Cacá Carvalho manifesta apoio aos artistas paraenses

Cacá Carvalho“Ao Sr. Governador e Artistas do Pará TODO!
Eu, Cacá Carvalho, artista paraense, não poderia deixar de dizer junto daqueles artistas que como eu, sentem-se destratados, CHEGA!
Digo sem ódio, sem rancor. Digo por amor. Digo quase cansado.
CHEGA de não vermos uma política de formação CULTURAL para uma geração futura, com o mesmo amor que se sente por um filho. Não se pensa na qualidade do futuro.
CHEGA de não termos espaços para o exercício da profissão que escolhemos: pintores sem galerias Pará afora, fotógrafos idem, bailarinos, quadrilheiros, atores, bibliotecas para nossas pesquisas, os nossos autores precisam ser lidos, queremos circulação de mestres formadores por navios estradas e riscando o céu com aviões levando formação.
É pelo futuro que falo. É pelo presente que grito.
CHEGA que em uma metrópole como Belém, com milhões de habitantes, o número de espaços para o exercício de nossas profissões não tenha aumentado, da parte do poder público, NADA. E pelo interior? Quantos teatros temos? Quantas galerias? Quantas ações de fomento à formação?
Não posso falar de suspeitas com verbas, não é este o objeto deste meu pronunciamento. Eu falo de AÇÃO CULTURAL CONTÍNUA.
Para mim, existem dois tipos de Cultura que um homem, um artista precisa desenvolver. Uma, que chamo de Cultura Passiva, onde ele recebe informações de diversos meios, que agirão nele em um tempo que não se mede cronologicamente, e eis que um dia vira Cultura Ativa. Sai do homem, pois transformou-se, é algo que precisa se expressar. Muda a linguagem, a QUALIDADE da pessoa, do homem, do artista. Todos nós precisamos disso, senhor Governador. E é papel do Estado fomentar, com um plano estruturado, humanista, a formação e qualificação do nosso futuro.
Eu não penso em Cultura paraense, ou baiana, ou gaúcha. A origem, é impressão digital, já está dentro de nós, está viva, para misturar-se com outras informações, outros olhares, com os horizontes que precisam ser alargados.
E nós temos MUITA GENTE BOA AÍ. Viva! Ativa! Temos também tanta gente que já está indo sem ter tido oportunidade de nada. E temos uma juventude espalhada pelos rios e grandes cidades. Por favor, tirem essa neblina de seus olhos. Estamos atolados num loft cultural que não dialoga, não age.
Na Cultura vive tudo! Uma maniçoba de riquezas culturais, que ferve em todos nós, cidadãos. Tudo misturado, desde antes de todos nós… desde nossos antepassados de Mundo.
Queremos Cultura, TODOS! Cultura é plural. Tem que ter lugar decente para apresentações, e fomento para tudo e todos. É Cultura, até ter fome de Cultura.
Então CHEGA de tratar não sómente nós artistas, mas, o POVO como merecedores de uma Cultura de baixo nível, desqualificada. Gestão parcial. Pois isso é vergonhoso. 
Eu não tenho partido nenhum. Não me interesso por isso.
Eu falo com muita indignação sim. Mas muito amor, pelo meu início, pelo garoto que está tocando uma flautinha em Moju, por um rapaz que tem vontade de desenhar, uma garota que quer dançar ou um homem escrever. E me vejo, indo, sem ver isso florescer. Eu não escolhi viver de Teatro… Eu escolhi Morrer de Teatro, de Cultura.
Pela Cultura morremos, nós artistas, todos os dias. Morremos, mas renascemos dentro de cada um que leva nosso trabalho na alma. Um pedaço do nosso fazer.
Thomas Mann dizia que só a Beleza salvará o mundo. Eu acredito nisso. 
Conte comigo, para ajudar, mas, quando as portas se abrirem. Pois com esta Cultura aí, uma possível colaboração minha ou de tantos outros que pensamos como Homens de Cultura, é impossível. As portas da Cultura no Pará, estão fechadas com chaves enferrujadas.

Com todo respeito.”

