O Remo e a baderna impune

Por Gerson Nogueira

unnamed (92)Da arruaça orquestrada na manhã de sábado por uma gangue uniformizada ligada ao Remo a maior vítima, como de praxe, é o próprio clube. Baderneiros – o próprio nome já diz tudo – não têm a menor preocupação com o bem-estar de ninguém, muito menos do clube que dizem amar e defender. São movidos exclusivamente pelo prazer de se fazer notar e poder depois propagandear valentia e coragem.
De valentes e corajosos o mundo anda cheio. A questão é saber até que ponto alguns descerebrados podem agir livre e impunemente, conforme seus instintos, sob a passividade constrangedora (quase cúmplice) dos dirigentes.
Não foi a primeira vez, nem certamente será a última, que uma turba invade treino e hostiliza profissionais em seu horário de trabalho. O abuso é consentido há anos em Belém. Os dois grandes clubes, que concentram atenções e interesses de milhares de pessoas, abrigam em suas hostes gente de toda natureza e motivação. Isso, é claro, inclui os chamados radicais, barras bravas papachibés, que têm extensa folha corrida de maus serviços prestados às duas agremiações.
O Paissandu, por exemplo, foi obrigado a estrear na Série C neste sábado em jogo de portões fechados em Castanhal. Tudo porque um grupelho de “torcedores uniformizados” atirou rojões no gramado na partida contra o Avaí na Série B do ano passado. A travessura rendeu ao Papão um punhado de jogos longe de sua verdadeira torcida, impedido de obter faturamento nas bilheterias.
O Remo, alvo mais recente da fúria sem freios de seus hooligans, coleciona também um histórico alentado de punições sérias advindas de atos irresponsáveis e criminosos em estádios de futebol.
Por tudo isso, a baderna levada a cabo no sábado não surpreende ninguém mais. A surpresa está na plena aceitação dos turbulentos como representantes da massa torcedora. Não representam ninguém, a não ser seus próprios impulsos bélicos.
Quando o clube se prostra como instituição, aceitando que uma minoria ponha abaixo regras mínimas de convivência, ignorando princípios básicos de civilidade e enlameando ainda mais a imagem pública da instituição, algo de muito sério deve ser feito.
Não é admissível que agremiações centenárias do nosso futebol se tornem reféns de grupelhos que se fantasiam de adeptos fanáticos. No ritmo que o problema se apresenta, sem solução aparente há anos, logo haverá muito mais do que agressões e constrangimentos a lamentar.
A impressão é de que, enquanto um dirigente não se sentir fisicamente vulnerável perante os brucutus “organizados”, os clubes continuarão a adiar providências, como que esperando que o problema se resolva pela força da mente.
A desgraça é que quando isso ocorrer pode ser muito tarde para agir. A história mostra que facções violentas no futebol devem ser tratadas como realmente são: quadrilhas criminosas. A Inglaterra, que inventou o futebol moderno e se reinventou como nação esportiva, está aí como exemplo maior de ação enérgica e implacável em relação aos delinquentes.
Repito o que já escrevi aqui dezenas de vezes, há mais de uma década e meia, o futebol precisa aprender a se defender de seus inimigos. E o baderneiro organizado é um deles – e dos mais perigosos.

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unnamed (90)

Série C: apenas a primeira impressão

O Paissandu foi a Castanhal e, cumprindo uma sina de outros campeonatos, apresentou-se para arquibancadas vazias diante do Águia. O lado positivo é que, em campo, o time voltou a apresentar a objetividade que o caracteriza nesta temporada. Mesmo ainda emocionalmente ferido pela perda da Copa Verde, Lima e seus companheiros foram capazes de superar a desconhecida nova equipe marabaense.
No primeiro tempo, pelos relatos do amigo Carlos Gaia (da Rádio Clube), nenhum time prevaleceu. Reinou o equilíbrio ditado pela cautela. Na etapa final, o entrosamento bicolor falou mais alto. O pênalti, sofrido e convertido por Lima, deu ao Papão tranquilidade para se impor, enquanto o Águia saía de seu campo para buscar o empate.

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Esta busca pela igualdade tornou o time previsivelmente mais vulnerável, com buracos na defesa e hesitações no meio. O segundo gol (Zé Antonio) retratou um pouco essa desorganização defensiva.
Nada está perdido. Foi apenas a primeira rodada da Série C, um campeonato que se prenuncia dificílimo para os representantes paraenses. Para o Papão ficou a sensação do dever cumprido, garantindo os três pontos como mandante. Ao Águia resta o consolo de ter sido apenas a primeira exibição deste novo grupo de jogadores. O que se viu em Castanhal dá a entender que pode estar surgindo um time bem interessante.

