A dura vida dos “generais”

Por Gerson Nogueira

Recente pesquisa feita entre os jogadores da Primeira Divisão atestou a baixíssima cotação de técnicos conhecidos pela mão pesada, os chamados “generais de vestiário”. Emerson Leão surge, disparadamente, como o mais antipatizado. Até aí, nenhuma surpresa. Seus métodos pouco convencionais – com castigos e multas quase diárias – geram uma natural rejeição por parte dos boleiros. O interessante é que a posição manifestada pelos atletas acaba, de uma forma ou de outra, coincidindo com a dos dirigentes.

bol_dom_060113_11.psHá algum tempo que Leão – concentro a análise nele por ser o líder do ranking de impopularidade – tem dificuldades para se estabilizar no comando de uma equipe. É convocado, quase sempre em momentos de crise no elenco, consegue apagar o incêndio e até obtém algum resultado nos primeiros meses. À base do chicote, é bom que se diga. Mas o sucesso é efêmero e a ação é de tiro curto.

Assim que as coisas começam a se ajeitar, o técnico durão é mandado embora quase sempre por atritos com o elenco que aparentemente havia domado. Quando a relação do treinador não se desgasta com o grupo, acaba se indispondo com os dirigentes. Materializa-se então um cenário indicativo de que, em condições de normalidade, o estilo castrense de Leão não tem vez. Só serve para situações anormais.
A baixa aceitação da escola linha-dura é um sintoma dos novos tempos. Houve época, não muito distante, em que o perfil disciplinador dos treinadores era apreciado pela maioria dos clubes. O irascível Yustrich chegou a viver dias de glória nos anos 70. Nas últimas décadas, Leão foi apenas o mais notório dos durões, aquele sujeito que parece feliz por não sorrir. Felipão, também afeito à rigidez, acabou se destacando por um lado paternalista que atenua o rigor das cobranças. Ganha a confiança de seus jogadores e estabelece uma relação mais afetiva. Coincidência ou não, sua “família Scolari” saiu-se muitíssimo bem no Mundial 2002. Oito anos depois, o jeito carrancudo de Dunga não conseguiu reeditar o sucesso.
Cartilhas e regras em excesso revelam o temperamento controlador de técnicos da velha escola, servindo para enriquecer o anedotário dos “professores” da bola no Brasil. Ah, nas demais posições da pesquisa, aparecem Celso Roth, o próprio Felipão e Argel. A inclusão de Felipão na lista é meio injusta pelo passado recente, mas prova que é difícil apagar uma história. Apesar do evidente esforço de mudança da imagem, o veterano treinador continua mal avaliado. O problema – para os boleiros – é que ele está novamente comandando a cena.
No plano regional, se houvesse uma enquete entre os jogadores, não precisa de muito esforço para descobrir quem encabeçaria a lista. Edson Gaúcho, inflexível com os comandados, ganharia fácil. A exemplo de Leão, seu estilo costuma gerar resultados rápidos, mas o temperamento forte não permite que o trabalho se prolongue por muito tempo.
O fato é que a vida também é dura para os generais: preparam o terreno para que outros profissionais possam encontrar o ambiente pacificado, mas raramente têm seus méritos reconhecidos. Deixam também o legado de comparação: depois de passar pelas mãos de um capataz, até jogadores mais problemáticos dispõem-se a colaborar com o técnico que chega.
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Leãozinho expõe mazelas
A estreia do Remo na Copa São Paulo, na sexta-feira, ficou dentro das expectativas. Contra um Santos mais organizado, a molecada do Remo sentiu o impacto do gol de abertura nos primeiros minutos, em falha do goleiro Elielton, mas fez um bom segundo tempo. Importante mesmo é que o jogo expôs mazelas antigas do nosso futebol. A mais gritante é a visível má formação física dos garotos, que, diante dos grandalhões adversários, parecem nanicos. A acentuada diferença de porte se reflete no rendimento do time, que não consegue se impor nas divididas e disputas de bola aérea. Jogadores remistas tinham dificuldades para se antecipar às jogadas e quase nunca conseguiam recuperar bolas em velocidade.
No choque, perdiam todas. Ironicamente, quando conseguiu maior aproximação entre os setores, o Remo levou perigo na etapa final e perdeu duas boas chances (com Rodrigo e Jaime), mas o Santos liquidou a fatura em dois contra-ataques fulminantes. Interessante foi a participação do goleiro Elielton, que se recuperou após o erro no primeiro gol. Pegou um pênalti (o Santos ainda perderia outro) e fez pelo menos três outras grandes defesas. Além dele, somente Rodrigo e Jaime mostraram desenvoltura para fugir à dura marcação santista. Os demais tiveram atuação discreta.
Impossível não observar também defeitos de posicionamento, com a superexposição da defesa e a timidez dos laterais. Os jogadores de meio-de-campo custaram a entender que Jaime não podia passar o jogo isolado entre os beques santistas. Quando perceberam, o Remo quase conseguiu jogar de igual para igual.
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O mundo é dos empresários
O futebol está transformado – certamente para pior. Empresários ditam as regras das negociações falando em nome dos jogadores. No final do ano, o presidente Vandick Lima quase acertou com um conhecido goleiro, mas o representante do atleta rejeitou a proposta. Dias depois, o próprio jogador telefonou e se surpreendeu ao saber que alguém havia recusado a oferta em seu nome. Agora, Iarley vem negociando com o Paissandu, mas seu representante tem dificultado um acordo. Pesa negativamente, também, o fato de que o jogador pretende amarrar um contrato vantajoso. Aos 39 anos, sabe que esta é uma de suas últimas temporadas. Por parte do clube, há o receio de repetir os erros do caso Sandro, que voltou em fim de carreira e não conseguiu mais jogar em alto nível. Creio que já houve mais possibilidade de um acerto.
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Bola na Torre
O presidente da FPF, Antonio Carlos Nunes, é o convidado deste domingo. Apresentação de Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e Valmir Rodrigues. Começa às 23h45, depois do Pânico na Band.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 06)

