Por Gerson Nogueira
À beira do desespero diante da situação aflitiva na tabela, o Paissandu recorda os tempos aloprados e pensa em reinstituir o “bicho”, premiação mais antiga da história do futebol, talvez anterior à invenção do esporte. O propósito da diretoria, conforme informações da Rádio Clube, é estabelecer um pacote pelos próximos quatro jogos – Boa Esporte, ABC, Figueirense (fora) e Avaí.
Caso vença esses compromissos, o Papão daria um salto significativo na classificação e se afasta em definitivo da zona bandida. Iria a 40 pontos, alcançando o chamado bloco intermediário da Série B e praticamente afastando a ameaça de degola. Para atrair o interesse dos jogadores, o clube estaria disposto a desembolsar cerca de R$ 60 mil por vitória – valor oficialmente não confirmado pela diretoria.
É claro que, a essa altura, tudo parece valer a pena diante da possibilidade de queda iminente. O problema é que dirigentes costumam pensar pouco nesses momentos tensos, abandonando qualquer vestígio de racionalidade. Soa no mínimo estranho premiar regiamente um elenco que fez tão pouco até aqui para dar ao Paissandu um posicionamento digno na competição.
Com folha salarial superior a R$ 700 mil, o Papão está no seleto grupo dos oito elencos mais caros da Série B, embora viva a contradição de estar entre os oito piores times do torneio. Pelo menos cinco jogadores do elenco ganham na faixa de R$ 40 mil mensais. Apesar da receita minguada nos jogos como mandante, o clube tem mantido os salários em dia, mas o time está longe de corresponder.
A rigor, as despesas feitas com o elenco não justificam oferecer premiação extra a esta altura do campeonato. É mais ou menos como premiar a inércia, a apatia e a ineficiência. Como atenuante, há a disposição – manifestada por um dos dirigentes que participou de reunião com os jogadores, ontem – de só pagar o valor total (R$ 240 mil) combinado caso a meta seja cumprida integral ou parcialmente (três vitórias e um empate).
Contra o Boa Esporte, que acaba de levar uma peia de 4 a 0 em casa diante do Oeste, o Paissandu tem a obrigação de vencer com ou sem bicho. Como não consegue mesmo triunfar como visitante, não pode cometer qualquer deslize como mandante. E as contas ainda conspiram favoravelmente. Caso consiga ganhar todos os seis jogos em casa, chegará a 46 pontos, limite suficiente para permanecer na Série B.
Para começar bem a série agendada de quatro jogos, o técnico Vagner Benazzi parece ter encerrado as experiências e vai finalmente usar um ataque digno do nome, com Careca e Héliton. No meio-de-campo, deve também reutilizar o ágil Jailton (barrado nas últimas duas rodadas) ao lado de Eduardo Ramos. Providências fundamentais para dar ao time uma pegada mais forte na criação e eficiente no ataque.
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Ao ataque, meninos!
Quando Walter Lima declarou que prefere praticar futebol ofensivo conquistou de vez meu respeito. Fazia muito tempo, bote tempo nisso, que um treinador local não demonstrava tanto destemor. Os incrédulos irão dizer que o técnico age assim porque é um time de garotos. Pode até ser, mas o fato de ser uma competição sub-20 não diminui a grandeza da ousadia.
Waltinho deixa claro a todos que aposta como ninguém na qualidade técnica de seu time. Evidencia que os 3 a 0 obtidos em Belém não foram produto do acaso. Na verdade, refletiram a clara superioridade de um time sobre o outro. O Remo dominou amplamente a partida e podia ter chegado a um placar mais elástico. Teve chances para isso.
Ao mesmo tempo, mantendo a formação no agressivo 4-3-3, Waltinho sinaliza para os próprios garotos do time que confia neles. Essa injeção de ânimo vale mais que mil palavras. O raciocínio é mais do que óbvio: se deu certo nos três jogos disputados pela equipe no torneio, por que mudar agora?
O Flamengo, dentro de seus domínios, é um adversário temível em qualquer circunstância. E não há forma mais inteligente de enfrentar o poderio rubro-negro do que jogando do jeito que o Remo tradicionalmente joga. Por isso, se mantiver a disciplina na marcação e a velocidade na saída para o ataque, dificilmente o representante paraense deixará escapar a classificação hoje à noite, em Macaé.
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