Por Gerson Nogueira
Desde que atravessou a Almirante Barroso, num negócio obscuro e que não envolveu pagamento em dinheiro nem troca de atletas, o atacante mais promissor da base remista nos últimos tempos se tornou um tapa-buraco no Paissandu. É habilidoso, veloz, pouco se lesiona e sabe fazer gols, alguns até importantes, como na goleada sobre o Sport em Recife na última Copa do Brasil.
Apesar disso, não há jeito de Héliton se firmar como titular. Dedica-se aos treinos, não é um atleta difícil de ser dirigido, não cria problemas extracampo, mas é sempre relegado ao banco de reservas. Às vezes, nem isso. Desde que chegou ao Paissandu, foi comandado por técnicos de estilos bem diferentes, mas sua sorte não mudou.
Edson Gaúcho, Luiz Carlos Barbiéri, Charles, Sérgio Cosme, Roberto Fernandes, Andrade, Nad, Lecheva e agora Roberval Davino. Todos sempre são elogiosos, reconhecem sua importância e que será útil ao esquema proposto. O tempo passa, Héliton cai no esquecimento e assiste jogadores até menos talentosos passarem à sua frente.
Reservado, fica em silêncio na maior parte do tempo. Sua presença raramente é notada em meio ao grupo de jogadores. Pensando bem, a excessiva timidez do jovem atacante talvez seja o principal motivo de sua situação de eterno coadjuvante. Sua vez não chega porque ele não cobra, nem reclama.
Costuma-se dizer que a propaganda é a alma/arma do negócio. No futebol, a autopropaganda também é muito importante. Héliton não é marqueteiro, raramente dá entrevistas, não faz lobby, nem parece ser amiguinho de dirigentes. Com isso, obviamente, não tem padrinhos que possam falar em sua defesa e recomendar ao técnico de plantão que olhe com mais carinho por ele.
No Paissandu atual, exageradamente econômico no ataque, manter um atacante do nível de Héliton entre os suplentes chega a ser um luxo. Sua ausência foi mais notada no jogo contra o Santa Cruz, no Arrudão, quando o time desfrutou de condições favoráveis para o contra-ataque e não tinha em campo o homem certo para a função. Héliton viu o jogo do banco de reservas, pois Davino preferiu trocar Kiros por outro centroavante, Rafael Oliveira, que não vive um grande momento na carreira. Contra o Águia não foi sequer relacionado para o jogo.
Héliton tem deficiências de formação, como falhas nos cruzamentos e falta de combatividade. São fundamentos que podem ser trabalhados. Não é inferior a nenhum dos atletas contratados pelo Paissandu. Todos, mais ou menos, apresentam problemas técnicos. Curiosamente, Héliton é o único que não joga e sempre que entra em campo parece ter a responsabilidade de provar alguma coisa.
De minha parte, acredito que falta ao jovem atacante uma sequência de partidas que permita se firmar no time. Dentre todos os atacantes do elenco do Paissandu, Héliton é o único que ainda não teve essa oportunidade. Talvez tenha chegado a hora de lhe fazer justiça.
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Voltam os boatos sobre proposta irrecusável de compra do ginásio Serra Freire, que teria sido apresentada ao Remo por uma construtora. A localização privilegiada, na avenida Brás de Aguiar, em Nazaré, fez surgirem muitos pretendentes nos últimos anos. Não se tem notícia, contudo, de oferta concreta para aquisição do ginásio.
A cobiça pelo imóvel é tão grande que, há dois anos, a então administração do Remo chegou a dar como certa uma transação envolvendo o ginásio e parte da sede social. Para dar um empurrão, tirou a cobertura do Serra Freire, permitindo que sol e chuva destruíssem a velha quadra. Só no ano passado, o ginásio foi reformado e a quadra reconstruída.
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Basquete masculino chegou ontem à segunda vitória nos Jogos Olímpicos e avança bem. Mas tem pregado alguns sustos, vencendo apertado e estabelecendo recordes negativos. Ontem, contra a raquítica seleção britânica, o Brasil ficou oito minutos sem marcar pontos no primeiro quarto. Já havia sido assim na estreia contra os australianos.
Mesmo causando boa impressão pela forte defesa, capitaneada por Nenê e Splitter, o time fraqueja muito no ataque, dependente em excesso de Leandrinho. Dureza mesmo vai ser entrar com esse tímido jogo ofensivo contra a Espanha de Gasol, os Estados Unidos de Lebron James, a França de Tony Parker e até mesmo a Argentina de Ginóbili.
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Michael Phelps, questionado nos Estados Unidos por mau comportamento, caiu na piscina ontem e saltou para a história olímpica, conquistando um total de 19 medalhas (15 de ouro). Um verdadeiro monstro. Ganhou mais ouro do que a maioria dos países disputantes das Olimpíadas em todos os tempos. E ainda vai tentar ser o primeiro atleta a vencer três provas em três Olimpíadas consecutivas, podendo ampliar esse incrível cartel de medalhas.
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