
DO JORNAL GGN
Oposicionista dos mais ferrenhos, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) admitiu, em entrevista publicada pelo Valor nesta segunda-feira (19), que o impeachment da presidente Dilma Rousseff “subiu no telhado” após as novas denúncias da Lava Jato contra Eduardo Cunha (PMDB) e a aproximação do governo com alas dissidentes do PMDB, fruto da reforma ministerial.
Segundo o deputado, a oposição errou na estratégia de forçar o impeachment via imprensa. “(…) Ninguém consegue fazer impeachment pela imprensa. Na hora que você fala que vai fazer, o adversário se prepara”, comentou. Ele ainda disse que a oposição não esperava o envolvimento de outras instituições e setores da sociedade no sentido de assegurar o mandato de Dilma. “Nós subestimamos um pouco isso. Achávamos que era muito mais fácil tirar a Dilma do poder do que está sendo”, afirmou.
Depois de assinar o documento encaminhado por PSDB e DEM cobrando explicações de Cunha na Lava Jato, Paulinho da Força se disse arrependido, pois o ato também enfraqueceu as pretensões de oposicionistas em relação ao impeachment.
Na semana, ele já havia denotado que sem Cunha na presidência da Câmara, não há vitória. “Para mim está claro: se cair o Eduardo, não tem impeachment. E o governo sabe disso e está jogando tudo para tirar o Eduardo. Nós vamos manter o apoio a ele porque nosso objetivo principal é derrubar a Dilma.”
Segundo o Valor, tucanos consultados pela reportagem não quiseram admitir em público, mas entendem que o impeachment na atual situação de Eduardo Cunha ficou mais distante. Paulinho da Força disse ao jornal que eles estão mais apegados à cassação de Dilma via Tribunal Superior Eleitoral. Até porque, mesmo que Dilma caísse em julgamento político, o vice Michel Temer assumiria o lugar e o PSDB seria pressionado a ajudar o novo governo a se estabilizar. “Viraria vidraça”.
No TSE, a cassação de Dilma levaria a uma nova eleição, já que a petista conquistou mais da metade dos votos na última disputa presidencial. Pela lei complementar 64/90, apenas se Dilma não tivesse atingido mais de 50% dos votos válidos, o segundo colocado na corrida assumiria seu lugar, nesse cenário.
Mas, para Paulinho da Força, esse é apenas mais um sonho tucano. “Para tirar Dilma dá esse trabalho todo, imagina tirar o Michel junto. (…) Nós vamos não temos força para fazer um governo sem o PMDB. O PSDB sonhou com isso (impugnação da chapa Dilma-Temer), mas eu nãoa credito”.
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