Tempo de mudanças

Por Gerson Nogueira

Quando tudo parecia caminhar para um período de calmaria no estádio Evandro Almeida, apesar das sérias dificuldades na montagem da defesa, eis que o incidente no treino trouxe a instabilidade que parecia (e estava) à flor da pele na relação entre comissão técnica e setores do clube, incluindo parte do elenco. Como de praxe, na impossibilidade de demitir 10 ou 12 jogadores, o caminho mais fácil foi afastar o técnico Edson Gaúcho.

O princípio de tumulto entre com meia dúzia de torcedores durante o treino de ontem à tarde tirou Gaúcho do sério em meio à onda de críticas às contratações que indicou ao clube, culminando com a crise para formar uma dupla de zaga.

Hostilizado com faixas de protesto, o técnico enfrentou os manifestantes e a situação esteve perto de um confronto físico. Disciplinador e exigente, adorado pelos funcionários, pelos quais lutou sempre – principalmente quanto ao pagamento de salários –, Gaúcho alimentava uma tensa queda-de-braço com dirigentes e alguns jogadores mais experientes. Como gerente informal no Baenão, ia bem, mas sofria desgaste pelas dificuldades para dar entrosamento e regularidade ao time.

Ontem, antes da discussão entre o treinador e os torcedores, outra situação denunciava a insatisfação que dominava o elenco. Por iniciativa do meia Ratinho, os jogadores tiveram uma conversa reservada, para afinar o discurso e ressuscitar o manjado “pacto pela vitória”.

Estranho é que o episódio coincidiu com uma boa notícia, talvez a melhor da semana no clube: o Remo tinha acabado de obter junto à CBF o ajuste na tabela da primeira fase da Série D. O jogo contra o Vilhena, válido pela última rodada, passa para quarta-feira, 29, enquanto a partida atrasada entre Vilhena x Atlético-AC foi marcada para domingo, 26, em atenção ao próprio regulamento da competição.

A confirmação da saída de Gaúcho no começo da noite não deixou de surpreender, pois se a campanha não era impecável, os resultados não eram tão ruins. Só perdeu um jogo (justamente o de domingo, em Itacoatiara) e conseguiu levantar o astral do time após a saída de Flávio Lopes. Fica a sensação de que caiu muito mais pelas virtudes do que pelos defeitos.

De certa maneira, o ambiente criado nas últimas horas no Baenão confirma a disposição da própria diretoria em se livrar do treinador. Mas, se o afastamento atende a pressões do elenco, a diretoria pode estar dando um tiro no próprio pé. Motim de jogadores tem como vítima final o próprio clube.

Ao mesmo tempo, o anúncio imediato de Marcelo Veiga, ex-Bragantino, dá a entender que tudo estava encaminhado. Competente, o novo comandante terá um grande desafio pela frente: reestruturar o time a uma semana do jogo decisivo contra o Vilhena. Com os limitados recursos à disposição, precisará ter talentos de mágico para botar a casa em ordem.

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Givanildo Oliveira vai passar os próximos dias tentando resolver a equação do meio-de-campo. Quase duas semanas depois de ter chegado, já deve ter constatado o problema que tirou o sono de seus antecessores: a falta de um jogador que saiba organizar o jogo.

O quarteto cotado para jogar sábado tem Vânderson, Capanema, Harisson e Alex William. Deve ser a meia cancha bicolor para pegar o Icasa-CE, que vem cheio de desfalques. O perigo, caso se confirme o quarteto, está na lentidão excessiva dos jogadores e na ausência de sintonia entre os jogadores de criação.

Tanto Harisson como Alex William são habilidosos e sabem jogar, mas não têm características de construtores de jogadas. Preferem conduzir a bola a lançar ou tabelar em velocidade. A não ser que Givanildo reinvente alguns de seus armadores, terá novamente um setor capenga, que embola o jogo sempre que encara marcação mais firme.

Não se pode esquecer que as virtudes mais importantes na disputa da Série C são força e velocidade e, nos jogos realizados em Belém, o Paissandu tem tido imensa dificuldade contra times fechados, que exploram bem os contra-ataques. Foi assim contra o Fortaleza e a situação quase se repetiu frente ao Cuiabá.

