Janot: advogado de doleiro operava para o PSDB

Do jornal GGN

A Folha de S. Paulo manchetou na capa da edição desta segunda-feira (17) a seguinte notícia: “Executivos presos tentarão delação premiada, prevê procurador”. A entrevista com Rodrigo Janot, procurador-geral da República, possui outras informações contundentes, mas que não foram frisadas pelo jornal da família Frias. A começar pelo alerta que Janot deu à defesa de Alberto Youssef, quando, em meio ao segundo turno da eleição presidencial, um suposto depoimento do doleiro foi divulgado pela revista Veja, apontando que a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor no Planalto, Lula, “sabiam de tudo” no caso Petrobras.

“Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral”, disse Janot. “O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo [governador tucano] Beto Richa para a coisa de saneamento [Conselho de administração da Sanepar], tinha vinculação com partido.”

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Leia mais: A razão do mal estar de Youssef

A dois dias da eleição, a Veja antecipou uma edição bombástica. Era para ser a bala de prata contra a reeleição de Dilma, a reportagem que afirmava, sem provas, apenas com base em um suposto depoimento de Youssef à Polícia Federal, que a presidente e Lula tinham ciência dos esquemas de corrupção na Petrobras – alvos de investigação na Operação Lava Jato.

“O advogado começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação”, acrescentou Janot.

O PT, naquela mesma semana, apresentou uma petição ao Supremo Tribunal Federal, solicitando a instauração de um inquérito para investigar o vazamento seletivo de informações à grande mídia. A legenda também pediu acesso ao depoimento de Youssef, na tentativa de elaborar uma defesa pública. O ministro Teori Zavascki remeteu o pedido, em 28 de outubro, para o Ministério Público, para avaliação de Janot. Contatados pela reportagem do GGN, a Procuradoria e o PT ainda não informaram em que pé está esse pedido.

Segundo Janot, “são muitos fatos e muitas pessoas” envolvidos na Operação Lava Jato. Há uma gama inteira de políticos com mandatos que serão investigados pelo Supremo, mas “Há também muita gente que não tem foro, mas tem relação com o fato.” Ele citou os corruptores das empreiteiras, e adiantou que uma parte deles já está de olho na delação premiada com vistas à redução da pena.

Legado da Lava Jato

Na visão do procurador-geral, o legado da Operação Lava Jato vai ser justamente uma discussão inadiável sobre o financiamento das campanhas. Para as autoridades, o esquema de fundos privados para a corrida eleitoral também pode ser uma forma de lavagem de dinheiro. Além disso, Janot destacou que a Operação está mudando os paradigmas do “sistema republicano e da Justiça”, no sentido de que, agora, há um esforço maior para punir os crimes de “colarinho branco”.

“A Justiça de três, quatro anos para cá, não é mais uma justiça dos três Ps, de puta, de preto, de pobre. Ela está indo em cima de agente político e de corruptor. Acho que [essas novas operações e prisões] serão o grande propulsor da reforma política. E esse sistema é corruptor mesmo, se continuar esse sistema não vai mudar nada, pois vamos derrubar essas pessoas e outros virão ocupar esses espaços. O efeito que estou apostando é a reforma política.”

A entrevista completa pode ser lida aqui.

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