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A conferir.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 28)

 

60 comentários em “O Remo e a baderna impune

  1. Um outro fator que é evidente sobre as gangues, está na utilização política de alguns dirigentes. Servem de mecanismo de pressão sobre aquilo que não podem se manifestar diretamente.

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  2. 2 torcedores estão presos e outros serão presos, também, a partir de hoje.. Só sairão da cadeia, após julgamento, 2º ouvi…

    Remo só não pode é perder o foco desse jogo contra o Independente… Terá que permanecer com o jogo no Baenão, pelo único bom gramado que temos hoje, em Belém e ir pra cima do Galo, pra tirar essa diferença.. Tem time pra isso.

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  3. Engraçado essa “torcida” de fanáticos do clube cor de funeral. Dias atrás eles estavam comemorando o título da copa verde.

    kakakakakkakakakakakakakakakakakakakakakaka

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  4. J. Reis, quando as pessoas ancoram a sua felicidade em função do insucesso dos outros, essa falsa alegria se transforma em um vazio de desespero que beira à loucura. A festa com a nossa derrota na CV, funciona como uma válvula de sobrevivência momentânea, mas quando passa a embriagues, vem a realidade e o consequente desespero.
    Engraçado que eu conheço vários azulinos de bom nível de intelecto, entretanto, não sei porque, sofrem da mesma disfunção de achar que o munto é estático. Foram grandes em algum momento e acham que isso é imutável.
    Tu tens rezão, é engraçado mesmo.

    Bom dia!

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  5. Não existe gramado bom com chuva, Claudio, o Maximino Porpino não aguentou.

    Comerciantes de milho comemoram o aumento nas vendas, as galinhas tão todas arrepiadas, precisam estarem bem alimentadas, pois o Galo Eletrico já disse:

    “Galinha azul, te prepara, pois eu vou te usar.”

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  6. Amigos Joseney e Alan, quando vc comemora o insucesso dos outros, mas vc vive um bom momento, até é aceitável, mas quando o cara tá na pindaíba, é crueeeeeeeeeeeeeeeeeeeel

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  7. Absurdo quem faz piada com o episódio ocorrido no Baenão.
    Independentemente da camisa, mirar um rojão em pais de família não é engraçado.
    Sinto vergonha dessa facção dizer que faz parte do meu clube.

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  8. Édson, mais do que cruel, é inexplicável. Eu acredito que nosso rival está com mais necessidade do Sigmund Freud, do que o nosso Papão.

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  9. Amigo Cláudio, a selvageria entre as torcidas tendem somente a crescer, sinceramente ninguém ficará preso ou sofrerá punição. Veja um exemplo que acaba estimulando a violência, o pau comendo no vestiário em Castanhal e o Dinho (rádio) achando graça, porque um colega seu (rádio marajoara) apanhou.
    A baderna da torcida foi um prato perfeito, para a polícia e para o Independente, que agora devem transferir o jogo para outro estádio. Belo castigo para os remistas.

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  10. Thiago, aguenta, danado, pimenta nos dos outros é refresco.

    Há dois dias antes disso, aqui era só alegria, até o Abner se descuidou e fez a sua.

    Sabe nada, inocente!

    E haja milho! có có có

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  11. Um dia a famigerada Terror Bicolor, invadiu um treino na Curuzú e foi pra cima dos jogadores, mas sem violência, mas acharam de jogar milho, pipoca e galinha,

    Todo mundo riu.

    Se a famigerada agiu assim, e inclusive o cara que partiu pra cima do Potiguar, se não estava drogado, estava porre, o problem é de vcs.

    O sarro é livre na globosfera kkkkkkkkkk

    Seu Rafael, ninguém apoia nada, mantenha-se calmo e sorria que o problema não é do Galo

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  12. Alguma coisa me diz, que essa ação foi por mando de alguém da diretoria.
    Estranho é o Pirão chegar bem na hora da confusão.

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  13. Caro Edson grande comparação a sua, uma torcida invade o campo e joga milhos e a outra dispara rojões nos jogadores.

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  14. Pois é meu amigo, vc quer que a gente faça o quê?

