Por Gerson Nogueira
Foram quase dois anos de dedicação, profissionalismo e bons exemplos. Chegou num momento de incertezas e dificuldades no Botafogo, o que não é propriamente novidade na história alvinegra. Na verdade, poucos acreditaram quando a notícia de sua contratação começou a circular. Só se teve certeza quando ele desembarcou no Rio, em 2012.
Desde o começo, portou-se como o grande profissional que é, dentro e fora das quatro linhas. Não prometeu milagres, não deu beijinhos fingidos no escudo, nem chorou lágrimas de crocodilo. Foi simplesmente Clarence Seedorf, o boleiro que encantou torcidas mundo afora e especializou-se em levantar a taça da Champions League.
Aceitou o desafio surpreendente de vestir a camisa que foi de Mané Garrincha e Nilton Santos quando buscava um motivo para continuar jogando bola. Meio esquecido no elenco do Milan, podia ter optado por outro grande clube europeu.
Fã do futebol brasileiro desde sempre, identificado com o Rio de Janeiro, aceitou comandar um processo de reconstrução, como admitiu ontem na entrevista de despedida. Juntou sua vontade de deixar o ambiente do Milan com a convicção de que o Botafogo era o clube certo, pela situação que enfrentava e pela tradição de grandes craques.
Mais do que benefícios para sua carreira, a escolha de Seedorf foi extremamente revigorante para a Estrela Solitária. Ajudou a conquistar novos torcedores, atraiu patrocínios, transformou o time em atração nacional, recolocou a marca no exterior e – mais importante – tornou o Botafogo mais competitivo.
Com Seedorf, o time voltou a ser olhado com o respeito que sempre deveria merecer. No Campeonato Brasileiro do ano passado, tendo o craque holandês como maestro, o Botafogo conseguiu ir muito além de suas possibilidades, impulsionado pela liderança e talento do camisa 10.
É de conhecimento até da estátua do Manequinho que com Seedorf o Botafogo voltou a desfrutar, de fato, da condição de gigante do futebol brasileiro. Um clube que fez história pelo generoso panteão de craques que reuniu só poderia mesmo se reerguer a partir da presença de um jogador vitorioso e de talento inquestionável.
Foi pelos pés e liderança de Seedorf que o time conquistou o certame carioca e voltou a se inscrever entre os melhores do continente, classificando-se para a Taça Libertadores depois de 17 anos.
Muito mais poderia ser dito sobre essa curta e profícua permanência de Seedorf no Botafogo, mas, acima de tudo, no momento da despedida, cabe ressaltar o sentimento misto de orgulho e carinho por ter escolhido a Estrela Solitária para encerrar sua gloriosa carreira. Que seja feliz e bem sucedido na carreira que está abraçando. Terá sempre a gratidão e o respeito de todos os corações botafoguenses.
Valeu, Maestro!
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Último capítulo da longa novela
Chega ao fim hoje a novela do contrato entre a FPF e o governo do Estado para a cessão dos direitos de transmissão do Parazão. Em troca de exposição nos estádios e nas camisas dos times, o governo vai repassar R$ 2,9 milhões, a serem divididos entre os oito clubes participantes. O martelo demorou a ser batido porque a dupla Re-Pa fez pé firme e rechaçou a oferta inicial para ambos (em torno de R$ 700 mil). Como locomotivas do futebol regional e responsáveis diretos pela presença de público nos estádios, queriam um repasse maior. Como o ano é eleitoral, foram parcialmente atendidos.
Pelo que se noticia sobre os termos do acordo, só não fica clara a fixação dos especialistas do governo em limitar a 11 o quinhão de adolescentes selecionados para formação em cada clube. A óbvia referência ao número de atletas de um time não justifica o desperdício de oportunidade.
Outro equívoco está na faixa etária. Quem acompanha a evolução da modalidade sabe que garotos devem ser orientados para o futebol já a partir dos sete anos.
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Direto do blog
“O Pimentinha é bom rapaz, só falta apreender jogar bola… Sou totalmente a favor das contratações pontuais, porém desaprovo as contratações dos zagueiros João Paulo (fraquíssimo) e do Leandro (verdadeiro rebatedor, você verão no futuro) e do meia Bruninho (será banco do Djalma). Antes contratar o Jaime do que esse Bruninho. É brincadeira botar o Pablo no banco. Pablo reserva do João Paulo? Como diria um amigo de Cametá: ‘mas quando já…’”.
De Inocêncio Mártires Coelho, peremptório quanto aos desacertos da política de contratações do Papão.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 15)
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