Sete homens e um destino

Por Gerson Nogueira

bol_dom_100313_15.psA seca de gols que campeia em alguns campeonatos regionais contrasta com a fartura do atual Parazão. Total de 113 gols marcados em 36 jogos disputados. Média superior a três gols por partida. Números à altura dos certames europeus mais badalados.

Com um quê de boa vontade pode-se dizer que o campeonato tem equipes formatadas para jogar no ataque, resultando nessa avalanche de gols, mas na realidade parte da exuberância ofensiva do certame tem a ver com a fragilidade das defesas. A vulnerabilidade é um mal que afeta, democraticamente, os oito times. Excelente notícia para quem vive de fazer gols.

É preciso levar em conta ainda o abismo entre os quatro times que lideram a pontuação geral e os quatro que brigam contra o rebaixamento. Paissandu (32), Remo (24), PFC (15) e São Francisco (15) respondem por cerca de 80% da artilharia, contabilizando 86 gols contra 27 dos quatro que ocupam a parte inferior da tabela.

A contribuir para essa supremacia há o fato de que se concentram nos principais times da disputa os melhores atacantes da competição. Aleilson, do PFC, puxa a fila dos goleadores, com 10 tentos. Rafael Oliveira e João Neto, do Paissandu, vêm logo atrás, com 9. Os remistas Val Barreto e Fábio Paulista têm 7 e 6 gols, respectivamente. Caçula, do São Francisco, marcou 5 vezes.

Leandro Cearense, que busca afirmação no concorrido ataque remista, já balançou as redes em quatro ocasiões, juntamente com o lateral Pikachu, do Paissandu. Além dos principais anotadores, há o veterano Iarley, que desembarcou em Belém com o campeonato em andamento e ainda não conquistou a posição de titular no Paissandu. Apesar disso, tem currículo e talento para se posicionar entre os líderes da artilharia.

A não ser que surja uma surpresa entre os emergentes – Lucas, da Tuna? –, é certo que as glórias e honras se dividirão entre os dianteiros citados. Curiosamente, somente Aleílson, João Neto, Paulista e Caçula são titulares incontestáveis em seus times. Val Barreto, Rafael, Cearense e Iarley nem sempre têm lugar certo nas escalações, o que só aumenta o mérito de suas performances. Rafael, vice-líder, vive uma situação esdrúxula. Patrulhado por não ter feito gol contra o Remo, foi sacado do time e não disputou a final do primeiro turno.

Do outro lado, Val Barreto especializou-se em entrar apenas no segundo tempo dos jogos do Remo. O perfil de jogador raçudo e rápido contribui para essa opção tática do técnico Flávio Araújo.

O torcedor é, por essência, imediatista e pragmático. Gosta de zagas fortes, mas naturalmente prefere glorificar os que fazem gols. Pelo desenho atual da competição, o destino do Parazão está com os sete atacantes mencionados – além de Caçula e Pikachu, que correm por fora.

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Remo, Paissandu e FPF lideram faturamento

O relatório da receita gerada pelo campeonato na Taça Cidade de Belém descortina alguns pontos interessantes. O Paissandu encabeça o faturamento, com R$ 1.389.299,62. O Remo, que teve mais público, faturou um pouco menos, R$ 1.327.123,58.

A supremacia dos titãs é tão absoluta que faz com que a média de público do campeonato (mais de 7 mil pagantes por jogo) seja a melhor do país hoje, embora os demais jogos do torneio sejam vistos quase sempre por testemunhas.

Como não tem despesas maiores, a Federação Paraense de Futebol foi quem, proporcionalmente, mais lucrou até agora, embolsando R$ 493.259,45. O São Francisco faturou R$ 197.344,95 e é uma espécie de avis rara entre os clubes interioranos, quase todos pagando para jogar. A Tuna ficou com R$ 98.183,98 e o PFC com R$ 93.547,29.

Os casos mais aflitivos, embora sem surpresas maiores, são os do atual campeão Cametá (R$ 38.136,43), do Águia (R$ 17.576,75) e do Santa Cruz (R$ 7.945,22).

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Um clássico à moda antiga

Protagonistas de um clássico que perdeu muito do encanto nos últimos tempos, Remo e Tuna encontram-se em pé de igualdade no segundo turno e isto reveste de interesse maior o jogo deste domingo. Apesar de ser apenas a segunda rodada, o confronto é decisivo para os planos dos times no campeonato.

A Lusa, antes dos jogos de ontem, liderava a competição, embora com a mesma pontuação dos azulinos. O técnico Cacaio alterou a forma de jogar da Tuna, fixou Lucas e Mossoró no ataque e a goleada sobre o Águia provou que a mudança foi acertada.

Flávio Araújo levou um susto diante do Santa Cruz e tem novo desafio, mas não vai sair do 3-5-2 que tem causado tanta instabilidade ao time. Nem mesmo a chegada de um novo meia-armador é garantia de novidades no meio-de-campo, pois dificilmente Clébson (como já ocorre com Tiago Galhardo) terá um outro armador como parceiro.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 10)

25 comentários em “Sete homens e um destino

  1. – É verdade, mesmo.. Remo e Paysandu, principalmente, estão fazendo muitos gols e vencendo seus adversários, com autoridade.. Um dado interessante, é o do atacante Val Barreto, que só entra no 2º tempo e está a 3 gols dos artilheiros João Neto e Aleilson, que são titulares absolutos em seus clubes..

