Por Gerson Nogueira
Para quem não foi ao estádio Edgar Proença, os 90 e poucos minutos podem ser assim resumidos. Paissandu e Santa Cruz desesperados e ansiosos em busca da vitória, trocando ataques seguidos desde os primeiros minutos. Mas, para usar uma imagem do boxe, usavam jabs ao invés de diretos. Vontade, pressa, mas nenhum jeito. Um embate aberto, mas curiosamente feio. Bolas rifadas, chutões para substituir a armação de jogadas. Trombadas em excesso – mais de 80 faltas. Várias chances de gol (anotei seis), para os dois times, mas finalizações erradas. Moisés, Dênis Marques, Potiguar e Leozinho perderam os chamados gols feitos. Caso fizessem, o placar seria igual. Nada mais justo para um encontro entre times que abusam da transpiração por não ter inspiração para jogar.
Para o torcedor do Paissandu, restou a aflição e o desespero de sempre. O time repetiu as deficiências que exibe a cada rodada da Série C. Pior que isso: desta vez não contou com o que tem de mais positivo. Pikachu, bem marcado, pouco apareceu e sofreu com a ausência de jogadas pela direita. A esperada triangulação com Moisés e Tiago Potiguar, que tinha tudo (no papel) para dar samba, ficou apenas no ensaio.
Perdido entre os beques, Moisés quase não viu a bola. Potiguar era o mais desembaraçado, mas não dava sequencia às arrancadas e tentativas de drible. Pikachu, ala veloz e habilidoso, teve essas virtudes pouquíssimo exploradas e o Paissandu sofre quando ele não rende.
O drama principal permanece. Não há quem apareça para o arremate final. A bola ronda a área adversária, meio aos trancos e barrancos, mas os atacantes nunca chegam no tempo certo para bater. No primeiro tempo, o ataque mandou uma bola na trave. Moisés teve a trave escancarada à sua frente, em boa jogada de Rodrigo Fernandes, mas chutou à esquerda do goleiro Fred. Pantico, que substituiu Moisés, também desperdiçou boa oportunidade.
Por sorte, desta vez, o adversário também foi incompetente nos chutes a gol. O artilheiro Dênis Marques tropeçou na bola em vários momentos. Quando eles chegavam, o goleiro Dalton e o zagueiro Fábio Sanches estavam lá para salvar a lavoura. Não por acaso, foram os melhores em campo.
Givanildo Oliveira já identificou o problema crônico e vive experimentando atacantes, sem conseguir descobrir um digno do nome. Não por acaso, ainda no estádio tratou de avisar que vai procurar outro jogador para a função. Não há como sair da pindaíba atual sem marcar gols. É claro que a ineficiência ofensiva do Paissandu não se deve exclusivamente aos jogadores de área. Os homens responsáveis pela criação também não funcionam. Harison teve bom início, mas aos poucos foi caindo na rotina de reclamações e faltas. Alex Gaibú, o veterano que estreava, mostrou apatia e nenhum talento. Na etapa final, Robinho entrou, mas o setor continuou ineficiente e travado. No penúltimo minuto, Leandrinho ainda ganhou cartão vermelho.
Para sonhar com a classificação ou escapar da queda, o Paissandu precisa ter mais organização no meio e aplicação no ataque. Na base da afobação qualquer dos dois projetos corre sério risco de fracasso.
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Derrota do Águia em Sobral sabota os planos do técnico João Galvão, que esperava abrir vantagem sobre o Paissandu e demais perseguidores diretos. Diante do resultado, o jogo do fim de semana em Marabá se transforma em batalha decisiva para os dois representantes paraenses. Na base do cálculo e levando em conta a inconstância que reina no grupo A, ambos têm chances de subir e possibilidades de cair.
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Depois do novo show de corintianismo de Sandro Meira Ricci, desta vez contra o Botafogo, é de lamentar que ele não possa ser escalado para apitar no torneio mundial interclubes. Pela facilidade com que ignora penais contra o time mosqueteiro e a presteza com que marca a favor, seria de uma utilidade ímpar ao Corinthians no esperado duelo com o Chelsea. Grande desfalque.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 24)
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