7 comentários em “Cacá Carvalho manifesta apoio aos artistas paraenses

  1. Acho que a Cultura em nosso estado também privilegia o mérito, segundo o mantra do PSDB estadual. Só não se explicou até hoje que mérito é esse.
    Ademais, tenho discutido com amigos e parentes o estado de abandono em que certos logradouros municipais se encontram. Chegamos à conclusão que são “coincidências” carregadas de intencionalidades. Não nos iludamos: o abandono de espaços públicos como praças, sambódromo, uma pequena enseada próximo à Pedro Álvares Cabral, a orla de Icoaraci e o Ver-o-Pêso, dentre outros espaços, são tentativas de nossas elites políticas (exitosas eu diria) de se apagar do passado recente de nossa cidade o que simbolizou o governo de Edmilson Rodrigues, de caráter popular.
    Nada mais natural que a cultura em nosso estado siga o receituário das elites, as mesmas que sufocam as manifestações culturais espontâneas e populares, desde que estas estejam devidamente “comportadas” e colocadas em seus “devidos lugares” (como o infame techno-melody). Ao povo as migalhas e aos “homens de bem” os banquetes regados a “Óperas e bebidas parisienses”, bancados é claro pelo erário. E isso desde o fausto do período gomífero. Aliás, aos homens do lado daqui, as óperas bufas e o cheiro putrefato das quebradas pedras do peixe.

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  2. Mudando só um pouquinho de assunto mas aproveitando a deixa, na nossa querida e amada Baião, o Governo do Estado não constrói nada desde a inauguração do Terminal Rodoviário em 2011(sejamos justos, obra da Ana Julia em parceria com o Governo municipal). De lá pra cá nada foi feito, REPITO: NADA FOI FEITO PELO GOVERNO TUCANO NO MUNICÍPIO.

    Todos sabem que a maioria dos municípios pequenos do Brasil dependem de repasses do FPM(Fundo de Participação dos Municípios) que muitas vezes só cobre a folha salarial dos servidores municipais e alguns fornecedores. Obras de infra-estrutura como saneamento, pavimentação de ruas, construção de pontes nas estradas vicinais entre outras coisas, ficam quase inviáveis sem a parceria Estado-Municípios-União.
    Pois bem, onde quero chegar?

    Em 2011 quando o atual governo entrou, Baião tinha sido contemplada com mais de 1 milhão de reais para pavimentação de ruas da sede do município, no chamado Asfalto Participativo(agora chamado Asfalto na Cidade), a obra foi licitada e publicada no Diário Oficial ainda em 2010 e contemplava 5 quilômetros de vias urbanas. Só que após a posse do atual Governador uma das primeiras medidas dele foi mandar cancelar a obra com a justificativa de revisão do processo licitatório. TUDO BALELA!!! As placas que divulgam a obra com os valores e a empresa responsável pela execução e que estavam nas ruas contempladas foram retiradas e até hoje a população não soube o que levou ele a fazer isso com o a sociedade baionense. Por sorte, a pavimentação da PA-151 já estava sendo executada quando ele assumiu, caso contrário estaríamos andando na lama como ele deixou a estrada no primeiro mandato dele(asfaltou apenas até Mocajuba, boicotando Baião).

    Outro fato deprimente, Baião está sem delegacia e todos os presos tem que ir para Mocajuba ou Cametá, o delegado e policiais civis trabalham em um prédio alugado que não tem condições atender a população. A Polícia Militar tem apenas uma viatura e duas motos para fazer a segurança dos 40 mil habitantes. Pode isso?! Dizem que um pólo do PROPAZ será construído na cidade, a prefeitura já doou o terreno próximo ao igarapé, mas eu só acredito vendo…

    Nas férias estive conversando com alguns amigos e descobri que já são 6 meses que o Governo do Estado não repassa verbas para a compra de remédios, não posso afirmar se isso é verdade, mas pelo que tenho visto nesses anos de governo Jatene, é capaz que essa falta de repasse seja verdadeira.

    Estou colocando o exemplo de Baião, mas temos também o exemplo de Mocajuba bem próximo e diversas cidades pequenas que estão abandonadas pelo Estado. Será que o professor Mestre em Economia Simão Jatene não percebe que municípios desse porte não tem condições de crescer sozinhos? É um crime contra a população boicotar prefeitos por serem de partidos diferentes do partido da situação. Meu Deus, até quando isso?

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