Por Gerson Nogueira
Já sabia o que me esperava, mas ainda assim encarei a empreitada de ver Brasil x Zâmbia na manhã de ontem. Tudo bem que a fase é de testes, estágio importantíssimo para o amadurecimento do esquema tático e do entrosamento da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo do ano que vem. Apesar disso, é duro imaginar que o time precisa treinar para jogar com um perna-de-pau de carteirinha no ataque (?!?).
Hulk, o pior jogador que vi atuar com a camisa canarinho desde Amaral (aquele que Zagallo denominou de o seu “nº 1”), é um dos queridinhos de Felipão. O técnico, como é de conhecimento até do reino mineral, prefere ver cabeças de bagre sob seu comando. É até compreensível. Afinal, dá sempre mais trabalho dirigir e orientar craques. São marrentos, mimados e dados a estrelismo.
Em 2002, Felipão quebrou estacas contra tudo e contra todos para não chamar Romário, ainda em grande forma. Nunca explicou os motivos, mas deixou claro que não queria ter “maus exemplos” a conspurcar sua glorificada “família” de atletas. Como dispunha de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho nas pontas dos cascos, a Seleção não sentiu falta do Baixinho e trouxe o pentacampeonato.
A partir daí, o técnico parece ter se convencido de que não precisa de ninguém para chegar ao topo. Temi até por Neymar, já que Felipão costuma implicar com moleques cheios de personalidade. Poupou o craque do Barcelona pelo fato óbvio de ter não como excluí-lo, mas sacrificou outros bons jogadores.
Lucas, por exemplo, sucumbiu à preferência do técnico por Hulk, cuja maior virtude é o vigor com que se lança às divididas e a maneira como marca os defensores adversários. Sim, não me enganei, não. Ele é um atacante que joga como zagueiro – ou, conforme o gosto do leitor, um zagueiro que joga como atacante. Tanto faz, dá na mesma.
Ontem, contra a modestíssima seleção da Zâmbia, Hulk atuou do jeito que Felipão gosta. Desfilou seu repertório habitual. Deu chutão com gosto, carrinhos majestosos e caneladas de fino trato. No banco de reservas, as câmeras de TV flagravam Felipão feliz da vida, quase em êxtase com as virtudes de seu beque-atacante. Quando, no segundo tempo, disparou um chute torto à esquerda do gol africano, foi aplaudido por toda a comissão técnica.
Carlos Alberto Parreira, que vem a ser o primeiro aspone de Felipão (o segundo é o onipresente Murtosa), já definiu a utilidade de Hulk: é um jogador com excelente poder de marcação e bloqueio. É o tal cara que não aparece pro torcedor, como gostam de explicar os técnicos.
O problema é que, com a bolinha tosca que joga, ele não aparece para ninguém. Até hoje, sob a batuta de Felipão, não marcou um gol sequer. Mas nem precisa: seu passaporte para a Copa já está assegurado, pois atacante que marca não precisa fazer gols. Estamos bem arranjados.
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Papão comete vacilo fatal no fim
Foi um jogo equilibrado, com bons momentos do Paissandu no primeiro tempo e vantagem do Figueirense no segundo. Enquanto Eduardo Ramos e Pikachu estavam livres e com fôlego, o Papão foi senhor das ações, chegando ao gol e criando situações interessantes no ataque.
O lance do primeiro gol, com o lançamento de Ramos para a entrada em diagonal de Pikachu, foi belíssimo. Abriu a esperança de que o Paissandu iria, finalmente, se impor em casa alheia. O Figueira empatou, porém, logo em seguida e a partida ficou muito parelha, com ataques de lado a lado.
Depois do intervalo, o Paissandu voltou mais agudo, buscando o gol, mas acabou traído logo aos 5 minutos por uma falha do goleiro Paulo Rafael, que calculou mal a saída do gol em cobrança de falta de Wellington Saci. Com a desvantagem, Benazzi tirou Raul e lançou Dênis no ataque, abrindo mão do 3-6-1 e voltando ao velho e prático 4-4-2.
A mudança não alterou muito o ritmo do Papão, que já demonstrava cansaço, principalmente no rendimento de Ramos e Pikachu. Mas, ainda assim, aos 40 minutos, veio o empate após escanteio. A bola bateu no ombro de Careca e resvalou em Iarley, indo morrer nas redes.
Quando a igualdade parecia definitiva, a defesa paraense deu sua contribuição para que o Figueira alcançasse a vitória. Depois de grande defesa de Paulo Rafael, Mailson escorou escanteio cobrado da esquerda e matou o jogo. Gilton, que o marcava, ficou apenas observando o lance.
O Papão volta a Belém ainda mais distante da zona confortável da tabela e precisando desesperadamente pontuar em casa. Não pode mais nem pensar em perder pontos na Curuzu, pois a linha de corte para o rebaixamento deve aumentar para 46 ou 47 pontos.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 16)
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