    – Quanto a escalação do Clebson, penso que o Flávio Araújo faz o correto, mantendo esse jogador, primeiramente no banco, até porque deve não ter tido tempo para encaixar o jogador, daí a não titularidade, mas tanto ele, como o Diogo Capela, foram contratados, para entrar no time titular… Agora, sem tanta pressa e principalmente, sem quebrar toda uma estrutura tática que está, ainda, sendo montada pelo Flávio…
    No jogo de hoje, o Remo já terá que mexer no time, colocando o garoto Alex Juan, imagine se ele mexeria 2 vezes, ainda mais sem saber como se comportará o garoto.. Pra mim, pouco importa se ele vai ou não continuar com 3 zagueiros, o mais importante é fazer os 2 novos contratados, subirem ao time titular..

    É a minha opinião.

    1. Concordo com você, amigo Cláudio. Pelo ritmo que vai, acredito que até o dia 17 chegaremos à marca de 3 milhões, se Deus quiser.

    1. Nata, Nata, Nata.. Flávio Araújo ainda vai se dar mal com essas escolhas de volante brucutu, amigo Cláudio. Esse Nata é um cabeça-de-bagre, um Márcio Belém piorado. Te dizer…

  2. Um dado constatado foi a fragilidade das defesas, o ,maior exemplo é a do Paysandú que mesmo seno o mais positivo dos times possui um “paneiro” de defesa! Toma gols, e muitos deles por falhas claras, erros de posicionamento, desatenção etc…
    É certo que levou 14 tentos mas para o que pretende a nível de série B vai ter que ajustar e possivelmente mudar as peças para esta competição mais árdua e mais competitiva comparada ao parazão!

  3. Pelo andar da carruagem, melhor dizendo, do público neste segundo turno, o REXPA da fase classificatória não deve chegar nem perto dos três primeiros REXPA em termos de público. Espero estar enganado… Eu estarei lá, pois entendo a importância da arrecadação para ambos os clubes.

  4. Se a contusão do Rafael Oliveira for inverídica o mesmo está deixando escapar a chance de isolar na artilharia do campeonato. O jogo de ontem foi uma enorme oportunidade para isso!

  5. Bom dia a todos amigos do blog….. quem tá fora do estado como é que faz pra assistir o jogo de REMO X TUNA ?

  6. Com todo o respeito, Belém é uma espécie de Oásis da região norte, em termos de futebol.
    Remo e Paysandu arrastam multidões aos estádios, mas quais outros times -em toda a Amazônia- o fazem?
    Nenhum, amigos.

    É muito difícil de se fazer futebol por aqui. Até porque a essência desse esporte é, principalmente, a torcida. As gozações. Os Hinos ecoados no interior das praças esportivas…E tudo isso não existe em grande escala – Exceto em Belém.

    A falta de torcedores desanima os patrocinadores, que não investem nos clubes. Sem dinheiro, o nível do futebol decai, afastando mais torcedores dos estádios. É um circulo vicioso que ainda não suplantou o amor de remistas e bicolores, mas que o pode fazer algum dia.

    Tomara que a copa expanda essa fronteira, que tem se limitado a Belém. Assim veremos campeonatos mais competitivos e menos deficitários na amazônia. É tudo que o torcedor quer.

  7. E gostaria de deixar clara a minha indignação quanto a escalação do Nata como titular.
    Que absurdo.
    Enquanto isso, Tragodara ficou de fora da relação. Novamente…
    Flávio deve ter achado que os 40 segundos que o Menino atuou contra o Santa Cruz já contam como oportunidade dada.

  8. Bom dia a todos, Penso que nessa escalacao do Flavio tiraria o Nata e colocaria o Clebson, com o Geronimo como falso ala na direita, e um dos zagueiros fazendo a cobertura tanto na direita e tambem auxiliando o Jonathan nas subidas a frente da area, acredito que bem treinado neste formato, o time ficaria mais consistente no ataque e deixaria a defesa como esta com os tres zagueiros, sendo que um dos meias voltariam para ajudar na marcacao, e com o berg na esquerda o time ficaria muito bom na saida para o ataque. Bora Leaoooooooooo

  9. Com renda total que não atinge 8 mil, o Cuiarana é a maior prova que nosso país não é sério. Se fosse, receita federal ou ministério público já teriam agido nessa evidente lavagem de dinheiro público que sustenta o elenco. Vergonhoso.

  10. Remo vai contratar todos os meias ofensivos que lhe forem possiveis, mas o técnico nao irá mudar seu esquema tático, e permanecerá apenas com um meia no time….A principio a unica alteração é no banco. Sai o ramon e entra o clebson.

  11. Uma das coisas que fez essa média não ser mais alta foi a Tuna ter marcado só um golzinho no primeiro turno. Se a Tuna tivesse marcado a estonteante média de 1 gol por jogo, a média do Parazão seria próxima de 4 por partida. Mas, parece que a Águia do Sousa tá afim de fazer no 2º turno o que não fez no 1º.

  12. Olha Cláudio , a camisa da Tuna tem seu peso e se olhares um pouquinho para trás vais ver que o Remo tem levado alguns revés .
    Nao acho o Remo a ultima coca do deserto tão proseada por ti..
    O tipo do jogo que pode derrubar muros, para a Tuna um empate vai estar na conta.

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