À procura da batida perfeita

Por Gerson Nogueira

As dúvidas que Roberval Davino demonstra ter quanto à escalação ideal do Paissandu para a Série C estão diretamente ligadas ao funcionamento do meio-de-campo, fato agravado pelo afastamento (por contusão) de jogadores fundamentais em seu esquema. Alex William, o camisa 10, e Ricardo Capanema, o primeiro volante, são peças com as quais o técnico contava para consolidar a maneira de jogar do time.

É visível para quem acompanha jogos e treinos do Paissandu que Davino projeta a montagem da equipe a partir de um meio-de-campo técnico e consistente, que saiba organizar jogadas e proteger a linha de zagueiros. Enquanto não tem seu principal homem de ligação, capaz de distribuir passes e alimentar o ataque com lançamentos, o setor fica capenga. Contra equipes fechadas, em geral visitantes, esses obstáculos ganham contornos ainda mais sérios.

No confronto com o Fortaleza, os jogadores encarregados de armar as manobras ofensivas não conseguiam criar, tabelar ou trabalhar em conjunto. Vigiados de perto naquela noite, Tiago Potiguar, Harisson e até Pikachu tiveram que buscar as tentativas individuais, conduzindo a bola sem sucesso.

Sem um pingo de inspiração na meia-cancha, o Paissandu sofreu o gol e não teve força criativa para reagir. Exercia domínio aparente, mas não conseguia entrar na área adversária, a não ser através de cruzamentos facilmente neutralizados.

No Recife, o cenário se modificou. Com um meio-de-campo mais habilidoso, o passe voltou a fluir e as triangulações apareceram. Ficou evidente a evolução técnica. Sem menosprezar o fato de que o time pernambucano é bem inferior ao tricolor cearense, principalmente no setor defensivo, o que facilitou o contra-ataque. Apesar dos três gols marcados e das outras chances surgidas, o time acabou entregando a vitória ao sofrer dois gols em cinco minutos.

Certamente, todas essas situações são dimensionadas por Davino às vésperas de seu mais difícil compromisso no campeonato. A provável estreia de Alex William é a notícia mais auspiciosa para o jogo contra o Águia, adversário mais tinhoso que o Paissandu teve pela frente nos últimos anos. Todos os duelos entre as duas equipes são marcados pelo equilíbrio, tanto em Marabá quanto em Belém.

É certo que, para reencontrar o caminho da vitória, o Paissandu terá que achar sua melhor formação, além de buscar o esquema tático mais adequado. Uma das vítimas do apagão no Arruda, o 3-5-2 deve dar lugar ao 4-4-2, mas Davino e o povo que acompanha o Círio de Nazaré sabem que o segredo não está no desenho, mas nos responsáveis pelo traçado.

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Sobre a situação administrativa do Remo, registro a mensagem enviada pelo professor Nicolau Rickmann Neto. “Acho muita petulância o Edson Gaúcho (aquele que contrata ex-jogadores como Mendes) cobrar qualquer coisa, principalmente em relação a dinheiro, pois time fraco afasta a torcida e consequentemente a receita. O pior é a diretoria aceitar essa retórica de incompetência, tal qual foi a do Flávio Lopes”, observa.

Segundo Nicolau, só aqui no Pará esse tipo de comportamento é aceito sem questionamentos. “É engraçado ver esses técnicos ‘turistas’ cobrando através da imprensa pagamento de salários de funcionários e expondo a diretoria. Repito: isso não é humanismo, é estratégia para esconder a incompetência e os maus resultados”, conclui.

O Remo, como quase todos os demais clubes, é alvo fácil de críticas quanto ao modelo de gestão. Até um simples serviço de limpeza e preparação do gramado do Baenão gera atritos entre gerentes e o treinador. Por isso, quando Gaúcho estrila contra atrasos no pagamento de funcionários joga de fato para a plateia, mas não deixa de ter suas razões, na medida em que precisa de uma infraestrutura que funcione a contento.

Na verdade, por força das circunstâncias, os técnicos terminam por ocupar um vazio de poder na estrutura administrativa. Embora mantenha – e pague – gestores para cuidar dessas funções, o clube é obrigado a aturar que o responsável por dirigir o time tome conta também da cozinha e do almoxarifado. Óbvio que há algo de errado no reino leonino, abrindo espaço para as diatribes do Gaúcho e seus efeitos (calculados ou não) midiáticos.

