Dor, punição e calma

Por Juca Kfouri

Nenhuma punição aos responsáveis diretos, ou indiretos, pela morte de um torcedor no estádio é suficientemente radical. Radical é a morte nas arquibancadas. Excluir o clube do torneio? Pode ser, por que não?

Ah, mas o clube não pode ser punido por causa de um bandido, até porque todos têm bandidos entre seus torcedores, como têm padres. Sim, mas os clubes, em regra, financiam esses bandidos e não os padres, aqui entendidos como os torcedores comuns, a Fiel, no caso do Corinthians, cuja marca uma torcida uniformizada tentou se apropriar.

Obrigar o clube a mandar seus jogos  com portões fechados? Pode ser, por que não? Ah, mas milhões (de padres) não podem ser punidos por causa de um bandido.

Sim, mas, então, qual a solução? Punir o San José porque organizador do jogo? É, a questão é repleta de nuances, mas a única solução inaceitável para ela é a impunidade. E, repita-se, nada é mais radical do que morrer num campo de futebol atingido por um sinalizador, um rojão, o que for.

Por ironia,  aqui se propôs que o Corinthians, do alto da sua força moral adquirida com a conquista da Libertadores, deveria exigir mudanças civilizatórias no torneio sob pena de não mais disputá-lo. Eis que o clube está, agora, diante do risco de ser dele excluído pela selvageria de um, de dois, de doze dos seus torcedores. Mas é preciso ter muita calma nesta hora.

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Primeiramente, para provar o que parece óbvio, ou seja, a culpa dos que estão detidos. E, depois, não transformar a nova tragédia em mais uma guerra clubística imbecil. Desnecessário lembrar que a estupidez, infelizmente, não é monopólio de nenhuma torcida e que todas elas já causaram mortes por onde passaram.

Os torcedores corintianos  (outra bobagem é dizer que não são verdadeiros torcedores corintianos, porque são sim) que estão detidos são: Leandro Silva de Oliveira (21 anos), Tadeu Macedo Andrade (30 anos), Reinaldo Cohelo (35 anos), José Carlos da Silva Júnior (20 anos), Marco Aurélio Mecere (31 anos), Danielo Silva de Oliveira (27 anos), Hugo Nonato (27 anos), Clever Souza Clous (21 anos), Cleuter Barreto Barros (24 anos), Fávio Neves Domingos (32 anos), Rafael Machado Castilho Araújo (18 anos) e Tiago Aurélio dos Santos Ferreira (27 anos).

Alguém os conhece? As torcidas uniformizadas os reconhecerão como seus sócios? E aí, ex-promotores de Justiça, um que de tão incapaz virou deputado tucano e outro, igualmente, licenciou-se para virar funcionário do ministério do Esporte, cadê os cadastros desta gente?

5 comentários em “Dor, punição e calma

  1. Êh ,Juqinha tocou de um lado pro outro e nao triscou na ferida principal…o Hugo Nonato da listinha acima foi ex presidente da pavilhão 9, organizada fundada pelo cara de ralo André Sanches.
    Hugo esteve no Japão financiado pelo timao e ao que parece foi a Bolívia tendo o mesmo mimo .
    Hugo tem sido o principal suspeito do disparo do foguete,tem um relacionamento próximo com Sanches e que Neto da band também esta em seu circulo de amizades..vai dai que o mesmo tem demostrado um certo incomodo em falar do assunto,passou a bola pro Datena.
    Se fosse com um clube de fora da terra do pastel ,hoje todos estariam com a faca nos dentes.Mas como se trata do Curintia,time do povão todos estão devidamente calados e quando buscam as teclas se cercam de certos cuidados…

  2. Oportuna a colocação do Juca Kfouri. Segue a lógica do senso comum, do bom senso, de que uma enchente que ocorre aqui, não pode ocorrer de novo; que um assalto acontecido ali, não deve ocorrer novamente; e que uma morte fútil, perfeitamente evitável, deve ser evitada. Conta mais a vida que a torcida e o clube, sejam quais forem. O exemplo, uma vez que se prova bom, pode ser seguido, e, o mau, deve ser evitado. Mas… Mas, numa América Latina onde a Lei positivada pelo Estado não passa nem da mentira, nem da humilhação do pobre, onde a regra do esporte é mais respeitada que uma constituição nacional, e onde a FIFA pode conseguir ser mais eficaz que o Estado? Francamente, a punição (ou não) ao Corinthians é o assunto de menos, o que seria demais seria a condenação (rápida) dos culpados (verdadeiros) à prisão.

  3. Estive pensando se seria justo eliminar da competição o clube, caso não achem os culpados. Mas se os encontrarem, que sejam condenados e, talvez, seria justo que o clube continuasse na competição.

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