Contra os cearenses, Givanildo terá ainda as opções de Leandrinho e Fabinho, recuperado de lesão. Com o segundo, a problemática permaneceria, pois é um volante que atua mais fixo à frente dos zagueiros. Já Leandrinho, apesar de ágil, tem limitações ofensivas. Por outro lado, surpreende que Neto, volante que despontou durante o campeonato estadual, continue esquecido entre os reservas.

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O poder político que o Corinthians demonstrar ter nos bastidores não encontra precedentes na história recente do futebol brasileiro. Antes, a pressão se manifestava pela força de sua imensa torcida, gerando erros de arbitragens muitas vezes escandalosos. Depois que Andrés Sanchez chegou à diretoria da CBF, a influência se consolidou no plano institucional.

Um erro de arbitragem contra os interesses corintianos – como o ocorrido no clássico com o Santos – foi suficiente para produzir punições em cascata. Primeiro, castigou-se o bandeirinha. Ontem, a CBF tomou atitude inédita: destituiu a comissão de arbitragem.

Erros terríveis já aconteceram em outras edições do Campeonato Brasileiro. Alguns beneficiaram, coincidentemente, o próprio Corinthians – como aquele acintoso penal não marcado sobre Tinga, em 2005. A diferença é que, desta vez, o todo-poderoso Timão foi prejudicado. E isso, pelas contas da CBF, não podia ser tolerado.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 23)

32 comentários em “Tempo de mudanças

    1. Amigo Cláudio, a “mídia” tem costa larga, mas não a culpe por tudo. Lembre-se sempre: ela não escala times errados, não contrata dúzias de apadrinhados nem indica pernas-de-pau, muito menos faz substituições equivocadas.

  1. Quanto ao futuro do Remo, com o Marcelo Veiga, só Deus sabe. O Remo, nesse momento de pressão da mídia, precisa de um bom técnico bombeiro, para fazer 5 jogos e levar o Leão à série C. Se fosse para começar um trabalho, esse técnico não seria o melhor para o Clube, mas para um tiro curto, se ele conseguir, pelo menos ser um bombeiro, já é alguma coisa.
    – Independente do que acontecer, Davino já deve ser contatado para iniciar um trabalho, já em Novembro,….. repetindo isso, amigos, por vários e vários anos … Eles, não aprendem.

    1. Acho que o amigo está fazendo uma pequena confusão, amigo Cláudio. Marcelo Veiga dirigiu o Bragantino por 5 temporadas, estabeleceu um recorde de longevidade, o que obviamente o credencia como um técnico para montagem de equipes, não apenas um mero bombeiro.

    2. Mas, pela madrugada, amigo Cláudio, Davino outra vez?!? Mesmo depois de todas as lambanças feitas no Paissandu? Égua, se for assim, é bom o Remo se antecipar e trazer logo Sidrailson, Kiros, Pantico, Fabinho etc., figuras carimbadas por onde o Divino passa.

  2. Cláudio, penso que o EG caiu por razões que não foram técnicas. Independentemente da lambança que fez no último jogo e alguns equívocos anteriores, não era o momento de se destemperar com torcedores, por mais errados e agressivos que fossem. Era o momento de ficar quieto e mostrar o resultado junto com a equipe. Se caiu por conta da briga, era que a bomba estorou agora mas já vinha se criando há tempos. Quando um técnico não tem o grupo na mão fica complicado e não adianta ter o pulso firme se não souber motivar seus jogadores e fazendo as substituições erradas que ele vinha fazendo. Não era o momento certo para substituição de técnico e o Remo passou a ter um respiro com a troca de datas, mas não daria pra continuar com o técnico depois desse episódio. A missão do novo técnico é prioritariamente arrumar a defesa, e fazendo isso o resto fica bem mais fácil e a classificação mais próxima.

  3. Só duas palavras. A impresão que dá é que foi tudo armado. Como já aconteceu antes, certa vez até com os jogadores. Uma meia duzia artificializa uma hostilidade e um clima para viabilizar a adoção de providências da diretoria. E esta impressão mais se reforça (além do fato do substituto já estar na agulha) quando lembramos uma outra manifestação que ocorreu recentemente, num dia de jogo, tendo como alvo a própria diretoria. Ali a expontaneidade estava à flor da pele. De todo o modo tudo o que foi dito contra o treinador vale também, e em dobro, para a diretoria.

