Um bom dia para combater racismo no futebol

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Por Bruno Bonsanti, no Trivela

Desde quando jogadores precisavam usar pó-de-arroz para clarear a pele e serem aceitos pelos seus clubes e torcidas, o racismo está presente no futebol brasileiro. Nunca o abandonou. Jogadores das antigas denunciaram várias vezes ofensas preconceituosas, inclusive Pelé, negro, e maior jogador da história. Outro dia, o goleiro Aranha foi chamado de macaco por parte da torcida do Grêmio. Mas ao mesmo tempo, o esporte teve o seu papel na integração racial brasileira e poderia ser ainda mais explorado para combater essa preconceito histórico.

Chegamos ao Dia da Consciência Negra sem nenhuma grande ação por parte da CBF e dos clubes para conscientizar o seu cativo público da importância da integração racial. Deveria haver uma semana inteira de palestras sobre racismo, faixas em todos os estádios do Campeonato Brasileiro e um minuto de silêncio em homenagem a todos os negros assassinados, agredidos e humilhados em nome da ignorância. Nesta quinta-feira, ainda jogam Fluminense x Chapecoense e Grêmio x Cruzeiro, mas não estamos falando de ações pontuais.

Nos EUA, todo 15 de abril é o Jackie Robinson Day. Representa o dia da abertura da temporada de 1947 do beisebol americano, quando Jackie Robinson tornou-se o primeiro negro a vestir a camisa de um time profissional (sem contar a “Negro League”, na qual atuavam apenas os negros). A tradição existe desde 2004, com homenagens de todos os tipos ao redor das partidas. Nesse dia, todos os atletas da liga utilizam o número 42, o mesmo que Robinson usou no Brooklyn Dodgers (hoje Los Angeles Dodgers).

A CBF movimentou-se em abril deste ano, depois que o meia Tinga, do Cruzeiro, Arouca, do Santos, e o árbitro Márcio Chagas da Silva sofreram com racismo. Criou uma campanha chamada “Somos Iguais”, com um belo vídeo de divulgação que foi transmitido nas partidas. Naquela ocasião, jogadores levaram faixas ao gramado com a mensagem da campanha. Prometeu lançar um aplicativo que recebesse denúncias de racismo durante as partidas e as encaminhasse às autoridades.

Isso apenas prova que a CBF sabe organizar uma campanha contra o racismo. E, se não souber, lucrando mais de R$ 400 milhões por ano, pode contratar quem sabe. Não adianta falar sobre o assunto apenas quando acontecem casos de grande repercussão, apenas reagindo aos acontecimentos, porque o racismo mais cruel e violento apresenta-se justamente quando ninguém está olhando.

O Dia da Consciência Negra deveria também ser o dia da Integração Racial Pelo Futebol ou qualquer outro nome que um marqueteiro invente. O importante é mostrar como o esporte funciona como instrumento de ascensão social para pessoas que não têm as mesmas oportunidades que as outras apenas por causa da cor da pele. Incentivar as arquibancadas a serem um espaço onde negros e brancos convivam frequentemente e em paz. Usar a força midiática e o alcance que têm em mãos para conscientizar a população. Passar informações. Porque na essência de todo preconceito está a ignorância.

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