Para reinventar o futebol brasileiro

O diário Lance! apresentou uma proposta para repaginar o futebol brasileiro atual, a partir das mudanças na CBF. Confira os nove pontos:

1- UMA NOVA GESTÃO

Mudança estatutária criando o Conselho de Administração(CA), abaixo do qual se situaria a diretoria executiva, profissional, responsável pela gestão cotidiana. O CA, formado por brasileiros de alta reputação e compaixão pelo futebol, não tem remuneração e tem a responsabilidade de contratar e demitir a diretoria, além da condução das grandes estratégias para o crescimento do futebol do Brasil. A eleição do próximo presidente da CBF seria a última de um só nome. Nas próximas, se candidatariam chapas, já com os nomes dos conselheiros. O número de conselheiros deve ser de 6 a 8, sendo que o presidente do CA tem o voto de desempate.

Este primeiro CA teria um mandato “Constituinte”, absolutamente alinhado com necessidade de revisão dos estatutos no sentido de, democraticamente apontar caminhos para o desenvolvimento do futebol brasileiro. Ao contrário do sistema atual, os clubes que disputarem no ano da eleição da CBF uma das quatro séries do Campeonato Brasileiro terão direito a voto e a indicação de nomes para a composição das chapas que disputarem as eleições.

2 – O USO DAS RECEITAS

Parcela importante da receita bruta da CBF (no mínimo 50%) passará a ser direcionada pelo seu estatuto, sem passar pelos cofres da entidade, para um FUNDO DE FOMENTO AO FUTEBOL que financie clubes e competições entre clubes promovidas pela CBF. O FFF teria uma forma de gestão compartilhada entre a confederação e os clubes, a ser definida em norma. Seria tarefa deste FFF contribuir com a contrapartida que alguns clubes possam necessitar para viabilizar a construção de Centros de Treinamento, a estruturação das divisões de base e a construção ou reforma de estádios de modo a atender às novas exigencias legais e às demandas de conforto e segurança. Parte dos recursos seria empregada, ainda, no pagamento integral de despesas de passagens, hospedagem e arbitragem das terceira e quarta divisões do Campeonato Brasileiro, o que vai significar economia para os clubes e aumentar a competitividade destas divisões de acesso.

A CBF estaria limitada em seus gastos de administração e operação a, no máximo, a parcela de receitas que entrasse nos seus cofres, sendo vetado aos seus executivos a realização de deficit orçamentário. A entidade deve apresentar e fazer publicar, trimestralmente, o seu balanço econômico/financeiro, como o fazem as maiores empresas – inclusive no site da entidade.

3- O PAPEL SOCIAL

Às atividades profissionais da CBF, prioritárias, deve ser agregada uma forte atuação social, usando o futebol como ferramenta de inclusão, especialmente voltada para crianças e adolescentes e de acordo com políticas nacionais de incentivo à prática esportiva. Deve também viabilizar a presença nos estádios, formando os torcedores do futuro. Será obrigação da entidade a publicação regular do balanço social, como é norma das empresas mais modernas do país.

4- A MUDANÇA DO CALENDÁRIO

Mudança no calendário para adaptá-lo ao dos grandes eventos de clubes e seleções e ao modelo praticado na maior parte do mundo é tarefa urgente. O aproveitamento ideal do calendário atual está comprometido por não termos férias no meio do ano, pela realização das competições continentais (Libertadores e Copa Sul-Americana) simultaneamente no mesmo semestre e pela ausência de clubes importantes da primeira divisão na Copa do Brasil. Além disso, o fato de que a Copa do Mundo, a Copa América e os Jogos Olímpicos serem disputados no meio do ano impõe que se paralise as competições mais importantes do país, perdendo os clubes importante período de atividade e compromentendo sua saúde econômica.

Esse novo calendário deve ter um período de pré-temporada, aliado com os países europeus permitindo aos times brasileiros excursionarem e, com isso, propagarem suas marcas globalmente, valorizando-as. Medida que terá efeito imediato no aumento de patrocínios e estimulará o consumo de produtos brasileiros em todo o mundo. Os estaduais e/ou regionais serão realizados no início de temporada e não poderão exceder a dez datas, livrando assim os clubes de primeira e segunda divisão de disputarem um excessivo número de jogos com prejuízos econômicos, fruto do desinteresse crescente dos torcedores.