    Sinceramente, eu lamento, obviamente não apoio, mas se eles que são eles não tomam uma providencia, só nos resta tirar uma lasquinha disso tudo

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  15. Engana-se quem pensa que o torcedor tem o direito de ir a um treino peitar jogadores. Eles não tem direito. Eles não são o clube. Eles não representam o clube. Muitos (provavelmente nenhum são) não são sócios do clube. Os jogadores estão fazendo seu trabalho. Se o trabalho é bem feito ou não, o problema é da diretoria e seus pares. Lembrem-se, futebol tem somente três resultados possiveis. Nunca da torcida. Lugar de torcida é no estádio. Torcendo, vibrando e vaiando o time.

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  16. Bomba!

    Policia Militar não quer jogo no Baenão.

    FPF e Pirão terão que chamar pra sí a responsabilidade se algo der errado

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  17. Engana-se quem pensa que o torcedor tem o direito de ir a um treino peitar jogadores. Eles não tem direito. Eles não são o clube. Eles não representam o clube. Muitos (provavelmente nenhum são) não são sócios do clube. Os jogadores estão fazendo seu trabalho. Se o trabalho é bem feito ou não, o problema é da diretoria e seus pares. Nunca da torcida. Lembrem-se, futebol tem somente três resultados possiveis, a derrota é um deles. Lugar de torcida é no estádio. Torcendo, vibrando e vaiando o time.

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  18. Policia está deixando bem claro, que o evento é do Remo, a PM vai dar apoio, mas se eximirá de quaisquer responsabilidades.

    Jogo confirmado pro Baenão.

    Celira, sou pleno acordo com vc, tem gente levando muito ao pé da letra o futebol.

    O X do problema está nas “organizadas”, principalmente as violentas.

    A paz nos estádios passa em extingui-las

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  19. Sobre o Papão, penso que começar vencendo sempre é um grande negócio, ja que dá tranquilidade para desenvolver o projeto.

    Ano passado, os empates e derrotas nas primeiras rodadas, se não foram determinantes para queda de série, foram elementos que afetaram o psicológico do time acarretando no baixo rendimento do escrete bicolor.

    Agora é fazer um grande jogo contra o CRB e trazer (vai ser dificil como todos os jogos da série C) uma vitória ou um empate para que o time ganhe mais confiança na competição.

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  20. Celira, acho esta (19) uma questão muito controversa, demandando fixar bem as fronteiras do que pode e do que não pode, de modo que não haja excesso, nem no exercício, nem na limitação.

    Me parece fora de qualquer dúvida que não se pode invadir o campo de treino com o propósito de agredir as pessoas, muito menos atirar rojões na direção de quem ali esteja trabalhando, seja jogadores, comissão técnica, dirigentes, seguranças jornalistas etc. Este direito não existe nem para o torcedor, nem pro sócio, nem pra ninguém.

    Mas, também se equivoca aquele que pensa que o que ocorreu no Baenão foi ação de torcedores e que foi obra de arquitetura proveniente dos bandidos ditos organizados. É claro que não foi!

    Enfim, creio firme que sem partir para a violência, o torcedor, sócio ou não, têm sim direito de manifestação de protesto contra o péssimo trabalho da diretoria do clube, dos jogadores, da comissão técnica e demais, mesmo em ocasião de treinamento, máxime quando se trata de evento episódico. É a constituição quem garante.

    Quer dizer, o ato criminoso ocorrido no final de semana, não pode inviabilizar outros que eventualmente ocorram dentro dos limites da civilidade e da lei. A Constituição garante!

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  21. Por isso coloquei, Amigo Antônio Oliveira, que local de torcedor é no estádio. Torcendo, vibrando e também vaiando. Por isso, para mim, protesto é no campo.

    Penso que o treino não é local de protesto, pois é o momento de preparação tática e emocional da equipe.

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  22. Amigo Celira, mas o que quis dizer, é que acho que não exista uma fórmula assim pronta e acabada: no estádio, na hora do jogo, pode; no momento e no local do treinamento, não pode!

    Sem excessos, sem abusos, a manifestação de protesto é legítima e pode ocorrer em qualquer lugar, em qualquer momento.

    Agora, o que ocorreu no sábado não pode ser sequer comparado com uma manifestação de protesto legítima. Como crime que é, é caso de polícia mesmo, e assim precisa ser tratado.

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  23. O que me preocupa é o fato de estarmos refém desta situação. Sem vermos a implatanção de atitudes que possam coibir eficientemente este tipo de violência.

    Costumamos cobrar dos diretores de futebol, dizendo que os mesmo alimentam essas barbáries, mas entendo que se trata de caso de justiça.

    O máximo que os clubes podem fazer é colobarar com a justiça.

