Por Gerson Nogueira
Poucas vezes nesta Série B vi o torcedor do Paissandu tão confiante em vencer fora de casa como hoje. Indiscutivelmente, essa confiança decorre da presença de Rogerinho no comando técnico. Inexperiente, recém-promovido a auxiliar técnico, o ex-volante era a aposta mais improvável para conduzir o Papão num momento de turbulência.
Mas, credenciado por duas vitórias (contra Paraná e Figueirense) convincentes na Série B, o interino começa a criar uma aura vencedora, capaz de fazer o torcedor esquecer a necessidade de contratação imediata de um técnico mais rodado.
Sua invencibilidade será posta à prova contra um Avaí que navega na mesma faixa do Paissandu, inclusive quanto ao posicionamento na tabela de classificação. E daí deriva o maior perigo, pois o alviceleste catarinense também venceu na rodada passada e empolgou a torcida.
São times de massa que buscam escapar das últimas posições na tabela. A diferença é que o Avaí jogará em casa, empurrado por seu torcedor. De sua parte, o Paissandu segue com a crônica dificuldade de vencer como visitante. No último giro fora de casa, colecionou três derrotas, sendo duas válidas pela Segundona.
Sem Careca e Bispo, que estão suspensos, o Paissandu vai se ressentir principalmente da ausência de Ricardo Capanema, seu melhor volante. Sem ele, a defesa fica sempre mais vulnerável. Um problema que Lecheva e Givanildo não conseguiram resolver. Rogerinho terá que se virar com jogadores que pecam pela inconstância, casos de Esdras, Zé Antonio, Vânderson.
A defesa se recompõe com Raul e Fábio Sanches. A esperança de um comportamento mais consistente nos contra-ataques está nas laterais. Pikachu e Janílson fizeram contra o Figueirense suas melhores partidas no campeonato, contribuindo decisivamente para a vitória. Marcelo Nicácio, artilheiro da equipe no torneio, entra novamente como titular do ataque, ao lado de Iarley.
Cabe observar que a partida ganhou um condimento especial depois que o empate entre América-RN e Boa Esporte, ontem à noite, empurrou o Avaí para a zona do rebaixamento e deixou o Paissandu em 16º lugar. O tal jogo de seis pontos se transforma também em duelo de desesperados.
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Rogerinho depende de nova vitória
Embora a diretoria já não tenha a mesma pressa de antes para contratar um novo técnico, o presidente Vandick Lima admitiu ontem que cinco nomes são analisados. Arturzinho, Pintado, PC Gusmão, Guilherme Macúglia e Péricles Chamusca. Destes, Arturzinho e Macúglia têm a pedida salarial mais compatível com a realidade do clube. PC, Chamusca e Pintado são considerados caros. Segundo pessoas ligadas a Vandick, no momento Macúglia é o mais cotado.
A escolha, porém, pode mudar em caso de uma nova vitória sob o comando de Rogerinho. Apoiado pela torcida, o auxiliar ganha força no clube e se tornaria praticamente intocável caso triunfe fora de casa.
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Azulinos fazem mobilização inédita
A forte mobilização da torcida do Remo em torno da estreia do time na Copa Norte Sub-20 confirma o acerto da promoção criada pela diretoria, transformando o jogo em parte de um evento maior, que vai oferecer música e outras atrações neste sábado à noite, no Baenão.
São inúmeros os exemplos de clubes que conseguiram preservar a paixão de seus torcedores mesmo em momentos de crise. O Remo, que não conquista campeonatos há seis temporadas e permanece sem divisão, é o mais novo exemplo de como o sentimento incondicional da torcida pode ser capitalizado positivamente.
Diante desse interesse na Copa Norte, cresce também a responsabilidade do time azulino, que estreia hoje contra o Baré e já desponta como um dos favoritos ao título. Ao mesmo tempo, a diretoria se prepara para explorar um possível recorde de público para competições de futebol amador.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 03)
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