Pensata: Moral ou imoral

Por Janio de Freitas

Seja qual for a verdade a que José Genoíno se refere, como razão da sua “consciência serena e tranquila” e a surgir “mais cedo ou mais tarde”, sua decisão entre aceitar ou recusar a volta à Câmara é, a meu ver, de apreciação muito menos simples do que pareceu à maioria das opiniões divulgadas.

Pensei cá comigo, como faço nas dúvidas frequentes, em como agiria sob situação semelhante. Não achei resposta segura.

O motivo maior do impasse, entre vários, partiu da firmeza com que Genoino se afirma inocente, desde o início do escândalo. E cada vez com maior emoção.

Calma aí, não são todos os acusados que se dizem inocentes, não. Nem mesmo no caso desse denominado mensalão.

Marcos Valério e Delúbio Soares não o fizeram. Procuraram minimizar parte dos seus atos, justificar outros e negaram alguns, isso sim.

Silvio Pereira cedo preferiu a permuta de confissão por pena branda, a chamada delação premiada: um modo de negar a inocência.

“Legal, mas imoral!”, disseram muitos sobre a decisão de Genoino por se empossar. Imoral, moral?

Pois me dei conta de que seria exatamente como defesa de minha moral, se a sentisse injustiçada, que a posse me atrairia. Uma afirmação altiva do direito da inocência aos direitos a ela inerentes.

Também pensei em sentido oposto. Injustiças indignam e enjoam. Mandar tudo às favas, de um modo à altura da injustiça, também me pareceria possível.

Enfim, sentir a dignidade ultrajada por uma injustiça poderia justificar a decisão de José Genoino de defendê-la, com um ato político e institucional, e à sua convicção de inocência.

Não tenho como saber o que o moveu nem estou questionando a veracidade da inocência ou a culpa imputada. O assunto é outro. E é o mesmo. A dimensão e o transcurso conturbado do julgamento no Supremo deixaram um ambiente tão excitado e desmedido que mesmo os não facciosos se confundem e incorrem em imprecisões injustas.

A respeito da posse, ouvi por exemplo pela CBN, na quinta-feira, respeitado professor de filosofia dizer que “ficou provado” que José Genoino “assinou um empréstimo com o propósito de lesar o erário público”.

Tal propósito, fosse atribuído a Genoino ou ao empréstimo, não foi provado nem esteve sequer próximo disso. No valor de R$ 3 milhões, foi quitado pelo PT em parcelas depois do escândalo.

Genoino está condenado a 6 anos e 11 meses por corrupção passiva e por quadrilha, como presidente do partido em cujo interesse foram feitas as transações montadas por Marcos Valério, o PT e o Banco Rural.

Em alguma parte ou no todo dessa acusação supõe-se que esteja, com a consequente injustiça, a burla da verdade a surgir “mais cedo ou mais tarde”.

Se e quando surja, estará dizendo se a posse de José Genoíno foi “legal, mas imoral!” ou legal e moral.

5 comentários em “Pensata: Moral ou imoral

  1. Ficou bem claro, durante o julgamento, corroborado até para o Ministro petista, o Dias Tófolli que também condenou o Genoíno, que o pagamento do empréstimo não descaracteriza os crimes pelos quais ele foi condenado.

    De outra parte, enquanto não for definitiva, a condenação do Genoíno não constitui impeditivo para que ele assuma sua cadeira no Congresso. É a Constituição quem garante. Aliás, a mesma Constituição que garante ao Cachoeira o desfrute das benesses de que trata outra postagem aqui do blog.

    Talvez o Jânio pudesse fazer um cotejo entre os dois casos, o do Genoíno e o do Cachoeira.

  2. Do ponto de vista legal tudo bem, mas do ponto de vista de que foi condenado criminalmente , como ele irá se comportar e que projetos um deputado condenado por peculato, desvio, improbidade e etc pode apresentar seriamente ?Que moral ele terá para isso?Vejam que não estou opinando se ele é inocente ou culpado, até porque isso já foi feito , ele já foi considerado culpado , mas particularmente estou me eximindo de opinar, opino em relação ao fato de ele assumir um cargo em que seria necessário que ele estivesse LIMPO em todos os aspectos.

  3. Até achei ele menos comprometido com bandeira, desta feita analisou, apesar de tender sempre, mas desta feita analisou.

    RRamos

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