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Como se acometida de súbito acesso de consciência, a CBF tomou coragem e finalmente recorreu na sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal, denunciando as sucessivas medidas liminares concedidas pela Justiça da Paraíba em favor da inclusão do Treze na Série C. O objetivo é defenestrar o clube de Campina Grande e readmitir o Rio Branco na competição.

Apesar de argumentar corretamente contra a lambança provocada pelo Treze, com prejuízos incalculáveis a todos os demais participantes do torneio, não deixam de ser graciosas as justificativas da CBF para o nebuloso arranjo de gabinete que garantiu a permanência do Rio Branco na Terceira Divisão, após descumprimento de normas da Fifa em 2011.

O risco, a essa altura, é que a competição volte a ser interrompida por força de novas arengas nos tribunais. Torcedores, jogadores e comissões técnicas já foram excessivamente castigados pela insistência do Treze e a falta de escrúpulos da própria CBF.

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João Galvão, há mais de cinco anos treinando o Águia, é o convidado de hoje no Bola na Torre (RBATV, 23h45), logo depois do Pânico na Band. Apresentação de Guilherme Guerreiro.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 29)

26 comentários em “À procura da batida perfeita

  1. Mais uma vez quero afirmar que só o fato de ganharem dinheiro contratando ex atletas do tipo Mendes, justifica diretoria e técnico insistirem em formulas erradas. O Leão deveria atropelar esses timecos da quarta divisão.

  2. Acho que as chaves da dinâmica que o Davino busca esta estritamente ligada há três jogadores, Leandrinho, Yago e Robinho. Pra mim o time de segunda deveria ser Dalton, Yago, Tiago Costa, Fábio Sanches e Pablo, Fabinho, Leandrinho, Alex e Robinho, Tiago e Kiros, pois com esse esquema ele pode variar a formação durante o jogo sem trocar as peça já que o Pablo pode ser tanto Lateral como Terceiro zagueiro.

  3. Bom, Gerson e amigos, pelo menos Davino viu o mesmo jogo que eu vi e, percebeu o quanto falhou o garoto Thiago Costa, contra o Santa Cruz e, resolveu barrar esse jogador, acrescentando mais um meia, que deveria ser o Washington, mas, além de não ter sido regularizado, o Robinho “comeu a bola” no jogo em Recife.
    – Penso, sinceramente, que, nesse grupo A da série C, Paysandu e Santa Cruz são as 2 melhores e mais fortes equipes e, a meu ver, com classificação certa entre os 4 primeiros.
    – Quanto ao que postou o amigo Nicolau, fica mais do que provado, aquilo que eu sempre falo aqui, que o torcedor ainda não aprendeu a culpar os nossos dirigentes. Eles sim, são os verdadeiros culpados e não o Édson, que gostaria sim de só se meter no futebol, mas ele sabe que, se a parte administrativa não funcionar, atrapalhará seu trabalho, por isso essa preocupação dele. Vale ressaltar que bons técnicos como Davino e Givanildo Oliveira, são desse mesmo estilo e faziam a mesma coisa no Remo, logo, me faz pensar que nada mudou, até hoje, administrativamente, no Leão.

    – Já que os Cardeais não se mexeram para recolocar o escudo do clube à frente do Baenão, o torcedor é que vai fazer. Agora, como os Cardeais sempre aparecem nas costas dos outros, não é de se estranhar que, mais tarde, Cabeça, Passarinho e cia. levem a fama e o torcedor nem seja lembrado por isso. É a força dos Cardeais, na mídia.
    Vale o alerta: O torcedor não é mais bobo…Te dizer…

    É a minha opinião.

