Que candidata é esta?

Por Michel Zaidan

Estava em São Luís do Maranhão fazendo palestras sobre a reforma política quando soube da mudança do coordenador de campanha de Marina Silva. Depois vieram as notícias sobre a deserção da base aliada, os agro-exportadores e industriais, por não concordar com a agenda e ou discurso da candidata neo-pentecostal. Afinal de contas, que candidata é essa?

Convém lembrar que Marina Silva rompeu com o PT exatamente por conta das contradições da política ambiental. A ênfase do “desenvolvimentismo” prejudicava as políticas de proteção do meio ambiente. E que o ex-governador falecido teve a prudência de colocá la na vice, e não na cabeça de chapa do PSB, prevendo as inúmeras resistências de sua base aliada. Na verdade, uma coisa seria usá-la, num acordo de mútua conveniência, como cabo eleitoral qualificado para a eleição do ex-governador do estado. Outra coisa – muito diferente – seria colocá-la como a candidata à Presidência da República pelo PSB. E isto porque a ex-senadora do Acre não tem nada a ver com a agenda do PSB, nem na forma nem no conteúdo. Não é e nunca foi socialista, ela é evangélica. Segundo a agenda do PSB, está mais para o estado regulatório, gerencial do que com a agenda ambiental, de Marina Silva.

Era previsível que a tentativa da família do falecido em manter o controle da chapa, através do nome de Marina Silva, iria – como está ocorrendo agora – suscitar muitas questões da antiga base aliada, que se juntou ao projeto sucessório em nome de outras idéias, outro discurso e outro candidato. A mudança de nome não seria um mera formalidade, em se tratando de uma pessoa, como a líder do partido “rede-sustentabilidade”. O que ocorre é a presença de um partido dentro de outro partido, por mera conveniência político-eleitoral.

(*) Cientista político da UFPE

5 comentários em “Que candidata é esta?

  1. O Pelé vai se encher de orgulho e com razão se a Marina triunfar.

    O povo brasileiro não sabe votar.

  2. Aqui no Pará os puxa sacos do jamente, como argumento de seu voto e ganhar outros votos só se esmeram no papo que o Helder é Barbalho.

    Mas se esquecem que o Pará tá no fundo do poço, e vendem o jamente como se o Pará estivesse uma delicia.

    E com todo apoio dos maiotralhas, que pra não perderem a sua maior receita, estão fazendo do seu pasquim, um panfleto eleitoral, sem falar naquele lixo do Amazônia

    Ei povo, esqueceram dos 3 esses?

  3. Penso na velha política, na falta de uma nova, e em que o voto hoje é só um modo de diminuir o prejuízo após as eleições. O eleitor prático é um problema do qual devemos nos livrar. Precisamos de eleitores críticos e politizados. Contabilizamos sérios prejuízos após quatro de cinco mandatos peessedebistas nos últimos vinte anos e, o mais curioso, é que todo esse tempo dado ao PSDB no Pará é ao mesmo tempo considerado insatisfatório e não-considerado uma ditadura de direita, assim como em São Paulo. Não consigo entender como Lula e Dilma são considerados uma ditadura de esquerda, mesmo que eleitos em sufrágio perfeitamente constitucional.

    A opção temerária por um estado enfraquecido mostra suas consequências no fraco desempenho dos serviços à população, na falta de concursos e empreguismo de temporários que não têm consciência da importância do serviço público para o cidadão, sem falar na desvalorização do servidor. Como servidor do estado, sei que todo cargo de chefia tem sido entregue a comissionados como que em cargo de confiança onde não pese a qualificação profissional e o compromisso com o povo, porque não há uma avaliação da gestão e nenhum compromisso com a qualidade do serviço prestado à população. Não há planos de carreira para todas as secretarias e isso é um descaso com o funcionalismo público, sem contar que o é também com a população. O discurso de que o servidor concursado é preguiçoso e de que ele seria a fonte do mau serviço é uma espécie de legitimação do empreguismo de temporários e uma afronta à constituição federal. O que ocorre é a má gestão de comissionados que reflete no serviço na ponta do processo. Infelizmente, o servidor é quem paga o pato e o cidadão, a conta.

    Marina não é o que faltava na política brasileira, ela é o continuísmo da mesmíssima velha política e um produto de marketing. Colaram nela a ideia de que ela é o novo, quando ela não é. Pegou a moda. Torço para que, seja quem for o eleito, realize a reforma política e o financiamento público de campanha e não restrinja as reformas à área econômica e a arrecadação de impostos e feitio de propaganda.

    O voto distrital, não obrigatório e as campanhas políticas com financiamento público são boas alternativas para o combate à corrupção. E também para termos opções novas em quem votar. O voto hoje em dia já é meio que distrital, com candidatos pregando regionalismos. Quando não, se posicionam em alguma corrente ideológica, seja política, de esquerda ou de direita, ou que tenha uma âncora fora da política, como ambientalismo e religiosidade.

    Definitivamente, prefiro a atual política de geração de empregos que a do arrocho e entreguismo e também à de fazer política sem uma identidade definida, que só será descoberta ao longo de muitos capítulos de uma novela que não temos a menor ideia do enredo…

  4. Edson, se o Pelé serve de parâmetro então ele riu muito estes últimos 12 anos a nivel nacional e vai continuar sorrindo aqui no Pará.
    Lopes, creio nem que no plano nacional, se é que há esta dicotomia mesmo, vivemos é numa ditadura de direita, tal qual ocorre e vai continuar ocorrendo no plano estadual do Pará.
    E se o cientista politico aí não conhece a candidata e só sabe dela é que a mesma é evangélica bem se vê o baixo nível da ciência e da política que ele pratica.
    Quer dizer que ser evangélica descredibiliza a pessoa politicamente?! Paciência! Esse senhor precisa ler a Constituição!!!

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