ao prover oportunidades a todos os jovens. A educação pública mudou de atitude porque mudou a escola, porque houve o apartheid social-escolar, nesse país que não se reconhece elitista, racista, antissemita, machista e liberal. Uma educação que se preocupasse com a educação, seria necessariamente menos ligada ao pensamento liberal, conservador, e mais alinhado ao marxismo, questionador e inovador. É papel da educação ajudar a sociedade a evoluir, a progredir, e não a manter um status quo social conveniente a uma classe dominante. Veja bem, não recrimino quem é liberal, meu alvo não são as pessoas, meu alvo é o liberalismo. Não é culpa de um pensamento democrata, socialista ou liberal a corrupção no país, mas o pensamento liberal é conservador e ajuda na manutenção do status quo do político, do oligarca, do plutocrata, e do corrupto… Pensar conservadoramente, ou liberalmente, é a mesma coisa por isso, pela inércia das ações. O pensamento socialista é o questionamento porque historicamente o socialismo teve poucas oportunidades e o liberalismo não rendeu o esperado para nenhum país, povo ou nação até aqui e, por isso mesmo, o socialismo tem ganho oportunidades, ainda que não se possa dizer que o socialismo tenha levado ao comunismo, mas tem tido efeitos econômicos desejáveis quando se trata de distribuição de renda e justiça social. Inclusive o PT com Lula amenizou esse espectro histórico negativo nos oito anos daquele governo, e tem sido atrapalhado, agora com Dilma, pela crise internacional do capitalismo, comparável à crise da quebra da bolsa de N.Y., nos anos 20. Afirmo e reafirmo cada posição política, inclusive sobre Chico Buarque, porque o feito dele é incomparável por qualquer outro brasileiro que não tenha sequer tomado consciência da luta contra a ditadura militar e das injustiças cometidas pelos militares.

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  10. Pelo amor de Deus Lopes júnior, desculpe mas vc escreveu muita coisa sem noção e o Gerson ainda quer assinar seu comentário. Respeito seu comentário, o posicionamento do Gerson Nogueira que é esquerdista, eu não sou partidário de nada a não ser do bem estar social do povo pobre o qual pertenço, mas não concordo com muita coisa escrevestes. Lopes, dizer que a educação pública mudou de atitude para melhor…..kakakakakakak só mesmo rindo pra não chorar amigo. dizer que hoje há maior igualdade social e foi proporcionada pelo Lula, só lamentando seu triste entendimento amigo. Lopes não sei onde vc vive, se está mesmo no Brasil ou é daqueles que migrou para uma das potências do mundo e está comunicando de lá, mas se vive mesmo no Brasil certamente não está acompanhando os noticiários da crise social seríssima que envolve o país por culpa do desmando da Dilma e não só pela quebra da Bolsa de Valores. Lopes, temos um dos piores investimentos e Sistema de Educação do Mundo. O Sistema de Saúde está virando mais caos onde até os Planos privados não estão resistindo, alguns já faliram, outros estão propensos à falência ou mudando de ramo. Alguns que resistem a crise estão criando sub planos em cima dos planos para cobrarem cada vez mais do consumidor para poderem continuar como planos. Hoje uma reportagem mostrou claramente uma jovem desesperada dando a luz dentro do carro em frente há um hospital particular porque no momento que ela chegou não tinha leito disponível, estava lotado e não havia tempo de dela ir para outro sob pena de perder a criança. Amigo querer dizer que isso é sensacionalismo ou mídia opositora ou perseguição da Veja e ignorância amigo. O S de Segurança Pública, credo , dispensa comentário!! tá feia a coisa Lopes Junior. Lopes se vc não for um da panelinha petista e não tem rabo preso a partidarismo político, eu só posso afirmar que Vc é um super herói do otimismo em acreditar que está tudo muito bem no país e ainda pode melhorar com a Dilma no poder. Desculpe a franqueza.

