Por Gerson Nogueira
O resultado, nas circunstâncias, foi quase uma vitória. Valorizado ainda mais pelo esforço nos minutos finais, quase obtendo a virada consagradora. De qualquer modo, para quem enfrentava o líder da chave dentro de seus domínios, o Paissandu pode considerar o empate um grande feito. Terminou o jogo com nove jogadores (Harison e Tiago Potiguar foram expulsos), o que aumenta o grau de dramaticidade.
Depois de levar um gol nos primeiros minutos, o Paissandu tentou se articular para reagir, mas falhava muito na ligação entre meio e ataque. Fator agravado pela apagada atuação de Rafael Oliveira e o sumiço de Héliton, que poucas vezes foi notado em campo. O dedo do destino acabou contribuindo para mudar as coisas, positivamente.
Uma confusão envolvendo Harison e um adversário deixou os dois times com 10 jogadores, antes dos 30 minutos de jogo. Com isso, Givanildo Oliveira viu-se na obrigação de alterar a configuração da equipe. Tirou Héliton e pôs Alex Willian em campo. Tanto Harison quanto Héliton eram peças tão improdutivas no jogo que a simples saída de ambos deu um novo impulso ao Paissandu.
Alex Willian deu velocidade à saída de jogo e passou a acionar os laterais Pikachu e Pablo. Graças à boa participação do meia-armador, Pikachu voltou a jogar como nos velhos tempos, transformando-se no grande nome do time, além de artilheiro. Tiago Potiguar passou a jogar mais perto de Rafael Oliveira, mas o último chute continuou a sair torto, desperdiçando boas chances.
Veio o período final e, mesmo com maior volume ofensivo do Paissandu, o Luverdense ampliou aos 21 minutos, aproveitando descuido da zaga. Acontece que, logo em seguida, aos 23, Pablo descontou, desviando cruzamento de Alex para as redes. O gol reacendeu esperanças e fez o time se desdobrar no ataque, correndo alguns riscos com os contragolpes do Luverdense.
Até que, aos 35 minutos, Pikachu decretou o empate, após milimétrico passe de Robinho. Placar merecido pelo esforço e a boa produção do meio-campo bicolor durante a maior parte do jogo. O importante resultado obtido só não esconde os problemas do ataque, onde nenhum dos jogadores utilizados consegue dar conta da função básica, que é fazer gols. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)
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A derrota já seria ruim, mas por dois gols de diferença tornou a missão do Remo delicadíssima no mata-mata com o Mixto. No relato dos companheiros da Rádio Clube, o time foi bem no primeiro tempo, envolvendo constantemente a marcação adversária e criando situações perigosas. Fábio Oliveira perdeu dois gols e Ratinho mandou uma bola na trave. O Mixto, encolhido, quase não ameaçava.
No segundo tempo, Reis e Ratinho estiveram muito perto de abrir o marcador, mas voltaram a falhar nos arremates. Aos poucos, aparentando cansaço, o meio-campo azulino afrouxou e o Mixto passou a pressionar mais, explorando o contra-ataque. Nonato, que não é bobo, teve duas oportunidades e aproveitou a ambas, num espaço de cinco minutos. E podia até ter fechado o caixão remista, marcando o terceiro.
Com a desvantagem, Marcelo Veiga tirou Ratinho, seu melhor atacante, e botou Laionel, fazendo ruir o que havia de organização (mesmo precária) no setor de armação. Reis, que apareceu muitas vezes ao lado de Fábio Oliveira, não teve bom rendimento no papel de homem de ligação. Mendes entrou no final, substituindo a Fábio, mas pouco acrescentou.
O fato é que a equipe não reeditou ao longo do segundo tempo a boa produção da primeira etapa e ainda permitiu as chances que o Mixto não desperdiçou.
Para domingo, no jogo decisivo, o aspecto emocional pesa mais do que o técnico. Até porque o Remo vem de uma decisão traumática nas finais do Parazão. Contra o Cametá, precisando fazer dois gols de diferença, acabou entregando o ouro quando vencia por 2 a 0 a cinco minutos do apito final. Tudo isso estará junto e misturado na nova decisão.
Ao longo da semana, Veiga terá que ser alertado para o potencial dos atacantes Cassiano e Marcelo Maciel, aparentemente esquecidos nesta nova fase, mas que podem ser muito úteis na arrumação do esquema ofensivo para domingo. Reverter o placar é missão dificílima, mas não impossível.
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Alan Fonteles, marabaense de nascimento, alcança a glória paraolímpica aos 20 anos de idade. É o coroamento de um projeto de vida, que priorizou a atividade esportiva. A medalha obtida ontem vem sendo trabalhada há 12 anos no esforço diário para alcançar a excelência.
Triste observar apenas a reação pouco generosa de seu principal oponente (e ídolo), o campeão Oscar Pistorius. Inconformado com a derrota, o sul-africano apresentou reclamação formal contra o resultado.
Uma injustiça com o herói paraense, já carinhosamente chamado de Alan Bolt, inclusive no super pôster que o DIÁRIO publica na edição de hoje em sua homenagem. Garoto de ouro.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 03)

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