Por Gerson Nogueira
Com ataque pouco inspirado no primeiro tempo, o Paissandu teve dificuldades para superar o forte bloqueio que o Luverdense mostrou ontem na Curuzu. Apesar disso, Kiros, Pikachu e Fabinho tiveram boas oportunidades, mas falharam nas finalizações. Já no segundo tempo,
mesmo desfrutando de menos chances, o Paissandu chegou à vitória em apenas quatro minutos. Excelente resultado para um jogo que, na essência, pertenceu a um time só, pois o visitante veio apenas para se defender.
O problema mais evidente era a ausência de um organizador no meio-de-campo. Leandrinho foi escalado para a função, mas não tem habilidade para executar bem a tarefa – que normalmente seria desempenhada por Alex William, ainda lesionado.
Leandrinho conduz muito a bola e a posição exige alguém capacitado a ditar o ritmo, principalmente através de lançamentos. Posicionado mais à frente, Tiago Potiguar foi a principal vítima desse problema. Mal acionado, esbarrava sempre no raio de marcação da zaga matogrossense.
O cerco deixava o meia-atacante visivelmente nervoso, errando seguidas tentativas de drible. Aos poucos, foi impacientando o torcedor. Sua aproximação com o centroavante Kiros, que também saía muito da área, resultava improdutiva.

Como o Paissandu não se definia quanto à estratégia de ataque, caindo sempre na rotina de cruzamentos, o Luverdense decidiu contra-atacar e deu um grande susto no fim do primeiro tempo. Em duas tentativas no mesmo lance, o zagueiro Fábio Sanches evitou o gol em cima da linha.
Depois de passar em branco nos primeiros 45 minutos, Roberval Davino fez a leitura correta da situação. Não mexeu na escalação, mas alterou o posicionamento de Potiguar, que saiu da linha de combate com os zagueiros e passou a buscar o jogo, partindo com a bola dominada. Essa
medida simples tornou o jogador fundamental para a construção da vitória.

Aos 12 minutos, Kiros marcou de cabeça, abrindo o placar dentro de sua especialidade. O placar finalmente fazia justiça ao melhor rendimento do Paissandu. Se não era uma atuação exuberante, tinha pelo menos uma clara proposta ofensiva. Quatro minutos depois foi a vez de Potiguar
balançar as redes, evidenciando sua transformação em campo.
O segundo gol trouxe mais tranqüilidade à equipe, que diminuiu o ritmo esperando que o adversário saísse de seu próprio campo. Limitado, o Luverdense continuou atrás, embora arriscando um pouco mais. A 20 minutos do final, Kiros saiu para a entrada de Rafael Oliveira.
A tentativa de ampliar a vantagem terminou sabotada pela expulsão do volante Ricardo Capanema, por jogo violento, aos 38 minutos. A partir daí, o time viu-se obrigado a administrar sem maiores sustos o jogo até o final. Em torneios difíceis como a Série C, acumular pontos é o
que importa. O Paissandu fez o que lhe cabia, apesar de sofrer com algumas instabilidades.
Pela disposição anunciada ontem, a diretoria do Paissandu deve ir aos tribunais exigir sua vaga na Série B. Tudo porque o Treze da Paraíba comprou briga com a CBF, mesmo sem ter amparo no regulamento, e está conseguindo se manter na Série C.
Com razão, o Paissandu avalia que merece um lugar na Segunda Divisão porque foi diretamente prejudicado pela perda de pontos da vitória sobre o Rio Branco, na Série C do ano passado. Aqueles três pontos seriam suficientes para que o time ficasse à frente do América de
Natal, que obteve o acesso com 9 pontos ganhos.
O clube precisa apenas pesar os riscos dessa investida. Historicamente, desafiar a CBF significa sofrer punições e boicotes por anos a fio.
O Remo segue enxugando a folha salarial com a dispensa de jogadores que não estão nos planos do técnico Edson Gaúcho. Ontem, foram anunciadas as liberações de Adenísio e Tardelly. Quanto ao volante, nenhuma surpresa, pois foi uma das grandes decepções remistas na temporada.
Já o garoto, elogiado por todos os treinadores que passaram pelo clube, sai sem merecer uma oportunidade entre os titulares. Chegou a ser relacionado por Flávio Lopes para as finais do Parazão, mas não foi utilizado. Agora, com a chegada de Gaúcho, havia a expectativa de que finalmente fosse aproveitado.
Sua saída chama ainda mais atenção pelo fato de o Remo continuar no elenco com veteranos caros que não conseguem se firmar. É o caso, por exemplo, do zagueiro Ávalos, que já se preparava para disputar torneios amadores quando foi contratado.
O leitor João Lopes Junior, depois da vitória sobre o Penarol, questiona o motivo de Edu Chiquita ter ficado tanto tempo na geladeira. “A julgar pelo ritmo que soube impor ao jogo, era para ter
no mínimo jogado ao lado do Magnum no Parazão e compor um meio-campo mais clássico com dois armadores que revezam na ligação com o ataque”.
Mostra-se, porém, preocupado com o sistema defensivo. “Os dois gols sofridos para um time que tem tudo para ser o lanterna da competição expõem, mais uma vez, a fragilidade da zaga. Se a dupla de cabeças-de-área falhar, o que será da defesa? O que será de Adriano? Pior, o que será do Remo? Os seis gols contra times que não passam de esforçados dizem muito sobre esse setor da equipe”, avalia João, lamentando a péssima média de Adriano em lances de falta.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 03)


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