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  11. Lopes Junior, observe que em relação à tão importante educação para o desenvolvimento de uma nação, afirmo que no Brasil existe precariedade tanto no Sistema de educação formal ou aquele ofertado pelas Instituições de Ensino fundamental, médio e superior, assim como há precariedade na educação ofertada para o exercício do cidadania ou aquela que não aprendemos na Instituições de Ensino, mas que também são importantes para o povo em geral. Ou seja, hoje existe mas é raro vc ver partir das Instituições governamentais aquela educação nos veículos de comunicação de massa voltada para conscientizar ou alertar o povo de problemas sérios que possam ocorrer de uma falta de prudência no trânsito, da falta de critério para se livrar de lixo doméstico, entulhos e dejetos humanos, falta prudência na alimentação ou reeducação alimentar, etc. coisas que podem agravar a mais o sistema de saúde e superlotar os hospitais e postos de atendimento. Muitos desse tipo de educação a gente vê hoje partir mais das ONGS que dos governos. Hoje o pouco que ainda presenciamos de educação informal ou indireta do povo vem do MS na guerra contra a dengue , isso porque está virando epidemia e matando, se não nem essa educação existiria. Hoje é difícil a gente ver aquelas propagandas de prudência no trânsito que existiam muito antes, e por coincidência tem morrido mais gente no trânsito que na guerra, sem falar nos mutilados para o resto da vida. Um dos motivos das superlotações dos leitos de hospitais do país são as pessoas acidentadas em trânsito, principalmente motoqueiros por pura imprudência ou falta de educação. Muita dessa educação indireta a gente via antes por parte das instituições governamentais. hoje é raro. Por isso o caos maior. Não devemos esquecer que muita gente teve a vida poupada e existem hoje para contar história, depois daquela educação informal do MS em favor do povo contra o fumo e tabagismo, mostrando os perigos dessa droga e que tirou muita gente do vício inclusive eu. Então se não existe nem esse tipo de educação Lopes, imagine a formal que tem de destinar milhões em recursos em investimentos. triste isso.

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  12. Simples apelação caro Júnior. Você visa um constrangimento indiciando meus comentários ficando evidente sua irritação. problema seu. E olha que não é uma sumidade no assunto.

    Veja bem,. tudo que postei acima tem sentido. O critério merecimento é o mais justo a ser aplicado. Havia naquela época o teste de admissão as escolas públicas e o Gerson deve lembrar disso, você talvez até ignore tal fato como muitos outros. Assim sendo, poderia ser branco, preto, índio, rico ou pobre, bastava mostrar capacidade intelectual na avaliação que ingressava nos melhores colégios. Então essa sua tesse é furada e desconexa. Triste é ver assegurado o acesso a universidade e outros seguimentos por cota para proteger os mais fracos, e pior, aceitar essa situação é reconhecer fragilidade. Sem querer ofende-lo mas, seus argumentos estão mais para saladas de letras temperadas com discordâncias de idéias.

    No mais, faço das palavras do Nélio as minhas.

    Não existe mais correto. É correto ou errado. como é maior ou menor. sem mais, nem menos. Por aí vai.

    Para reflexão.

    “Aos fracos a derrota é uma consequência”

