A antiga revistinha Seleções, de boas reportagens e direitismo explícito, tinha algumas seções interessantes. Havia lá “Aumente seu vocabulário”, “O livro do mês” e também “Meu Tipo Inesquecível”. Era um perfil de algum personagem conhecido ou não, que havia marcado a vida de alguém ou de um grupo de pessoas. Penso nisso quando vejo pelos corredores aqui do prédio da RBA o pequeno grande Raimundo Nascimento Farias, mais conhecido como “Ventinho”. Lépido, aparentando estar sempre com pressa, nem sempre é reconhecido por alguns de seus milhares de fãs.
Ao vê-lo poucos ligam o nome à figura franzina. É dele a voz inconfundível que assina as poderosas e aclamadas vinhetas de esportes da Rádio Clube do Pará. São jargões consagrados junto à torcida paraense. “Quem fez o gol, heiinnn, garoto?”, “Eu chooooroooo…”, “Cara bacana, heinnn?”. A ideia de usar sua voz frágil nas vinhetas foi um dos maiores achados da equipe de Guilherme Guerreiro. Antes, Ventinho já se notabilizava pelas participações especiais em programas campeões de audiência da grade da emissora, como “O Regatão Vem Aí”, de Jacy Duarte. Fez pontas também nos programas do locutor Valdir Araújo.
Com mais de 70 anos de idade, Ventinho trabalha no departamento administrativo da emissora com a eficiência de um garoto. É um azougue, não pára quieto. No trato pessoal, sua humildade é cativante. Gentil e amável com todos, é uma espécie de celebridade às avessas. Como todas deveriam ser. Grande figura.

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