5- A FORMAÇÃO DAS LIGAS

A CBF deve ter o compromisso de fomentar a criação e de atuar em harmonia com uma Liga Nacional de clubes, nos moldes dos países europeus. É a única maneira de termos no futuro os nossos clubes entre os maiores do mundo. Para tanto, o calendário e o sistema de disputa são peças essenciais mas não suficientes para globalizar os times do Brasil. Com a Liga, poderemos ampliar a nossa fatia nas fortunas do futebol mundial, fortalecendo as marcas dos clubes e arrecadando receitas de televisionamento e merchandising por todo o planeta. Os nossos campeonatos não são exibidos no exterior da forma como deveriam ser por que nunca foram pensados de fato para tal objetivo.

O futebol de clubes gera muito mais recursos que o de Seleções, que tem na Copa do Mundo sua maior atração, de quatro em quatro anos. A Champions League, só de TV, fatura quase o dobro que a Copa do Mundo, medindo-se períodos de quatro anos. Somente teremos condições de manter aqui uma parcela significativa dos nossos craques se passarmos a rivalizar em importância com as competições mais bem-sucedidas do mundo e com os clubes mais fortes. Este talvez deva ser o maior gol que a CBF pode marcar num cenário de cinco anos.

6- SEGURANÇA NOS ESTÁDIOS

A falta de proteção e conforto é o maior entrave para o aumento de público nos estádios. A CBF deve ser a maior articuladora e cobradora da implementação das novas políticas de segurança para o torcedor, seja cobrando do Judiciário o bom funcionamento dos tribunais de rito sumário para os estádios, seja articulando nacionalmente, com reduções de custos, itens como seguro de acidentes, assistência médica nos eventos, entre outras medidas. O resultado disso será a maior presença de famílias e um verdadeiro espetáculo de entretenimento, como deve ser o futebol.

7- NOVA ARBITRAGEM

A CBF deve trabalhar para criar a profissão de árbitro no país. Todos os que gravitam no futebol são profissionais, hoje em dia, menos os árbitros. Deve-se ampliar os investimentos na capacitação desses profissionais. Há de se garantir, ainda, a plena independência da comissão de arbitragem da entidade, submetendo o seu dirigente à aprovação do Conselho de Administração e criando mecanismos que impeçam formas de pressão e garantam a lisura do processo.

8- A JUSTIÇA DESPORTIVA

A Justiça Desportiva deve ser um braço do Judiciário Federal, remunerada em orçamento, e autonôma em relação às Federações e Confederações.

9- COMBATE À PIRATARIA

A CBF deve ter o compromisso prioritário de combater a pirataria dos produtos oficiais dos clubes, por meio de gestão política para se estabelecer convênios com a Secretaria da Receita Federal e com o Confaz visando a um aumento da arrecadação dos Estados e da União. Poderia se estabelecer um percentual de contribuição dos clubes/fabricantes para programas sociais, assim gerando um incentivo.

10 comentários em “Para reinventar o futebol brasileiro

  1. Sensacional a proposta do Lance. Se a CBF proceder dessa forma, teremos novamente campeonatos fortes e atrativos como já foram um dia. Mais uma vez, percebe-se que as críticas aos estaduais são evidentes em tempos de futebol globalizado. Os estaduais, aos poucos, ficarão apenas na memória como parte de uma época (marcante, diga-se) do nosso futebol. Hoje estão na contra-mão da história, são entulhos. A diminuição de tais competições é algo irremediável, caminha para isso.

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  2. Gerson, no fundo sabemos que por mais bem vinda que seja a proposta, e é, ela, no País dos 15%,20% nao seria aplicada…infelizmente…as vezes eu fico pensando, he he he, como seria uma gestão do Joao Carlos Kfouri a frente de uma federação ou Confederação…

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  3. Taí, é disso que gosto de discutir. Ainda ontem, preliminarmente,
    abordei essa proposta do Lance no comentário que diariamente
    apresento no programa Reporter 690 da RC. Ressalvo que poucas vezes incursiono pelas veredas do esporte , nesses comentários ,
    preferindo assuntos menos passionais.

    ferindo assuntos onde não haja leitura passional.
    P

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