Por Gerson Nogueira
Passadas as primeiras horas do “Naviraiaço” na Curuzu, com os naturais destemperos que uma derrota vexatória provoca, sinais de bom senso foram emitidos da diretoria do Paissandu e fazem crer que o projeto formulado para a Série B continuará a ser executado normalmente, sem mudanças de rota. Ao reagir com tranquilidade, sem arroubos demagógicos como no passado, a direção do clube contornou o risco de turbulências internas, próprias de clubes de massa.
Qualquer possibilidade de crise foi serenada a partir do silêncio dos dirigentes. Essa não-reação acalmou espíritos e desestimulou corneteiros. Venho fazendo seguidas referências a gestos e providências da atual diretoria do Paissandu. Entendo como educativas algumas posições e critérios adotados no clube, com boas chances de se espraiar pelo futebol profissional meia-boca que se pratica aqui.
A tentação de arranjar culpados é um dos piores vícios do futebol no Brasil. No Pará, não é diferente. Anteontem, depois da derrota para o Naviraiense, o primeiro nome a ser apedrejado por parte da torcida no estádio e depois nas redes sociais foi o do técnico Lecheva.
Alvo natural, o técnico manteve o tom contido, só escorregando um pouco ao reclamar das condições do gramado – desculpa de 11 entre 10 técnicos que perdem sob chuva. Ainda assim, fez uma avaliação correta da desastrosa jornada bicolor. Apontou, corretamente, as falhas de finalização como ponto determinante da derrota.
Faltou, porém, admitir – como o meia Eduardo Ramos – que o time foi afobado e imaturo ao se lançar ao ataque como se não houvesse amanhã. Havia. Bastava o empate para garantir a classificação. Portanto, pressa era algo que só cabia no time adversário, que precisava vencer por dois gols de diferença. Pois o Paissandu meteu os pés pelas mãos, saiu de sua zona de conforto e permitiu que o Naviraiense alcançasse seu objetivo.
Lecheva, como comandante da nau, tinha o dever de acalmar a equipe, evitando precipitações desnecessárias num confronto que desde o início mostrou-se perigoso. A má atuação de Vânderson, muito citada pelos torcedores, também é algo que pode se colocar parcialmente na conta do treinador.
Billy, pela juventude e fôlego, deveria ser um dos volantes em campo, mas acabou entrando no lugar de Djalma. Em defesa do técnico, porém, há o fato de que uma partida decisiva pede jogadores experientes e Vânderson é um dos mais rodados do elenco. Foi também um dos destaques do acesso à Série B, marcando até gol no jogo contra o Macaé. Como barrar um herói?
Com exceção desses pontos citados, Lecheva não pode ser responsabilizado pelo insucesso. Seus atacantes, Rafael Oliveira principalmente, abusaram de perder gols. Significa que o meio-de-campo, mesmo em noite pouco inspirada do maestro Ramos, produziu jogadas em quantidade suficiente para produzir gols.
A má atuação dos laterais Rodrigo Alvim e Pikachu e a insegurança do goleiro Zé Carlos, exposta dramaticamente nos gols do Naviraiense, principalmente o primeiro, também não podem ser usadas contra o técnico. Na Curuzu, as opções para as laterais são precárias e o antigo goleiro titular, Paulo Rafael, saiu por falhas nos clássicos das semifinais do returno.
Pela atitude madura da diretoria, o Paissandu está conseguindo sair mais ou menos inteiro do desastre na Copa do Brasil. Contabilizam-se prejuízos, mas a vida continua e não há tempo para lamúrias. Domingo, o time precisa confirmar o título estadual para entrar fortalecido na Série B.
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Direto do Facebook:
“A verdade de tudo isso meu caro Gerson Nogueira, é que o Paysandu está carente de um bom lateral esquerdo, pois o Rodrigo Alvim não tem a mínima condição técnica e física de disputar uma Copa do Brasil ou Série B. O Esdras não consegue acertar um passe de 3 metros. E ontem, nosso querido Lecheva inventou, tirando o Djalma para colocar o Billy. Bem, agora é juntar os cacos, reunir o elenco, o Vandick dar aquela escrotiada e se preparar para outra batalha no domingo. E jogar como se precisasse de uma vitória!”
De Bruno Figueiredo, torcedor abespinhado com o vexame do Papão.
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Remistas dispostos a lutar
Setores de oposição do Remo, reunidos ontem, alinhavaram uma série de procedimentos em torno do objetivo de lutar pela “retomada do clube”. Promovido pela Associação dos Sócios do Remo à frente, diversos azulinos participaram do encontro.
O objetivo é acumular forças para defender as eleições diretas no clube. Não existem pré-candidatos, mas pessoas interessadas em ajudar a tirar a agremiação do marasmo administrativo atual. Não é muito, mas já significa um caminho.
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Ilegal, imoral ou engorda
Profissional que deixa cargo estratégico na Federação Paraense de Futebol deveria passar por quarentena antes de assumir funções em clube de futebol. Atitude não é ilegal, mas está longe de ser moralmente aceitável. Por essas e outras é que o futebol passou a ser visto, quase sempre, com desconfiança pelo populacho.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 17 de maio)
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