Remo se isola na liderança

RemoXTuna Parazao 2013-Mario Quadros (4)

Por Gerson Nogueira

Aquela velha história de que desperdício de gol é véspera de desgraça vem se repetindo com frequência neste Parazão. Domingo, na Curuzu, o Paissandu cansou de perder gol e terminou cedendo o empate ao São Francisco. Lá em Paragominas, anteontem, o PFC abusou de atacar e levou a pior em dois contra-ataques do Papão. Ontem, no Mangueirão, a Tuna também criou várias oportunidades no primeiro tempo, outras tantas no segundo, mas no fim das contas o Remo saiu com a vitória.

A explicação pode estar no pouco entrosamento das equipes neste início de competição, o que acaba impedindo maior capricho nas jogadas de ataque. Mais do que lamentar os vacilos dos derrotados, penso que é hora de valorizar as virtudes dos vencedores.

Sem exibir aquele futebol de encher os olhos da torcida, os times de melhor campanha se destacam pela objetividade. Tanto a dupla Re-Pa quanto o São Francisco mostram, em seus melhores momentos na disputa, a capacidade de aproveitar as chances que surgem.

RemoXTuna Parazao 2013-Mario Quadros (13)

Disputados na abertura da temporada, campeonatos regionais raramente apresentam times afiados. Daí a completa injustiça de cobrar (ou esperar) atuações esplendorosas no Parazão. Leva vantagem quem erra menos e consegue fazer muito com tão pouco.

Foi assim que o Remo conquistou ontem sua segunda vitória e assumiu a liderança isolada do campeonato. Passou quase todo o primeiro tempo dando chutão e sendo imprensado em seu campo pela marcação avançada da Tuna. Ia raramente à frente e, quando fazia isso, as jogadas não tinham continuidade.

RemoXTuna Parazao 2013-Mario Quadros (19)Os tunantes cercavam, aproximavam-se com os laterais e só pecavam nas finalizações. Edilson perdeu um gol logo aos 8 minutos. Léo desperdiçou outro logo em seguida. Quando o Remo conseguiu se libertar da marcação, por iniciativa de Endy e Fábio Paulista (que recuava até o meio-campo para brigar pela bola), o jogo ficou menos monótono. E, aos 42 minutos, em descuido geral da zaga tunante, Paulista invadiu a área e tocou na saída do goleiro Alan.

O segundo tempo foi mais interessante. A Tuna correu mais, embora sentindo a falta de um atacante puro. Edilsinho se livrou da marcação no meio-de-campo e o Remo equilibrou a partida. Melhorou ainda mais com Galhardo em campo. Mas, quase ao final, os lusos desperdiçaram dois bons ataques.

De repente, o surpreendente Val Barreto, que substituiu Branco, foi lançado na área, passou pelo goleiro e tocou com sutileza. Outro bonito gol para fechar a rodada. Com os erros de posicionamento e organização, o Remo pode ainda não ter um time pronto, mas já ganhou um candidato a ídolo. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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A decepção de Cuiarana

E o Santa Cruz, hein?! Entrou no campeonato inflado pelas boas campanhas nas fases anteriores e pelos reforços caros que contratou. Em casa, contra o São Francisco, tinha tudo para se reabilitar, mas perdeu outra vez. Aí, de uma hora pra outra, passou de azarão a lanterna.

Já o Leão santareno se credencia como melhor emergente do Parazão. Rápido, audacioso e sem medo das torcidas adversárias, é um time talhado para dar trabalho. E, se bobearem, acaba chegando entre os primeiros.

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Cartola critica farra de salários

No cenário de cifras astronômicas que domina o futebol brasileiro é sempre tranquilizador ouvir um dirigente das antigas pregando contenção e austeridade. Sinal de que ainda há possibilidade de salvação. Juvenal Juvêncio, sumo-sacerdote do São Paulo, puxa a orelha da cartolagem carioca, alertando para o risco de quebradeira. Afirma que os clubes pagam mais do que podem. Refere-se a salários. “Vai ter uma sexta-feira 13 em que eles vão quebrar”, prevê.

Sempre achei que os clubes, não só os cariocas, praticam política salarial suicida. Só isso explica um bonde do nível de Vagner Love embolsar mensalmente R$ 1,5 milhão. A nova diretoria do Flamengo, num rasgo de lucidez, acabou com a farra, mas não escapou de críticas pela liberação do jogador. O Fluminense – ops, a Unimed – já é outra história. Não funciona como clube. Trata-se de um time terceirizado por um patrocinador endinheirado, capaz de pagar fortunas a badalados (como Deco) que só jogam de vez em quando. A questão é: até quando?