  4. Aliás, Sérgio Cabeça, Presidente do Remo, está a procura de um terreno para fazer o CT do clube. Disse ele, saber que não vai conseguir construir um CT, nesses poucos meses que lhe restam, mas já quer deixar uma semente plantada…Nesse negócio de semente, Gerson e amigos, bem que ele deveria convidar o Charles Guerreiro, que adora plantar esse tipo de semente….Semente da ilusão…Te contar, mas é cada um cara de pau, amigos…

    1. Amigo Cláudio, o atual presidente do Remo pelo menos divulga um projeto real, sem ficar contando vantagem para iludir torcedor. Pior foi aquele outro que inventou a fantasiosa Super Arena do Bengui, ou do Aurá, sei lá…

  5. Matéria de um jornal, hoje, mostra que das 09 contratações indicadas pelo técnico Roberval Davino, 07 jogadores, são titulares( Dalton, M.Vinicius, F.Sanches, Régis, Fabinho, Alex Willian e Kiros) e 2, deverão ser( Pantico e Washinton) o próximo a sobrar entre os titulares, deverá ser o Leandrinho, para a entrada do Washington. Anotem.

    1. Engraçado é que a mesmíssima matéria garante que o Alex William “vem jogando regularmente”. Te contar, hein amigo Cláudio. Hehehe

    1. Essa situação é ridícula e compromete o campeonato. No fundo, amigo Cláudio, a CBF sabe que se não excluir o Treze corre o risco de ver a Série C 2012 anulada no final da temporada. O nosso amigo e especialista Inocêncio Mártires pode falar melhor a respeito, mas este é o meu entendimento.

  6. Todos estão certos o Nicolau quando reclama, o Albani quando, em pleno campeonato, vai passar as férias no Nordeste com a família, o Gaúcho quando ocupa o espaço deixado pela diretoria para evitar que tudo desande mais ainda. Errado mesmo está o torcedor que banca financeiramente toda esta farra, inclusive a que diz respeito à contratação de jogadores reconhecidamente sem qualificação alguns até já vencidos pelos rigores da idade. Mas, aí não tem jeito, é paixão do tipo daquela que não acaba.

  7. Ao tempo que registro meu descuido de não assinar o comentário anterior (anônimo), acrescento quanto ao Edson Gaúcho que ele poderia ao menos usar o mesmo rigor e competênca que utiliza para administrar o Clube na hora, respectivamente, de indicar jogadores para contratação e de treinar e escalar o time para enfrentar os adversários. Ele precisa ser tão teinador quanto é administrador.

  8. Óbvio, se o Remo contratar mais alguns acima de 35 já passa a ser burrice, não teimosia. Definindo a situação que o amigo Cláudio colocou sobre ser os dirigentes os culpados de todas as situações por que passam os clubes, estou de acordo até não ser por ele (Cláudio) defendido a tese de importar dirigentes. Rs..

  9. Independente de quem seja escalado para jogar, o importante e que o escolhido seja prestigiado pelo torcedor e que o mesmo se cinta a vontade para mostrar o seu melhor futebol. Mais pelo que eu vejo aqui de alguns torcedores e totalmente o oposto do que deveria ocorrer.
    Se o Washington e o Pantico forem melhores que o Leandrinho, Potiguar respectivamente, que entrem em campo e deem conta do recado, quanto aos que saírem do time, só irá restar torcer pelos companheiros e continuar treinando, pois só com o trabalho duro e serio e que as coisas acontecem na vida da gente.

  10. André concordo com vc que tem alguns torcedores que parecem mais interessados em criticar do que torcer, mas a gente também tem o direito de reclamar quando não concorda com algumas coisas.

    Eu por exemplo acho absurdo esse robinho no time do papão. Acho ele um jogador medíocre e extremamente limitado que já fez uns 30 jogos pelo papão e não fez praticamente nada em campo além de correr prum lado e pro outro.

    Mas se ele estiver em campo hoje vou torcer pra que jogue tudo o que não jogou até agora. fazer o que?

  11. Repostando:
    Ao tempo que assino o comentário 10 que por equívoco saiu como anônimo, registro que o Edson Gaúcho deveria empregar o mesmo rigor que utiliza na parte administrativa para indicar os jogadores para os diretores do Remo contratarem. Aliás, também não faria mal que ele usasse da mesma competência que usa em questões como gramado, cozinha, salários dos funcionários etc para treinar e escalar o time. Aliás, para ser justo cumpre dizer que o EG parece estar aprendendo tanto que vem escalando nos treinamentos, segundo o Caxiado, o mesmo time que começou o segundo tempo no jogo contra o Atlético do Acre. Tomara que ele não invente mais e que este Laionel tenha algum valor mesmo.

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