Por Gerson Nogueira
Há poucos dias saiu uma pesquisa que pretende traçar um retrato real do tamanho das torcidas no Brasil. Claro que, quando o assunto é paixão pelo futebol, poucas aferições são dignas de total confiança. O novo levantamento, de responsabilidade do Ibope e do jornal Lance!, fala em consulta nacional, mas peca por ignorar a massa torcedora localizada na parte de cima do mapa. Uma rápida olha nos dados apresentados revela que o Norte foi inteiramente esquecido.
Na parte de cima do ranking, até por volta da 15ª posição, poucas variações em relação ao que já se sabia. O bicho começa mesmo a pegar na parte inferior, até chegar ao 30º lugar. Destacam-se na listagem times de pouquíssima musculatura popular, embora de boas campanhas recentes.
Não há uma mísera referência aos gigantes do Pará. Potências como Remo e Paissandu, que arrastam milhares de pessoas aos estádios e dividem o Estado ao meio, são solenemente desprezados pela pesquisa. Não é a primeira vez, ressalte-se, que essa situação esquisita se repete em trabalhos do gênero.
Até mesmo o Náutico, menos popular dos clubes pernambucanos, está contemplado entre os maiorais, despontando em 21º lugar, com projeção de 800 mil torcedores. Pior ainda é ver o Atlético-GO em 26ª posição, com 400 mil possíveis adeptos. E a briosa Portuguesa de Desportos, cuja média de público por jogo não ultrapassa 400 pagantes, irrompe em 30º, com hipotéticos 100 mil aficionados.
Na realidade, a dupla Re-Pa está muito acima desse modesto patamar de torcedores. Seguramente, cada um dos tradicionais rivais deve ter algo em torno de 2,5 milhões de torcedores, levando em conta a população do Pará (7.443.904 habitantes, segundo o Censo de 2010 do IBGE). São números que garantiriam posicionamento dos mais destacados no levantamento Lance!/Ibope, acima do 12º colocado.
Chama atenção que tamanha grandeza ainda seja subestimada pelos pesquisadores, que concentraram o foco no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Afinal, são as regiões que abrigam os clubes das principais divisões do futebol nacional. Melhor (e mais justo) seria anunciar, então, que o levantamento abrange apenas torcidas das Séries A e B.
Longe de esclarecer, a pesquisa cumpre apenas a finalidade rasa de atiçar rivalidades e aquecer discussões de bar a partir de números questionáveis. Continuamos esperando por um trabalho de prospecção mais sério, rigoroso e justo, que reconheça o que está mais do que provado na prática.
A grande novidade dos treinos do Paissandu para o clássico de domingo é um jogador que está na reserva. Quem acompanhou com olhos atentos a movimentação garante que Bartola está bem e pode vir a ser utilizado por Lecheva no Re-Pa. Aliás, no primeiro turno, Bartola foi um dos destaques na vitória alviceleste por 2 a 0. Permanece, porém, o mistério em torno do súbito desaparecimento do jogador das últimas escalações do Paissandu.
Neymar, 20 anos, alcançou aquele estágio da simplificação genial. Quando a bola chega aos seus pés ganha endereço certo, de forma rápida e certeira. Foi assim no segundo gol do Santos, ontem, contra o Juan Aurich. No gramado alagado, Ganso lançou Borges, que foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Neymar recebeu na entrada da área e pegou de primeira, chute rasteiro no canto, fora do alcance do goleiro. O craque sempre faz tudo parecer mais fácil.
Direto do blog
“O grande problema do Lecheva é que o Papão não tem esquema tático. Logo, penso que tem muita gente sem marcar nesse time (Cariri, Robinho, Potiguar e Magrão). Se o Flávio Lopes viu os dois jogos do Paissandu, acredito que trabalhará nas costas dos dois laterais, principalmente do Yago Pikachu. Pode parecer esquisito o que vou falar, mas esse pode ser o jogo da salvação do Paissandu. Basta perder”.
De Cláudio Santos, técnico do Colúmbia de Val-de-Cans e crítico implacável dos treinadores locais.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 23)
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