Por Gerson Nogueira
Iarley é (ainda) um grande jogador – principalmente para o Parazão e a Série B nacional – e a notícia de sua contratação merece toda a repercussão que vem obtendo. Mesmo aos 38 anos, idade considerada provecta para a maioria dos jogadores de futebol, pode-se dizer que vale o esforço financeiro empreendido pela diretoria do Paissandu. Alguns ruídos durante o processo de negociação chegaram a deixar a torcida com o pé atrás, mas é preciso entender que o negócio da bola tem dessas coisas. Ainda mais quando o atleta tem história, títulos e batalha pelo derradeiro bom contrato da carreira.

Não importa quanto o Paissandu vai gastar com Iarley (alguns arriscam dizer que seu salário ficará em torno de R$ 60 mil). Interessa é o retorno financeiro que sua presença no time irá trazer em arrecadações para o clube. No aspecto técnico, é inegável que Iarley dará ao meio-de-campo um toque de qualidade inexistente nos últimos anos. Se fizermos um esforço de memória, constataremos que o deserto de talentos permanece desde que deixou a Curuzu, há exatos dez anos.
No Goiás, onde esteve na Série B do ano passado, jogou bem menos vezes do que o time precisava. Mas, sempre que teve condições de entrar em campo, honrou o currículo. Assisti várias partidas do Goiás e confesso que a presença de Iarley era o principal motivo a me prender em frente à televisão. Por tudo isso, a diretoria do Papão acertou em cheio. O esforço para contar com o meia há de ser plenamente recompensado.
Basta imaginar o respeito que seu nome impõe. Qualquer adversário, por mais temível que seja, terá cuidados especiais quando enfrentar o Paissandu. Num campeonato niveladíssimo como sempre é a Segundona, este é um item precioso, decisivo até, principalmente se o clube conseguir cercar Iarley de parceiros de bom nível – e isso fica bem mais fácil a partir da sua presença no elenco. O cuidado com que os dirigentes têm garimpado contratações enseja essa esperança.
Ah, antes que apareçam os urubulinos de sempre ávidos em criticar por criticar, cabe dizer que a saída de Iarley em 2003 não foi sorrateira como alguns desinformados andam dizendo. Ele foi sondado, ainda nos vestiários de La Bombonera, depois do memorável jogo em que o Paissandu bateu o Boca Juniors. Naquela noite, Iarley marcou simplesmente o gol mais emblemático da história do Papão, além de ter esbanjado movimentação e desembaraço. O próprio Carlos Bianchi, técnico boquense, recomendou o negócio. Cá pra nós, que jogador brasileiro naquelas condições iria recusar a oferta? Então, vamos deixar de falsos melindres e aplaudir a volta do homem.
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Armadilhas do General Inverno
A sequencia de contusões – Zé Antonio, Valber, Carlinhos Rech e, por último, Tiago Galhardo – que o Remo enfrenta na pré-temporada foge à normalidade. Mesmo levando em conta que muitos jogadores chegaram ainda sem o necessário condicionamento, chama atenção a dificuldade de adaptação que a maioria revela em relação às condições climáticas regionais. O filme é velho conhecido nosso. Remo e Paissandu estão cansados de acumular sérios prejuízos com reforços no estaleiro em campeonatos passados.
Que o olho clínico de Flávio Araújo poupe o Remo de danos robustos e consiga montar um time razoavelmente confiável – pelo menos no aspecto físico – para o Campeonato Estadual.
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O mundo é dos consultores
Quando moleque lá em Baião minha mãezinha costumava me aconselhar a procurar ofícios rentáveis. Família pobre é assim mesmo. Vive atenta ao futuro e tenta caprichar nas escolhas. Obviamente, nem sempre dá certo. Ao invés de seguir a rentável carreira de consultor (de qualquer coisa), seguramente a mais estável de todas, danei-me a abraçar o jornalismo velho de guerra e sua proverbial pindaíba. Não lamento, nem renego o ramo, muito pelo contrário. O tema voltou à baila com a notícia de que José Maria Marin das Medalhas, atual sumo sacerdote do nobre esporte bretão no Brasil, acaba de renovar o “contrato de consultoria” com Ricardo Teixeira, ex-paxá da entidade, que ora cumpre retiro sabático em Miami, com todas as mordomias que essa condição oferece.
Teixeira embolsa todo santo mês a bagatela de R$ 120 mil pratas para pensar o futebol brazuca. Como é de conhecimento até do reino mineral, o ex-capo da CBF odiava futebol. Portanto, fico a conjeturar que pensamentos povoam a mente privilegiada desse filósofo contemporâneo sob o sol acolhedor da mais cubana das cidades ianques. Mistério…
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Assessoria aloprada
Dois pseudo-jornalistas, intitulando-se assessores do jogador Tiago Galhardo, resolveram pegar em armas contra o repórter Toni Cavalcante, do caderno Bola. Tudo porque o jornalista divulgou a notícia de que Galhardo reclamou do gramado e do mau tempo durante a pré-temporada em Castanhal. Não inventou nada, apenas reproduziu as palavras do meia contratado pelo Remo. Pois os tais assessores cismaram de desmentir a entrevista e ainda ofenderam o repórter, divulgando uma nota pública sem pé, nem cabeça. Pior: com um texto pessimamente redigido, coisa de amador. Por verdadeiros, o Bola mantém os termos da matéria publicada na edição de anteontem. E aconselha à dupla atrapalhada que, na falta de coisa melhor a fazer, vá pentear macaco – e que Galhardo arranje assessores mais competentes.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 10)
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