Impitim: golpistas dão a cartada decisiva

POR ALTAMIRO BORGES

A direita partidária, composta por PSDB, DEM, PPS e SD e outros legendas de menor expressão, parece que decidiu partir para uma cartada final na ofensiva golpista iniciada logo após as eleições presidenciais de outubro passado. Derrotada pela quarta vez consecutiva nas urnas, ela já pediu recontagem de votos – e foi desmoralizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) –, questionou as contas da campanha vitoriosa – e também foi derrotada pela Justiça – e tentou impedir a posse de Dilma Rousseff. Na sequência, ela ajudou a convocar e participou das marchas organizadas por agrupamentos fascistóides. Diante do fracasso destas investidas, agora o consórcio PSDB-DEM-PPS-SD anuncia que pedirá formalmente o impeachment da presidenta reeleita pela maioria dos brasileiros e há até quem proponha a cassação do registro do PT.
O cambaleante Aécio Neves, duplamente derrotado em outubro – na disputa presidencial e na manutenção do governo mineiro –, é o mais excitado na orquestração golpista. Segundo relato do site da revista Época, pertencente à famiglia Marinho, ele agora está empolgado com a possibilidade de derrubar Dilma Rousseff. “O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse hoje à tarde que ‘impeachment não é palavra proibida’. A frase foi dita após o tucano ter se reunido com a bancada do PSDB na Câmara dos Deputados. Ele se empolgou depois que todos os participantes do encontro – eram 45 – terem se mostrado favoráveis a pedido de abertura de processo que leve à cassação da presidente Dilma Rousseff. No começo de março, Aécio disse que impeachment ‘não estava na agenda do PSDB’”, descreve o jornalista Leonel Rocha.
Esta postura agressiva surpreendeu até um colunista da Folha tucana. Em artigo publicado nesta quarta-feira (15), Bernardo Mello Franco destacou a “guinada no discurso de Aécio Neves”. “Depois de um mês em cima do muro, os tucanos tentarão se aproximar dos movimentos que foram às ruas para pedir o afastamento da presidente. O senador evitava falar ou deixar que falassem no assunto. Há um mês, assegurava que isso ‘não estava na agenda do PSDB’. Ontem mudou de tom, ao dizer que a sigla ‘está discutindo todas as alternativas’. ‘O que eu posso dizer é que nós estaremos sintonizados com a sociedade, com esse clamor das ruas’, afirmou. Segundo aliados, Aécio decidiu ir ao ataque por entender que estava frustrando suas bases. Ele foi duramente cobrado nas redes sociais e no partido por não ter ido às novas manifestações no último domingo”.

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O PSDB inclusive já solicitou ao jurista Miguel Reale, ministro da Justiça no detestado governo de FHC, um estudo sobre o pedido de impeachment contra Dilma. “Os tucanos resolveram agir embalados pela pesquisa Datafolha que mostrou que 63% apoiam a abertura de processo contra Dilma. Reale ainda analisa o caso para ver se há viabilidade jurídica… Depois da queda significativa de público nos atos do domingo, parte do tucanato avaliou que, se o partido não for ao ataque, perderá o timing, repetindo a trégua que deu a Lula após o mensalão, em 2005”, relata a coluna Painel, da mesma Folha tucana. No mesmo rumo, o Solidariedade, sigla criada pelo oportunista Paulinho da Força, intensificou a coleta de assinaturas pelo impeachment; o “ético” Agripino Maia, presidente do falido DEM, afirma que “agora a oposição está unida” para depor Dilma; e o ridículo PPS do medíocre Roberto Freire já fala na cassação do registro do PT.
Essa aventura golpista, caso se concretize, tenderá a radicalizar ainda mais o cenário político no Brasil. Os grupelhos fascistóides que convocaram os recentes protestos contra a presidenta reeleita já anunciam que pretendem mudar de tática. “A fórmula de atos não teve o efeito esperado”, avalia Renan Santos, líder do sinistro Movimento Brasil Livre. Tanto o MBL como o “Vem pra Rua” afirmam que concentrarão suas energias no Congresso Nacional, forçando o parlamento conservador a aceitar a abertura do processo de impeachment. “O que faremos daqui para frente é monitorar o Poder Legislativo sobre o que vão fazer diante das demandas apresentadas nas ruas”, rosna Rogério Chequer – também batizado de “Chequer Sem Fundo” –, porta-voz do “Vem Pra Rua”. Os fascistas mais exaltados já falam em “incendiar” o Congresso Nacional. A coisa vai esquentar!
Nesta cavalgada insana e destrutiva, nem os partidos da direita estão salvos. Pesquisa realizada durante o protesto na Avenida Paulista, no domingo passado, evidenciou que o ódio fascista, contra os partidos e a democracia, está em alta. Os manifestantes não rejeitam apenas o PT e a presidenta Dilma. Apenas 26% dos entrevistados disseram confiar em Aécio Neves – 76% não deram qualquer crédito ao cambaleante mineiro. Já 75,4% deram pouco ou nenhum crédito para o ex-governador paulista José Serra. “Entre um público que se autodefine como de direita ou de centro-direita, os políticos de oposição deveriam estar melhor colocados. A despolitização é impressionante”, observa Esther Solano, coordenadora da pesquisa. Não é para menos que tanta gente não se contenta apenas com o impeachment de Dilma e reivindica a volta da ditadura militar.
O ovo da serpente foi chocado pela mídia e pela oposição golpista.

