Ex-assessora do Remo esclarece sobre saída

Reproduzo aqui, na íntegra, a nota divulgada pela jornalista Michelle Muniz sobre sua curta passagem pela assessoria de imprensa do Clube do Remo. Os problemas enfrentados por ela e sua equipe confirmam, infelizmente, o ambiente quase amador na estrutura dos clubes:

“Prezados colegas da imprensa esportiva, venho por meio deste ralatar os acontecimentos que levaram ao impasse entre parte das pessoas que são responsáveis pelo futebol profissional do Clube do Remo e a assessoria de comunicação deste, esclarecendo os fatos já noticiados. Fui convidada a assumir a assessoria de comunicação do Clube do Remo pelo presidente Sérgio Cabeça, que me pediu que apresentasse um projeto para que a relação com a imprensa e as ações internas fossem melhor organizadas.

E assim iniciamos o trabalho, chamei para trabalhar comigo a jornalista Aline Saavedra, que trabalhou como estagiária minha na época em que coordenei a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer, nas gestões de Jorge Panzera e Leandro Shilipake, além do estudante de comunicação Felipe Saraiva, que somou-se ao trabalho durante o início de seu percurso já em processo. Assumimos a assessoria de comunicação sem memória física das ações desenvolvidas pelo Clube, sem um arquivo de imagens ou mesmo clippings organizados, muito menos equipamentos e infra-estrutura para o desenvolvimento de um trabalho regular.

Nossa primeira ação foi criar uma rotina na relação com a imprensa, tentando profissionalizar o contato do Clube com a mesma através de um centro de difusão da informação, que é seria ASCOM, criamos o RESUMO DIÁRIO DE NOTÍCIAS que traz todas as novidades sobre todas as áreas do Remo. Esta iniciativa foi exitosa e, até agora, bastante elogiada pela grande maioria da crônica esportiva. Desde o início de nossa entrada no futebol profissional foi muito difícil; o fato de ser mulher a pessoa central no trato com imprensa, sem sombra de dúvida, trouxe estranhamento por parte da diretoria, que ainda não sabe lidar com o novo papel que nós ocupamos em todos os setores, inclusive no futebol. Portanto, desde o início, fomos tratadas como ignorantes, como incapazes. Nosso primeiro contato com os responsáveis pelo futebol, foi dentro destas características, uma reunião em que só falaram, nos explicando os fundamentos da imprensa esportiva.

Mesmo assim continuamos tentando, mas começaram as maiores agressões: por mais de uma vez, quando falávamos com as pessoas responsáveis pelo futebol profissional, as pessoas não viravam-se para falar, quando muito respondiam; consideravam suas as atribuições, na frente da crônica fomos desautorizadas e hostilizadas; iniciaram a comentar sobre a nossa vida privada; as últimas foram afirmações sobre como minha boa aparência atraia olhares mal intencionados e da dificuldade dos homens em conviver com tamanha tentação, verdadeiro desrespeito, não só a mim, mas a todas as mulheres que lutam para serem vistas como profissionais e não como objeto de desejo de hipócritas machistas; além disso, por mais de uma vez fomos os últimos a saber de notícias, algumas relevantes, pela disputa entre aqueles que querem aparecer primeiro com a informação junto à imprensa, na minha opinião uma atitude infantil.

Por duas vezes procurei a presidência reclamando dos fatos e dizer não ter ânimo para continuar, inclusive abrindo mão dos direitos contratuais firmados entre mim e o Clube, recebendo a recusa do mesmo sobre o pedido, reiterando a confiança que depositava em nosso trabalho. Conversei com meu marido sobre os acontecimentos e disse ser a favor de que persistisse, que não me deixasse abater, apesar do claro desconforto que tais situações lhe causaram.  A minha decisão era influência para o restante da equipe continuar, sobretudo pela relação de confiança comigo, pois a insatisfação dos dois já estava no limite.

Não vou citar nomes, meu objetivo não é criminalizar ninguém, apesar de alguns merecerem, viso com isto atingir um nó, um gargalo do pleno desenvolvimento da socidade humana, que é a conquista da igualdade de direitos e obrigações, quando as pessoas estão prestando atenção, ou não. Acabar com a covardia dos pequenos grupos sociais que ainda sentem-se capazes de profeirir preconceitos arcaicos protegidos pela hipocrisia que alguns idiotas ainda honram-se em chafurdar.