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  13. Nélio, você precisa ler com mais atenção. Leia e releia meu comentário com mais atenção e note que não há qualquer dessas afirmações que entendesses ter lido lá. Afirmo exatamente o contrário do que você disse ter lido. Mas, vamos lá. Digo, e digo bem, que a educação de hoje é pior que a de antes, pois o que eu coloquei foi exatamente que a percepção de boa educação (real) da educação do período do regime militar vinha de uma clara preferência da ditadura por investir na elite urbana, e deixar de lado os homens do campo. Note bem, é quase um contrassenso, mas com a ampliação do alcance da educação pública houve o desinteresse dos governos em investir em educação pública simplesmente porque ela já não é tão interessante para a classe média de hoje, que pode pagar por escolas de “qualidade”, ou de grife. Além do mais, você se mostra queixoso de políticas públicas de responsabilidade dos Estados, e não do governo federal, como a saúde (pactuada com o SUS), a educação (ensino fundamental é com município, e médio, com o Estado), a segurança pública (Estado). Não quero dizer que só PT “presta”, ou que só a Dilma tem competência. Na verdade, na crise as falhas do sistema aparecem e precisam ser corrigidos. Crises são um grande inconveniente, concordo, mas são também oportunidades para melhorar o que falhou na crise. Por exemplo, o sistema tributário brasileiro precisa ser reformado, assim como a educação, a saúde, etc., mas é necessário um grande esforço de todos os mandatários do país, é dizer, prefeitos, governadores e presidente, para uma solução organizada e eficaz. Isso não aconteceu com FHC, nem com Dilma, porque a política no Brasil trata opositores como inimigos, e não como adversários. É preciso que o povo se manifeste favorável, ou não, às propostas do governo, pressionando e constrangendo os parlamentares a falarem em nome do povo, e não em causa própria, pois o mandato é do povo, e não pessoal. A principal mudança pelo que o país precisa passar é moral, mas partindo do povo, não dos políticos…

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  14. Caro Ferdinando, não viso constranger-lhe, e seus comentários não me aborrecem. Eles são pífios e sem valor histórico, baseados na lenga-lenga do merecimento, constituinte típico do discurso liberal prosaico, que não questiona a atitude dos desonestos, que ludibriam, enganam, pilham, saqueiam, que apoia os “rouba-mas-faz”, etc. Eu mesmo passei por uma prova de admissão à escola pública em 1994, para o Paes de Carvalho. Passei no vestibular antes de esse ser o ENEM, e também passei quando já era o ENEM. Se isso é mérito para você, pois bem, para mim não, porque cada coisa dessas que consegui,foi aproveitando supostas vantagens. Por exemplo, entrei para o Paes de Carvalho após uma seleção. Logo, alunos tão bons quanto eu passaram no mesmo teste e aí, pergunto, como isso torna o Paes de Carvalho o melhor colégio, se já conta com os melhores alunos, em tese? Quero dizer, contar com os melhores alunos não facilita o trabalho da escola? Aí, fica fácil, né? Elites são seleções desiguais. Eu mesmo cheguei ao Paes de Carvalho depois de ter estudado numa particular todo o primeiro grau, venci a concorrência contra outros alunos que vieram da rede pública. Supostamente há vantagens e desvantagens aí, mas há também desigualdade, já que o governo mantém uma escola de elite, e outras “comuns”. É a isso que me refiro, às desigualdades (quero dizer injustiças) que desde sempre ocorrem, e com aceitação de todos, o que é mais impressionante. Reflita.

