Uma análise do Grêmio de Luxemburgo

Por Paulo Sant’Ana (do Zero Hora)

Partida sobre partida, o Grêmio joga cada vez pior. No camarote com 16 lugares, 15 estavam vagos, só eu presente para ter autoridade de analisar o jogo contra o São Luiz. Acontece o seguinte: Alex Telles, ao cobrar as faltas que terão de ser lançadas na área adversária, joga-as todas nas mãos do goleiro, irritando até à raiva quem entende de futebol.

Além disso, o mesmo Alex Telles, que teve até boa atuação, no entanto parece ser vesgo ou caolho: quase todos os passes que dá batem no adversário, desperdiçando a jogada.

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Analisemos agora o Fábio Aurélio: também, quando cobra as faltas que têm de ser endereçadas pelo alto para a área adversária, chuta nas mãos do goleiro ou chuta para a linha de fundo. Isso faz a gente chorar com tanta ruindade. Temos, então, que os jogadores escalados pelo Luxemburgo para cobrar faltas por elevação para a área adversária não sabem fazê-lo.

A culpa é deles por essa tragédia técnica? Não. A culpa é exclusiva do treinador Luxemburgo.

Cabe ao treinador ensinar os jogadores a cobrar esse tipo de falta. E se os jogadores, nos treinos, incidirem nesse erro, cabe ao treinador escolher outros jogadores que efetuem esse tipo de cobrança.

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Então, eu estou detectando um ócio no Grêmio. Fui perguntar a um setorista do Grêmio e ele me disse que Luxemburgo, nos dias em que não há jogos, nunca treina cobrança de faltas, entre elas esse tipo que tanto tem exasperado quem entende de futebol e a torcida. Portanto, há ócio de Luxemburgo nos treinamentos. Não há trabalho do treinador, ele parece ter-se deitado nos louros da fama e da fortuna, não trabalha mais nos treinos.

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Quem entende de futebol sabe a importância do detalhe nos treinamentos chefiados pelo treinador. Luxemburgo não se dá mais ao hábito salutar e eficaz de treinar detalhes e fundamentos. Ou seja, Luxemburgo está entregue ao ócio.

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O grande treinador, assim como o foi Luxemburgo no passado, é o que teoriza e o que põe em prática a teoria nos treinamentos. Nos dias de hoje, Luxemburgo só teoriza, não trabalha nos treinos. Está meio que aposentado em Porto Alegre. E, neste momento em que o Grêmio decide sua participação na Libertadores e no Gauchão, é urgente que Luxemburgo volte a pôr as mãos à obra e trabalhe intensamente o time nos treinamentos.

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O ócio de Luxemburgo está colaborando para que o time atual do Grêmio esteja afundando jogo sobre jogo. Luxemburgo declarou anteontem que o seu time está alcançando os resultados desejados, certamente ele se refere a que está classificado para as oitavas de final da Libertadores e semifinal do Gauchão.

Mas só cego não vê que Jesus está chamando o time do Grêmio, vai perder logo em seguida se continuar jogando como está.

Ora, se Barcos, Kléber e Vargas não vêm jogando bem e se sabe que são ótimos jogadores, então qualquer criança sabe que o que está mal é o coletivo e não as individualidades. E, para quem diz que o time vai mal porque Elano está lesionado, esquecem-se que o time vinha mal já ao tempo em que Elano jogava.

E se este time tragicamente desorganizado não jogou bem contra o São Luiz, mas tinha em campo o grande Zé Roberto, então é porque são a mecânica e a dinâmica do time que estão mal. E o único responsável pela mecânica e dinâmica do time é o Luxemburgo.

Sinto muito ter de escrever assim. Mas escrevo enquanto há tempo.

5 comentários em “Uma análise do Grêmio de Luxemburgo

  1. Luxemburgo além da queda, pegou um gancho de 6 jogos.

    Olha que eu sou antipatizante com este cidadão, mas é uma punição absurda perto do que aqueles argentinos fizeram em Minas e foram punidos apenas com multa de 100 mil dolares.

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  2. Grande Paulo Sant’Ana… dono de uma das penas mais famosas do jornalismo esportivo gaúcho. Sempre sagaz, sempre autêntico.

    O fato é que, a rigor, o Grêmio só fez um grande jogo a temporada inteira no 3×0 frente ao Fluminense no Engenhão. E estamos falando de um time com uma folha salarial em torno de R$ 8 milhões. Fábio Koff deve estar arrancando os cabelos com a medonha campanha que o time faz este ano.

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  3. Luxemburgo é um ex-técnico em atividade, sua grande preocupação em ganhar dinheiro o impede de se reciclar e se de adaptar aos novos tempos marcados pela escassez de talentos.

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  4. O texto bem que poderia ser descritivo da preguiça nacional dos técnicos brasileiros. As falhas apontadas no texto acima não são exclusividade do tricolor gaúcho: estão em praticamente todos os times do Brasil. Até o discurso dos “resultados”, a praga da objetividade levada às últimas consequências, também está presente. Do Arroio ao Chuí, de leste a oeste, de Paysandu e Remo, a Internacional e Grêmio, estamos carentes de vida inteligente. Nosso estado é comatoso e o bom futebol, apenas uma lembrança que por ora ainda não é pálida, mas em não havendo mudanças radicais, pode se tornar desbotada.

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