11 comentários em “Impitim: golpistas dão a cartada decisiva

  1. Acho que a despolitização tem a ver com os seguidos casos de corrupção que envolvem os políticos. Isso talvez seja algo óbvio, mas num país em que se aceitou desde sempre a dominação econômica do Estado pelas elites com passividade e resignação, talvez a percepção do “óbvio” seja enganosa. O que tenho a dizer sobre isso é que é exatamente a politização da população que fará reduzir a corrupção entre os políticos porque o povo assumiria a análise das propostas e a ideologia do partido como critério fundamental para o voto e para cobrar desempenho. A despolitização reflete a desilusão com os representantes eleitos, seja no executivo, seja no legislativo. Eis que o remédio contra esse mal é a apropriação do campo político pelo cidadão, o que se mostra quase impossível, ao menos é perfeitamente inviável, no momento. São os analfabetos políticos, mas justamente insatisfeitos, que têm comandado a festa, com a direita procurando uma forma de se legitimar junto a esse contingente, fazendo parecer que o caminho político é substituível ou descartável. Não é. A política não é o pior caminho para a democracia, mesmo porque a experiência já deixou claro que é o único conhecido. Não se confunda qualidade de vida com liberdade e segurança. No Brasil temos democracia, mas com pouca liberdade e segurança. Para melhorar isso é preciso tornar-se um debatedor de política, e não ignora-la.

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  2. Diante da redução drástica do número de participantes nas ruas do Brasil – de certo modo, parte do povo percebeu que o problema não se resolve tirando apenas uma pessoa – a tucanalha tenta o último tiro; que sairá pela culatra.

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  3. Mas, rejeitar pessoas como a reeleita, seu antecessor ou os candidatos tucanos derrotados e seus respectivos partidos significa despolitização? Eu acho que o oposto merece ser seriamente analisado.

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  4. Penso diferente, Marco. É muito fácil ficar impune no Brasil: basta dizer que é do PSDB e a Justiça jamais o incomodará.

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  5. Não, Gleydson. A PF cumpre o seu papel executando ordens judiciais. Normal. Isto é democracia, com um governo que permite ações punitivas, sem engavetar processos inconvenientes, como era praxe na gestão tucana de FHC.

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  6. Era esse clima de instabilidade que se queria evitar com o engavetamento de processos contra o governo na era FHC. Esse procedimento era tido como normal e esperado por parte do governo àquela época. A própria linguagem da imprensa dá sinais disso e relembro que Sérgio Mota, então ministro de FHC, era “carinhosamente” apelidado de rolo compressor. Isso foi decisivo para acalmar os ânimos quando das privatizações, apoiada pela Globo, que se limitou a transmitir a notícia das privatizações de modo “isento”, o que, para mim, significa omisso. Àquela época, a imprensa fazia apologia à forma de agir do governo, ainda que as manchetes indiquem o contrário porque o discurso pró-governo estava em noticiar o engavetamento, e não em critica-lo. A mudança de postura ocorre quando Lula vai ao planalto. E tem-se acirrado desde lá. Notem, é noticiado todos os dias cada avanço da PF na Lava-Jato, e muitos financiadores de campanha estão na cadeia. Esses são os resultados objetivos de investigações que seguem seu curso. E, é claro, tais notícias ganham destaque porque a imprensa deixou de lado a “isenção”. Para mim, boa parte da deserção do movimento, no domingo, reflete desinteresse pelo assunto, que o povo não quer mais saber e que a insistência em noticiar a lava-jato é mera estratégia para desgastar o governo.

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