Por Gerson Nogueira
Estudo divulgado nesta semana pela consultoria Pluri sobre a gestão dos 32 maiores (em torcida, pelo menos) clubes brasileiros expõe um resultado curioso quanto à realidade das principais agremiações paraenses. Se já atravessam um período turbulento quanto a finanças, a dupla Re-Pa não está melhor quando a mecanismos de transparência.
O Remo aparece na 26ª colocação e o Paissandu está lá no rabo da fila, juntamente com Bahia, Guarani e Vila Nova (GO). O clube mais transparente, pelos critérios de medição utilizados, é o Corinthians, seguido de perto por Santos, Fluminense e Palmeiras.
Atlético- PR, Vasco, Botafogo, São Paulo e Grêmio completam o bloco dos dez primeiros. Bem mais atrás no ranking, Cruzeiro, Internacional, Flamengo e Atlético-MG apresentam desempenho pífio.
A avaliação mirou a prática que os clubes têm de prestar contas e apresentar balanços. Observou se é fácil o acesso a números internos e se o balanço atualizado é disponibilizado ao público via internet. A consultoria verificou também há quanto tempo o clube publica suas contas e se mantém periodicidade regular.
Divulgação do estatuto, do organograma e do orçamento também foram itens analisados pelos técnicos. Pontos ainda foram atribuídos à exposição pública do relatório anual e da política de governança. Levou em conta também se o clube estabelece canais efetivos de comunicação com seus sócios e torcedores.
Apesar de entender que há uma melhoria gradual na capacidade de os clubes abrirem finanças e contabilidade ao público, ainda persiste um modelo antigo de administração, que mais esconde do que expõe números internos. Os únicos clubes que divulgam relatórios anuais são Corinthians e Fluminense. E somente a agremiação corintiana publica orçamento para o ano seguinte.
O levantamento da Pluri indica que a clareza contábil não contagiou todos os dirigentes, embora o São Paulo apresente os dados mais bem explicados. A conclusão, que vale também para os dois titãs paraenses – únicos clubes nortistas incluídos na pesquisa –, é de que a maioria dos clubes brasileiros ainda não percebeu o benefício que a transparência oferece, principalmente quanto ao relacionamento com patrocinadores e investidores.
Preservar a caixa-preta é uma ilusão que a economia moderna está se encarregando de derrubar em todos os níveis, inclusive no mercado futebolístico. Esconder as contas afeta a credibilidade dos clubes e significa, em última análise, perder competitividade e dinheiro.
No Pará, um caso exemplar dessa situação é a resistência que dirigentes e conselheiros do Remo demonstram em abraçar a ideia de eleições diretas – mesmo depois que o rival Paissandu aprovou a iniciativa. Essa mentalidade do atraso permite entender a falta de transparência. Se depender da cabeça de alguns dinossauros, os clubes continuarão fechados, isoladas por muros altos e, consequentemente, menores.
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Críticos do atacante Moisés defendem que seja barrado diante do Treze, amanhã, devido à sucessão de gols perdidos contra Santa Cruz e Águia. Já há até quem queira ver o execrado Rafael Oliveira de volta ao time, fazendo dupla com Kiros. Lecheva faz mistério, mas parece inclinado a prestigiar Moisés, dando-lhe nova chance. Acho que faz bem.
O atacante é o que melhor se adapta ao esquema com Kiros. Tem velocidade e facilidade para tabelinhas com os meias. Um bom contraponto ao estilo mais fixo do centroavante-pivô. E contra a estabanada defesa paraibana a dupla tem tudo para fazer as pazes com a torcida.
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Ávalos e Mendes, seguramente os maiores bondes da meia centena de jogadores importados pelo Remo na temporada, estão juntos no projeto comum de tirar uma grana firme do clube. Mendes cobra na Justiça R$ 115 mil em salários atrasados. Na mesma trilha, Ávalos reivindica R$ 124 mil. A dobradinha funcionou inclusive nas audiências no Tribunal Regional do Trabalho, onde Ávalos testemunhou por Mendes, e vice-versa.
O entrosamento demonstrado não lembra, nem de longe, a ausência de sintonia demonstrada por ambos quando defenderam o Remo em campo. Mendes fez um gol apenas na Série D e Ávalos foi responsável direto pela eliminação do time, ao falhar fragorosamente no jogo diante do Mixto.
Por outro lado, a atuação da dupla nos tribunais serve de lição para a bagunçada e descompromissada (no mau sentido, claro) diretoria do Remo, que lega ao clube neste final de mandato um rosário de dívidas e vexames.
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A próxima etapa do Campeonato Paraense Individual de Tênis de Mesa acontece nos dias 20 e 21 de outubro. O Clube de Mesatenistas de Barcarena (CMB) será o único representante interiorano na competição. O clube, apoiado pela Albras, passou pela segunda fase do campeonato e garantiu as primeiras colocações nas categorias mirim e juvenil, masculino e feminino.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 05)
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