    Fico me lembrando do ocorrido na última passagem do Givanildo pelo Clube, quando ele foi chamado para cumprir dois jogos. Tomara que não se repita.

    Sabe Gerson, só não concordo muito com sua opinião de que o EG teria sido demitido mais por suas virtudes do que por seus defeitos. Na verdade, creio que este negócio de se imiscuir na parte administrativa (que julgo ser o que você considera a virtude do EG), me parece mais uma espécie de cortina de fumaça para encobrir as muitas limitações para o cumprimento da missão precípua de um treinador de futebol e justificar os resultados negativos.

    Dito isso, de reforçar a disposição para continuar fazendo a minha parte, agora na quarta que vem, dada a transferência do jogo.

  4. Ao se contratar um técnico, uma diretoria competente deveria avaliar seu perfil e resultado com o grupo de atletas que possui. O temperamento do EG não é novidade para ninguém no Pará e isto jamais pode ser alegado como motivo para demissão, senão é atestado de INCOMPETENCIA.
    Estou de pleno acordo com o Antonio Oliveira, pois tudo parece plantado e premeditado.
    Agora e como ficam os jogadores que fizeram corpo mole? Vale lembrar que conseguiram o q qriam, derrubaram o técnico, mas e como fica a Instituição depois de ser humilhado por um time semi-amador? Estes jogadores não tem carater para vestir o nosso mando sagrado e deveriam ser demitidos todos e junto sair toda a diretoria que compactuo com tudo.

  5. Eu sabia que isso iria acontecer, mais uma vez os jogadores e funcionários derrubaram o técnico. Concordo com o Edson gaúcho quando diz que quer profissionalizar o clube, o problema é a maneira nada amistosa com que ele tenta fazer isso. Nos corredores do baenão não se falava em outra coisa a não ser a grosseria com que gaúcho tratava todo mundo. Gaúcho é um bom técnico, seria um excelente diretor de futebol, mas precisa controlar seus impulsos e sua maneira de se relacionar com os demais. Querer bater de frente com jogadores e funcionários é queda na certa, pois quando jogadores se unem, ninguém segura e sempre o técnico leva a pior. Boa sorte Gaúcho

    1. Amigo Gustavo, há dois anos, quando veio pela primeira vez dirigir o Paissandu, apontei seguidas vezes o temperamento irascível do Edson Gaúcho como um entrave para seu próprio trabalho. Sempre que dizia isso torcedores reagiam, apoiando o cara, incondicionalmente. O problema é que não vivemos numa ilha. Profissionais têm que interagir com todos que integram uma estrutura. Nos últimos dias, segundo informações que circulavam pela cidade, os jogadores não falavam mais com EG. Ficaram magoados porque ele, depois da peia em Itacoatiara, botou a culpa no time e tirou o dele da reta, no melhor estilo Zagallo. Como Leão, que ruge por três meses e depois sai como gatinho vira-lata, EG é presa de seus próprios impulsos – infelizmente, porque é um cara trabalhador.

  6. Será que a torcida remista se limita a seis indivíduos? Quem será que contratou esses desocupados: a diretoria ou os jogadores? Depois quando o técnico manda fechar portão pra treinar é arrogante.
    Tem que acabar com esse discurso que o remo é time grande, se realmente o fosse teria lugar em uma das séries do campeonato brasileiro, sem compra-lá, e não passaria por vexames no campeonato paraense.
    Agora se houve premeditação dos jogadores, será que estes irão jogar realmente para classificar o remo para série C, além de merecerem confiança?
    Na verdade o remo não passa de uma bagunça generalizada, e é assim que eles gostam de trabalhar, entra diretoria e sai diretoria, quando aparece alguém para organizar é jogado para fora. Por isso questiono, como é que um clube desarrumado quer ser grande?
    Penso que a diretoria esqueceu da cagada do R Ribeiro, que demitiu o Arthur próximo de terminar a fase de grupos da série C e foi rebaixado. A mesma coisa está acontecendo agora, na véspera de um jogo decisivo, demiti-se o técnico.
    Quero ver se o Marcelo Veiga, vai conseguir fazer esse time de perna-de-paus jogar, tendo 03 dias para conhecer os jogadores e treiná-los, além de escalar o time. Segue o alerta para o Marcelo, se perder de 4 tá fora e os jogadores ficam.