Juvenal fala com autoridade sobre a farra de salários. No São Paulo, um dos mais organizados clubes brasileiros, ele estabeleceu um teto salarial: R$ 300 mil, faixa dos craques indiscutíveis. Esse limite só é ultrapassado quando há participação de investidores.

Que o conselho do velho cartola seja ouvindo, inclusive por aqui.

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Direto do Twitter:

André Cavalcante @andrestm14 – “Olha, chama atenção uma qualidade que o Remo não tinha nos dois últimos anos: sorte. 2º jogo que o adversário joga melhor, mas que o Leão ganha”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 18)

14 comentários em “Remo se isola na liderança

  1. Bom dia a todos.Não concordo com o André.Ano passado foi a mesma coisa com o Remo jogando de forma horrorosa e vencendo os 3 primeiros jogos sabe se lá como.Não gostei do que vi ontem.Os laterias não funcionam,meio campo inexiste(só o Edilsinho joga alguma coisa)os volantes fazem o básico que é saber marcar, porém a saída de bola deles é muito ruim, o que dificulta e muito a transição com o ataque.Foi um festival de chutões dos zagueiros.O consolo é que defesa é muito superior a do ano passado e as opões são muito boas comparadas com o Remo de 2012.Acredito que com a chegada do Jhonatan,do Gerônimo e do Hamon as coisas podem se ajeitar

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  2. Amigos ao invés de comentar o jogo gostaria de comentar a mudança de rexpa do domingo para o sábado, motivado por motivos de segurança.
    Será mesmo que esta mudança é tão ruim? Sei que tradicional o jogo dia de domingo, isto também é uma imposição da TV aberta sobre as pessoas, mas no nosso caso também vejo beneficios na mudança. Domingo o jogo iria concorrer com os tradicionais blocos de carnaval e ainda com a jogos dos demais campeonatos que já iniciam e vão passar na TV aberta. estes dois exemplos servem de pessoas que já iriam deixar de ir ao jogo. Então como o jogo ao sábado não teremos esta concorrencia, então ao invés de brigarmos pela não alteração, vamos é arrumar um jeito de fazer com que todos possam ir ao jogo.

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  3. Amigo Gerson, eu prefiro a valorização da cautela, pelo menos no que repeita ao meu Clube do Remo. Salvo a sorte, como disse o tuiteiro, não vi maiores virtudes a valorizar no Remo e olha que eu nem esperava uma atuação esplendorosa.

    O que eu acreditava que ia acontecer era uma evolução técnica (individual e coletiva) e tática do jogo anterior para este de ontem, ainda que discreta. Ledo engano. Grande frustração. Individualmente ninguém evoluiu, mesmo o Paulista que marcou seu primeiro gol, manteve-se no mesmo nível do jogo anterior. Alguns até caíram de produção, como por exemplo o Edilsinho. Coletivamente a equipe se houve até pior. Um número exageradamente elevado de erros de passes, um deserto no meio de campo, onde imperaram a falta tanto de marcação eficiente, quanto de imaginação, zagueiros por necessidade (e por gosto também) não economizando chutões, atacantes isolados, tendo que se virar sozinhos para desferir algum chute contra a meta adversária.

    Ontem, salvo o Balotelli e o goleiro azulino, nada andou direito, eis que até o Castilho conseguiu ver que o Galhardo jogou um excelente futebol e que o time experimentou um acréscimo de qualidade depois que ele entrou. Ainda bem que nós, que eventualmente nos vemos impedidos de comparecer ao estádio, não dependemos mais só do rádio.

    Enfim, não estivesse em um de seus raros dias de “Geladeira” contra o Remo, a Tuna teria vencido a partida facilmente.

    A propósito, eu esperava que houvesse uma evolução porque senti potencial nestes jogadores azulinos, eis que formam um elenco jovem, e, individualmente, a maioria aparenta dispor de qualidade, especialmente o Galhardo. Além do que, o técnico parece que sabe o que está fazendo, dando mostras disso quando gentilmente procura baixar a bola da imprensa quando esta supervaloriza a atuação, seja do time, seja de determinados jogadores em particular.

