Por Gerson Nogueira
Propor mudanças nas regras do futebol é como mexer em vespeiro. As instâncias do International Board, excessivamente conservadoras, não costumam abrir espaço para ideias reformistas. Remonta à década de 70 a adoção dos cartões como sinalizadores de punição aos atletas.
As substituições também só passaram por mudança nos últimos 30 anos, quando a Fifa permitiu aumentar de dois para três a troca de atletas nos 90 minutos. A mais recente novidade foi a proibição do recuo de bola com os pés para o goleiro, que era uma das principais causas de anti-jogo.
Michel Platini, cracaço da França na década de 80, está propondo algumas modificações que podem arejar o futebol. No recém-lançado livro “Falamos de Futebol”, ele sugere que a ampliação de três para cinco substituições por jogo e a instituição de um cartão branco, sem prejuízo dos já existentes.
As duas substituições extras ocorreriam exclusivamente no intervalo dos jogos, permitindo que os técnicos reformulassem as escalações sem queimar trocas que seriam necessárias na reta final da partida. Platini observa que os elencos dos clubes estão cada vez mais numerosos, o que permite contar com mais atletas ao longo dos 90 minutos.
Há lógica nesse raciocínio, pois os clubes costumam ter hoje elencos com até 35 jogadores, sendo que só aproveitam um terço disso nas partidas. Além de favorecer as coisas para os técnicos e reduzir a fadiga da equipe, a medida iria contribuir para qualificar ainda mais o esporte, tornando-o mais competitivo e interessante como espetáculo.
Já o cartão branco teria a finalidade de punir aquelas infrações mais brandas, como reclamações à arbitragem. Platini avalia que isso conteria mais a onda de críticas dos jogadores aos árbitros, uma das pragas do futebol mundial. O cartão teria efeito temporário. O jogador advertido ficaria 10 minutos fora do jogo, mas voltaria em seguida e a punição seria zerada.
Apesar de interessante, a proposta do cartão branco poderia ser adaptada a outra, que várias vezes foi sugerida sem sucesso aos velhinhos da Fifa: a suspensão temporária de jogadores que cometam cinco faltas seguidas. Seria um verdadeiro golpe no rodízio de faltas, autêntica epidemia no futebol moderno. Hoje só recebem advertência as infrações mais violentas, mas a repetição quase sempre termina impune, apesar de prejudicar bastante o andamento dos jogos.
Não dá para prever se as sugestões de Platini serão acatadas, mas elas têm o mérito de suscitar um debate saudável sobre o aperfeiçoamento do jogo.
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Talisca sobe como foguete
A adaptação ao futebol europeu não é tarefa simples para jogadores brasileiros. Zico levou um ano para conseguir jogar na plenitude pela Udinese. Junior também sofreu. Rivaldo e Geovani, idem. Sócrates nem se adaptou. Os motivos são variados. Condições climáticas, esquemas diferentes dos praticados no Brasil, hábitos culturais.
Pois um garoto baiano chegou a Portugal na cara e na coragem e em poucas semanas virou ídolo da exigente torcida do Benfica. Anderson Talisca, projetado pelo Bahia, marcou seis gols em dez partidas e candidata-se a ídolo na Catedral da Luz.
Desembaraçado, Talisca destaca-se pela velocidade nas arrancadas e excelente aproveitamento nas finalizações. Ninguém sabe ao certo se é mais um caso de ascensão meteórica que se frustra após algum tempo. Por enquanto, porém, Talisca vai muito bem.
Tão bem que já desperta a cobiça do Arsenal de Arsène Wenger. O clube londrino estaria a fim de negociar o alemão Podolski para contratar Talisca por cerca de R$ 52 milhões. Ponto de partida para jogadores brasileiros no rico futebol da Europa, os clubes portugueses vêm se especializando em faturar como revendedores de brazucas bons de bola.
A curiosidade é quanto ao aproveitamento de Talisca na Seleção Brasileira. Na atual carência de nomes para o ataque, suas chances crescem bastante. Ou será que Dunga vai repetir Felipão, que não botou fé em Diego Costa e acabou jogando o artilheiro nos braços de Vicente Del Bosque? A conferir.
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Eleições (ainda) em ritmo republicano
Apesar do episódio Roni, não totalmente esclarecido pelos dirigentes e pelo jogador, a campanha eleitoral no Remo avança em tons civilizados, pelo menos publicamente. Nas internas, sabe-se que a amizade que unia os dirigentes já não tem a mesma solidez.
A chapa de oposição Pedro Minowa/Henrique Custódio, que ganhou sustança com a eliminação do time na Série D, faz insistentes promessas de modernização que incomodam a cúpula dirigente.
Por ora, a chapa da situação se mantém discreta, aparentemente apostando no abrandamento do debate. Apesar da visibilidade alcançada pela oposição, Zeca Pirão segue como favorito absoluto no pleito.
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Direto do Instagram
“Cada dia um problema a mais no Botafogo. Agora estão criando caso com o Jefferson. Isso sem pagar salários. Vamos ficar sem onze pra jogar. Tô vendo a hora que vou ter que entrar em campo. O problema é que se eu jogar bem posso ser demitido!”.
De Hélio de La Peña, humorista (Casseta) e botafoguense juramentado.
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Bola na Torre
Guilherme Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso, Rui Guimarães e deste escriba de Baião. Em pauta, a primeira partida do mata-mata entre Papão x Tupi na Série C. Começa por volta de 00h15, depois do Pânico na Band.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 19)
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