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  15. Lopes Junior, muito boa a tua explicação no comentário 20. Concordo e esse eu também assino apesar de ter ainda algumas pequeninas controvérsias: Amigo eu também estudei muito história. Aí eu lembro que naquele tempo(militarismo) que não quero que volte, deixo bem claro. Mas muita coisa era melhor que hoje sim, mas é claro levando em conta sua explicação que também naquele tempo o alcance das melhorias eram para “poucos”. Lembro que o S de Saúde era também melhor, com muitos postos de atendimento e médicos especialistas em todos, além de remédios gratuítos nos postos de saúde para início do tratamento. Hospitais bons e mais equipados. Apesar da mesma enorme fila na procura de atendimento nos postos igual a de hoje, a gente era satisfatoriamente bem atendido. Além da educação formal boa que vc falou, existia também a educação informal governamental voltada para conscientização do povo ou das famílias. Quem não lembra daqueles senhores do MS que passavam constantemente nas residências para verificar se existiam focos mosquitos nocivos nos quintais??Ou aqueles que coletavam amostras de sangue para prevenção de doênças que pudessem ser evitadas?? No tránsito, as propagandas do antigo DNER no rádio e TV eram muitas, boas e funcionavam para evitar muitas mortes. E naquele tempo nem tinham tantos veículos igual hoje nas ruas. A seleção eu também fiz para o Deodoro de Mendoça e passei. Estudei a minha vida toda em istituição pública e me formei pela UFPA. Não me arrependí. Agora um dos porém daquele tempo, era que relamente so tinha atendimento à saúde quem trabalhava e vinha desconto no salário e tinha de tirar a carteira do INAMPS. Quem não trabalhava tinha de ir para os pronto socorros onde tinha o atendimento geral e gratuíto, mas até isso funcionava porque era menos pessoas que procuravam atendimento. Então repito; não quero que volte o militarismo. Mas acho que muita coisa de lá devia ser aproveitada para melhorar outras hoje. Então vem a pergunta que não quer calar: O que será que é melhor, um Sistema de Saúde Educação e Segurança mais restrito, porém mais eficiente e eficaz igual daquele tempo, ou um Polular, generalizado com objetivo de atender o máximo de pessoas, mas o atendimento não funciona, é precário, deficiente igual hoje Lopes???

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  16. Lopes, já adiantando a resposta da pergunta que fiz, eu sou pelo sistema misto entre popular e restrito, porque se você só prima pela qualidade e restringe o atendimento, acaba deixando muitos fora do benefícios. Porém se vc prima pela atendimento a um maior número de pessoas possíveis, populariza demais os serviços mas não dá estrutura ou suporte adequado, acaba deixando de fora dos benefícios também muita gente que necessita e o serviço chega precário igual hoje, ou não chega para muitos, com agravante que pagamos dobrado. Ou seja, hoje milhões de trabalhadores na ativa continuam contribuindo muito com a educação, saúde e segurança pública igual antes, mas hoje serviço é precário. Milhões de trabalhadores continuam contribuindo com os serviços de utilidade pública através de seus impostos e tributos, taxas etc. mas ainda gastam com Planos de Saúde privado , escolas e Sistema de seguranças particular, não procuram ou superlotam os serviços públicos quando precisam. Então para onde vai a imensidão de contribuição dessas pessoas se os serviços públicos continuam cada vez piores?? Concordo que a responsabilidade não é só do G. Federal, mas é de todos os executivos, porém o que dizer do jogo de empurra de responsabilidades onde o federal diz que mandou verba, mas os estaduais e municipais dizem que não receberam?? O estaduais e municipais dizem que houve muitos cortes no repasse das verbas federais e os serviços vão sofrer consequência, mas o federal diz que não procede, que mandou todas as verbas??Isso é chato e quem sofre é o povo justamente num país onde a carga tributária é uma das maiores do mundo Lopes. Você diz que não há interesse de investimento governamental nas escolas públicas porque isso já não é de interesse da classe média que pode pagar melhores escolas. Mas note quantos milhões de reais são gastos com FIES para financiar estudantes de universidades particulares, enquanto as universidades públicas estão sucateadas? Ou seja, muitos desses estudantes até classe rica não quiseram ou não tiveram trabalho de concorrer em uma universidade pública e apenas se matricularam numa particular e estão utilizando dinheiro público para seus estudos e mais tarde quando formados não vão nem querer pagar com os seus serviços no interior onde as pessoas mais precisam. Aí o governo que mais dá esse tipo de financiamento aos estudantes(PT) , tem de trazer profissionais de Cuba para suprir necessidades das pessoas. , Adianta gastar tanto com FIES só para dizer que hoje muita gente tem acesso as universidades???? Então a minha opção é pela qualidade dos serviços. Se for para atender uma multidão de pessoas com qualidade, ótimo, maravilha, seria o sonho. Mas se for para atender milhões de pessoas com essa péssima qualidade e distorção de hoje, para mim não vale apena também.