  7. Desculpem-me os remistas mais otimistas,o que não é meu caso,mas isso tá com cara de filme repetido.Lembra muito o Givanildo no Remo e o Andrade no PSC ano passado.Acho que esse Veiga só veio para fechar o caixão mesmo.Te dizer.Como disse o baluarte Cláudio,que ele pelo menos fique logo por aqui para os trabalhos de 2013.

  8. A velha política do teste e troca, até quando diretoria incompetente ?

    Diretas Já no Clube do Remo, limpeza geral da velharada da Sede Social.

  9. Marcleo Veiga deve indicar os jogadores Leo Jaime e Andre Astorga (já passou pelo Baenão).

    Léo Jaime excelente jogador porém é caro, mais basta a diretoria demitir essa ruma de atacante come e dorme que terá dinheiro para pagar ele.

  10. Sinomar é o cara. Bi_Campeão paraense com sobras e me trazem um técnico que comandava o Bragantino que não saiu da zona de rebaixamento.

    Quanto a EG penso que como gosta de trabalhar e ter quebrado aquele marasmo dos come e dorme, saiu por conta da panelinha. Onde o Fábio Oliveira estiver tudo é possível.

  11. Agora tão recorrendo a santa é? Um dia desses estavam cheios de gracinhas, agora estão atirando para todos os lados! kkkk Nada melhor, que um dia após o outro aqui neste blogue – os boçais de ontem, são os humildes de hoje.

  12. O Remo de todos estes times que estão no seu grupo é maior em tudo, mas não consegue transferir isso pra dentro de campo.

    De todos na minha opinião, imprensa e torcida não tem culpa de nada.

    Os cartolas sempre estraão inseridos nos erros e nos acertos.

    Agora tecnicos e jogadores, ganham muito bem pra ficarem presos em futricas.

    Hoje o Remo virou um mingau, com as misturas de Sinomar, Flávio Lopes, Gaúcho e agora o marcelo, sem contar com as indicações dos cartolas.

    Pra dar certo, só milagre.

    A salvação do Remo é o time se transformar da água pro vinho e começar a jogar bola.

  13. E Andre, e tanta incompetencia de nossos dirigentes, tanto do Remo como do teu time, que as vezes penso que so a ajuda divina pode salvar. Pelo menos nisso temos fé.

  14. Tambem acho Edmundo, o Charles Guerreiro seria o melhor nome a essa altura, mas como os jogadores fizeram a panelinha para tirar o EG, penso que irao vencer os proximos jogos para se justificar.

  15. Também fizeram panelinha para tirar o Flávio Lopes e, antes, para tirar o Sinomar. O problema desses atletas é caráter. Eles mandam no clube, que virou refém.

  16. Como é alta a chance de o CR ser desclassificado, caso isto aconteça, deveria mandar os penas-de-pau embora e montar um time melhor.

  17. O time do Remo ta recheado de gente mal carater. Nao basta termos dirigentes podres, temos parte do elenco sem valores morais pra vestir a camisa do Mais Querido. Desabafando.

  18. Se o Remo está recheado de mal caráteres, a culpa não pode ser totalmente creditada aos dirigentes e ao presidente do clube. A torcida azulina, também tem uma grande parcela de culpa nisso tudo, pois fica endeusando certos pernas de pau como: Adriano, Fábio Oliveira, Landu, Diego Barros entre outros assombros de ruindade.
    Mais isto não se resume apenas ao Remo, no meu Paysandu também ocorre a mesma coisa, onde muitos abobalhados, ficam enchendo a bola de Zé Augusto, este que nunca jogou alguma coisa, apenas deu uns lampejos de um razoável jogador.

  19. Sr. Andre

    Por favor não misture as coisas.

    É só ver quantos anos o Zé jogou no Papão, os títulos que ganhou
    os grandes jogos que disputou etc.., que o senhor verá o quanto de injustiça têm as suas palavras. Um apenas razoável jogadoir não enganaria tanto tempo nem faria tanta coisa.

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