    Penso que quem deve punir e fazer valer a punição são os órgãos disciplinadores, agora, como cobrar destas instituições se elas não mantém atrás das grades nem assassinos cruéis que temos espalhados por este Brasil?

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  24. Futebol não é um simples ganha, perde ou empata. É muito mais que um jogo. É cultura, lazer, emoção, “encaranação”, vibração, tensão etc. Tudo isso, sem falar nos vários tipos de manipulações que podem ocorrer, então nada de discursos conformistas. A violência tem que ser barrada, mas o futebol e a paixão nunca simplificados.

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  25. Bomba ! Segundo informações do diretor Thiago Passos, diretoria azul fúnebre vai aposentar a camisa 33. A partir do próximo jogo dos enlutados, Eduardo Manguaça usará a camisa 51. Uma boa ideia !

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  26. Como é que é??? Já aposentaram a 33?
    Kkkkkkkk e não querem que a gente comente notícias deles. E outra, agora ele vai jogar como um 10, é? O problema era o número? 33, bolinha, 10, bolão…tá foda pra ti, cachorro de peruca!

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  27. Neste momento, 13:44, na Clube, os comentaristas estão algo alarmados com o feito no sábado por aqueles que se dizem torcedores azulinos. Será o alarmismo imperando na crônica radioclubina? Interessante que são os mesmos que insinuavam a 4 ventos que era moleza da polícia quando esta fazia exigências e recomendações para dar garantia aos jogos do Re/Pa, por conta da violência.

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  28. Claudio, o jogo não tá 100% confirmado lá pra casinha do vizinho. a FPF não quer ser responsabilizada por nada e deu algumas opções.

    1 – Jogar em Castanhal
    2 – Jogar no Baelama de portões fechados ( essa é de lascar )
    3 – Esperar o Mangueirão reabrir.

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  29. Verdade Claudio, lembrei disso na hora em que escrevia. Mas a mística da 33 está criada. Quem vestir tá ferrado. Quem sabe se forem atrás de um pereba chamado Tabu, como nun passe de mágica, ele vire craque ao colocar essa camisa?

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  30. Bomba: Torcedores do remo, ao tomarem conhecimento que a camisa 33 foi aposentada prometem entrar na justiça por danos morais.kkkkkkkkkkkkk

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  31. Fico impressionado com torcedores do rival rindo da situação, que é lamentável. Vale pra nós, remistas também: O que aconteceu sábado não engraçado, não é brincadeira, é SÉRIO. Soltando rojão na cara de um jogador poderia ocorrer uma tragédia, matar uma pessoa em seu horário de trabalho, um pai de família, e a reação para quem tem um mínimo de humanidade para esses atos é de repúdio…

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  32. Claudio, pra vc ver só como essa FPF não vale nada, tirou o dela da reta.

    Penso amigos, que não é prudente a realização deste jogo no estádio do vizinho, pois pode haver bate boca e até agressões entre a tal torcida e o torcedor comum.

    No jogo Paysandu x Remo pela copa verde, teve uma confusão séria na arquibancada entre a PM e a Terror, se fosse na Curuzú, o caso poderia ter tomado proporção perigosas.

    Em resumo, o Remo está nas mãos da consciência dos torcedores da Remocinha ( quanta ironia, esperar isso de quem não tem ).

    A PM já deu o recado, vai agir de acordo como a situação sugerir.

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  33. Celira não esqueça que um dos nosso melhores zagueiros em 2003, o junior baiano, jogou já coroa aqui, inclusive naquele histórico jogo contra o Boca na Argentina

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  34. Não vejo assim, não, amigo Édson… Veja que no jogo passado, se o Remo perdesse, era a mesma coisa e deu 14 mil pessoas… Agora, é só pra 10 mil… Aliás, se não tivesse ocorrido essa invasão, nem estávamos falando sobre isso, pois o jogo já estava marcado pro Baenão..

    Leandro Silva, zagueiro, só volta a jogar, após a Copa do Mundo… Tá em fase de recuperação

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  35. Claudio, me baseio nos comentários do torcedor remista, nas ruas, no radio, nas redes sociais, há alguns que apoiem o que fizeream os vagabundos da remocinha, mas a maioria não.

    Pode ter certeza amigo, que haverá confusão por causa dessa discordância

    É verdade Mauricio, era o Jorginho, e o mesmo fez boas partidas com a camisa do nosso papão

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  36. Existem torcedores e retardados em todo lugar, no estádio, nos clubes, no blog, na imprensa… “Em terra de cego, quem tem olho é rei”.

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