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  17. Por certo, Ferdinando, que o mérito na meritocracia é algo questionável e do qual se deve desconfiar, porque o mérito pressupõe igualdade de condições aos participantes e nosso sistema é desigual às pampas. Não há garantias de que haja equilíbrio nas condições de disputa entre candidatos, na verdade, é uma certeza que o sistema é feito para privilegiar uns poucos. Reverter essa realidade é uma ofensa a quem acredita que as coisas devam ser assim mesmo. O cruel disso é que há a tendência a perpetuar a pobreza não só como condição social, mas como fator hereditário. Classes econômicas são quase como castas numa economia que privilegia a desigualdade social.

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  18. É ingenuidade sonhar com igualdade no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Na França, Inglaterra, EUA, Noruega países desenvolvidos não estão imunde da pobreza. Deve-se buscar melhor atendimento a sociedade oferecendo oportunidades de trabalho, educação de qualidade e formação profissional, saúde, ou seja todas as condições básicas para prosperar por esforço próprio. Certamente dirão que isso é realidade no Brasil com campanhas paliativas do governo federal desde sua organização como estado, mas atualmente é efetivada de maneira desordenada a ponto de estourar orçamentos e apelar para as pedaladas com retorno pífio.
    A criminalidade aumenta por falta de perspectiva dos jovens que oriundos das camadas mais carentes são facilmente atraídos pelo mundo marginal, principalmente o tráfego de drogas. Há necessidade de uma reforma urgente do código penal para igualar justas punições aos delitos cometidos.

    Outra é nomear auxiliares capacitados para desenvolver projetos do governo a luz das promessas de campanha. O que capacitou o ex-ministro Jaques Wagner ou a atual Aldo Rabelo a assumir o ministério da defesa, imaginado eu que nunca devem ter, no mínimo, pego em arma, ainda mais ter apertado o gatilho de uma.
    É querer brincar com coisa série. Militar combatendo mosquito da dengue, assumindo as tarefas cívis de responsabilidade de outro ministério, o da saúde. Pode?

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  19. Caro Nélio, sistemas de saúde restritos e pagos ainda existem e se chamam planos de saúde. O servidor público do Estado tem o IASEP, o da prefeitura de belém, o IPAMB, e os federais têm lá os seus também. Muitas empresas privadas pagam planos de saúde para funcionários e até sindicatos oferecem vantagens e descontos para os filiados cuidarem da saúde. Os militares mesmos têm seus próprios hospitais. Teoricamente, há mais acesso à saúde que antes e o país realmente padece com a corrupção, mas a opção pelo SUS sempre foi muito elogiada e uma bandeira dos governos anteriores ao PT. O princípio de descentralização foi posto em prática, e antes na Lei, nos governos tucanos, nos anos 90. A pactuação transfere recursos do SUS nacional para as secretarias de saúde dos estados da federação. O dinheiro vem de Brasília, mas o responsável pelos gastos é o Estado. É importante destacar que isso pode ser uma vantagem, já que o Estado tem receita própria, independente da que vem de Brasília e isso é mais dinheiro que somente o que vem do governo federal. O bolo a ser aplicado na saúde é, ou pelo menos deveria ser, ainda maior que o oportunizado pelo SUS. Ora, o que se passa para o serviço ser tão ruim? É mesmo culpa apenas do governo federal?… A segurança pública é uma obrigação dos Estados, cabendo ao governo federal a defesa da soberania nacional pelas forças armadas, assim como o combate a determinados crimes, pela polícia federal. Há competências definidas na constituição e entendo que o governo federal tem lá deixado alguma coisa por fazer, por certo que tem, mas que tem também sido limitado pelo golpismo e demasiado interesse parlamentar em tomar o poder.

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  20. Lopesjúnior. Sugiro então que que futuras seletivas sejam por pontos corridos como no futebol moderno. TDZ. Critério tendencioso. Pode?

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