7 comentários em “A dura vida dos “generais”

  1. Não estou dizendo que o Paulo Fernando não seja civilizado, é que no programa dele, ele pega forte com o homem do botão, como ele mesmo diz.

    Os paraibanos chamam o campeonato deles, campeonato paraibano Chevrolet. Lá só tem o Treze e o Campinense que são do interior, os dois da capital, Botafogo, anada mal das pernas e o Auto Esporte já está quase falido.

    Mesmo a FPF de lá conseguiu esta parceria, te contar…

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  2. Édson, os campeonatos matogrossense, amazonense e pasmem, até o acriano também conseguiram o patrocínio da Chevrolet.

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  3. Temática interessantíssima essa dos “generais”. Acho que o prestígio deles entrou em vertiginosa queda, quando a figura do empresário de jogadores se consolidou e ganhou prestígio. Agora, em 2012, o embate duríssimo entre o Leão e o empresário do Lucas, quando o treinador implicou com o jogador, dá uma base para este ponto de vista. Esta contenda que se desenvolveu publicamente, juntando-se aos resultados não muito animadores do tricolor paulista dentro de campo, acabou decretando a demissão do treinador. A gota d’água, foi o episódio Paulo Miranda, que envolveu o Leão e a diretoria do São Paulo.

    Interessante que com a saída do Leão ainda bem no início do campeonato brasileiro (seis jogos), o Lucas deixou de ser perseguido, mas o São Paulo acabou não chegando ao título que ficou nas mãos de um clube dirigido por um treinador disciplinador, o Fluminense, do Abel Braga, de quem os jogadores declaram gostar muito, apesar de receberem esporros homéricos durante os jogos e treinamentos, que são mais acentuados quando se dirigem ao próprio filho que também é atleta do tricolor carioca.

    Anote-se que o São Paulo chegou em 4º, uma posição à frente do Vasco, que passou o segundo turno inteirinho empacado, fingindo que jogava, deliberadamente empenhado em marcar o mínimo de pontos possível, devido a problemas salariais. Valendo lembrar que o tricolor paulista ficou a 11 pontos do Fluminense, o campeão, que devido ter ganho o título antecipadamente, meio que se desinteressou pelos jogos seguintes.

    Enfim, a antipatia que o Leão tem a capacidade de despertar em toda a comunidade boleira (desde os jogadores e dirigentes, passando pela mídia, torcedores e gandulas, até chegar às autoridades dos jogos, incluindo aí, além dos árbitros e auxiliares, os próprios policiais) é algo absolutamente inegável. Mas, me parece que os resultados dependem mesmo é da qualidade dos jogadores, da competência dos treinadores, dos salários em dia, e vá lá, de uma ajudinha da arbitragem. Não necessariamente nesta ordem.

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  4. Amigo Edson, apontei o grau de dificuldades desde o começo das especulações sobre Iarley. Para defender o Paissandu na Série B, ele pede R$ 100 mil mensais (ganhava R$ 60 mil no Goiás). Para um jogador de sua idade e com histórico de lesões, é um risco muito alto. Mas, ainda assim, o Papão fez uma contraproposta, mas Iarley e seu empresário decidiram fazer leilão, pois Bahia, Portuguesa e Criciúma entraram na briga para contratá-lo – todos da Série A.

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