    Mas, como esta é só a segunda rodada, eu continuo esperando e acreditando na evolução da equipe, sob todos os aspectos referido supra.

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  4. Só para retificar meu post anterior leiam “opções DE ATAQUE são muito boas”
    Quanto ao Flunimed(por sinal ajudo a pagar os salários astronômicos de Deco e cia com meu plano)lembra muito o Palmeiras da parmalat.Essa dependência de um forte patrocinador se não for acompanhada de outras ações que tragam recursos para o clube pode ser muito prejudicial posteriormente, quando do encerramento do patrocínio.È só ver a situação do pobre Pameiras depois do divórcio com o leite italiano.

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  5. Amigo Oliveira, penso que o Remo vai evoluir, até naturalmente. Por isso, são valiosos os resultados obtidos neste momento de construção da equipe.

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  6. Gerson, você tem razão quanto ao resultados, eles são valiosíssimos. Afinal, de nada adiantaria jogar bem e perder ou empatar os jogos, principalmente para o Remo que depende dos resultados positivos para alcançar seus objetivos que são cruciais. Aliás, noutros comentários que fiz desde o primeiro jogo eu mesmo destaquei este aspecto relativo à importância dos resultados positivos “neste momento de construção de construção da equipe”. Mas, neste comentário que fiz agora, preocupado, mas esperançoso, estava analisando o desenvolvimento individual, técnico e tático do time, com os olhos postos no futuro.

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  7. Acabo de ouvir o Galhardo, no Cartaz, reconhecer, de modo bem realista, que não foi possível melhorar a performance do time quando entrou em campo, eis que, segundo disse, as peças componentes do time estavam e continuaram muito distantes entre sim, principalmente os meias dos atacantes.

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  8. Início de campeonato é sempre assim, eu não cobro muito de Paysandú e do time do Baenão pois devem crescer bastante no decorrer da temporada, os resultados obtidos pelos azulinos vai ajudar bastante na classificação para a semi-final.
    Como já havia falado eu já contava com uma boa participação do time de Santarém, não houve muita divulgação na pré-temporada, se é que houve isso por lá, mas a verdade que estavam se ajeitando bem para uma estréia muito boa com o empate dentro da
    Curuzú, tá certo que vacilo do Tiago Costa…, mas o que vale é bola na rede.
    O time de Antônio Baena soube aproveitar suas oportunidades e lucrou 6 pontos, o bicolor no segundo jogo fez os gols necessários, muitos desperdiçados no primeiro jogo e agora está com quatro pontos.
    Mas não poderia deixar defalar do Cuiagrana, este que, na minha opinião, é um time tipo “fogueira de paneiro” que a imprensa colocou como favorito a vaga da série D, já esperava por este fiasco.Deve voltar a fase pré-classificatória do parazão, certamente!
    O PFC, este sim, mostrou-se mais equilibrado conquistando uma vitória fora de casa mas na segunda partida não soube fazer valer o fator campo, foi um time afobado, não entendi! Perdeu a chance de se isolar na liderança!
    O Cametá deve ser carta fora do baralho, não vai editar a mesma participação do ano passado, deve brigar para não cair.
    A Tuna me agradou pelo toque de bola, mas é muito fraco nas finalizações e o seu time e muito esquelético se comparado aos mais encorpados de Paysandú e do time do outro lado da Almirante Barroso. Tem que trabalhar muito para ganhar massa muscular pois parecem varas de bambú ao vento quando vão dividir alguma bola com os adversários.
    Acredito que depois de muitos anos vamos ter nas finais dos dois turnos o clássico rei da amazônia fazendo balançar as arquibancadas do Mangueirão nas decisões do campeonato.
    Acho que não vai haver brecha para o interior, e acredito que os azulinos não vão precisar comprar a sua vaga para a série D deste ano!
    O Águia vai só tentar escapar da primeira fase do parazão do ano que vem, o time é muito ruim e como paraense começo a me preocupar com o Águia já a título de série C mesmo ainda estando longe do campeonato. acredito que tá na hora de mudar de técnico e de filosofia de trabalho, ou se conformar com a mesmice!
    É a minha opinião e como eu vi os jogos transmitidos pela tv cultura, detalhe se fosse me guiar pelos comentários das rádios de Belém, teria outra visão do campeonato, “te dizer!”, como diz o nosso amigo Cláudio!

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