Desta forma termino, afirmando que saí do Remo mais remista que entrei, que respeito e confio no presidente Sérgio Cabeça, mas acho que sua atitude neste episódio deve ser exemplar, comprando este debate, que sabemos não ser fácil, mas fundamental para que fiquem claras sobre quais bases morais e ideológicas o clube com a maior torcida do norte e nordeste de nosso país está erguendo sua história.”

20 comentários em “Ex-assessora do Remo esclarece sobre saída

  1. Caro Gerson, escrevo para perguntar sobre uma postagem que fiz a respeito da comparação feita pela capa do Bola entre o Luiz Omar Pinheiro e o Eurico Miranda. É que já se passaram mais de 24 horas que postei, o tópico respectivo inclusive já saiu de evidência e ainda não foi publicado. O que estaria ocorrendo?

    Curtir

  2. Pelo que pude perceber, Gerson e amigos, a amiga Michelle é muito Profissional e, esses dirigentes do Remo, inclusive seu Presidente, são muito amadores, logo, não tinha como dar certo. Querer implantar profissionalismo onde impera o não profissionalismo, dá nisso.
    – Boa sorte a Michelle Muniz, quem sabe um dia com o Amaro Klautau, na parte administrativa do Remo(e, isso vai acontecer, anotem) aí sim ela mostre seu valor.

    Curtir

  3. Exceto o erro em dizer que o clube tem maior torcida do Norte , haja vista que o IBOPE já mostrou cientificamente que o PAPÃO tem a maior toricda do norte a referida profissional , tomando por base sua versão, está apenas trazendo à lume a verdade que só sabe quem está lá dentro.Lembram que falei aqui que um vizinho meu jogador de futebol já havia me dito que a parte interna do futebol é um mundo “podre”?

    Curtir

  4. Pastor, há algum tempo atrás o filho de um conhecido ex-dirigente azulino pediu para sair do CONDEL azulino por simplesmente sentir-se enojado com o que viu e que acredito não ser diferente do lado alvi-azul.

    Disse-me: “se soubesses o que acontece dentro de um clube de futebol não perderias mais teu tempo torcendo”.

    Toda vez que aparece uma patuscada dessa eu lembro desse sempre presente companheiro.

    Curtir

  5. Meu primo que tinha bons cacoetes pra ser jogador, fez testes em um dos tres, digamos, grandes de Belém e foi aprovado.Seis meses depois disse à família que iria desistir e voltar à estudar.Não quis detalhar , mas a mim talvez por eu ser pastor, e ter mais idade que ele, revelou coisas sórdidas que fariam corar o maior cafetão da zona do baixo meretricio mais vulgar, da cidade mais vulgar que se pensar.Conspirações, sordidez, velhacarias, homossexualismo,prevaricações, propinas, desvios de vrbas, presentes para ser titular, compatilhamento de drogas, enfim patifarias de toda a sorte.Enfim , para alguns , me disse ele isso parecia ser normal e se encaixavam , para ele não.Inclusive ele já estava com um pé no futebol japonê.Mas preferiu largar tudo.Palavras dele que nunca duvidei, embora saibamos é uma versão subjetiva.

    Curtir

  6. Mexer com a vaidade de algumas múmias dá nisso. Profissionalismo passa longe dos nossos clubes.
    E ainda tem gente com a pachorra de culpar a imprensa!
    É….
    Vai demorar pra melhorar…

    Curtir

  7. Prezado Gerson,

    Fica aqui a minha sugestão a todos os “dirigentes” de nossos clubes, sem nenhuma intenção comercial ou publicitária:
    Que façam o curso de MBA em Gestão Estratégica de Esportes, recentemente ofertado em nosso estado através da parceria Faci/FGV.
    Quem sabe assim, nossos cartolas, dão o pontapé para a profissionalização do esporte em nosso estado.
    Do jeito que a coisa vai, caminhamos para o fundo do poço, se é que já não estamos nele.

    Grande abraço,
    Israel Pegado

    Curtir

  8. Michele, siga em frente, ética é pra pouquíssimos. Em relação aos clubes de futebol e suas assessorias de imprensa, não espere muito. Eles gostam de “abafadores”. E esses são muitos.

    Curtir

  9. Tinha pensado em nunca mais comentar post a respeito do CR, mas o que me tira do sério é esta sra afirmar o CR tem a maior do norte e nordeste, é muito querer forçar a barra. Já não basta o Caxiado que é pago para falar toda hora da tal de fenômeno. Te gente que não toma simacol mesmo.

    Curtir

  10. É amigo Otávio vc tem razão.O IBOPE diz e afirma cientificamente que Fla e Mosqueteiro possuem as maiores torcidas .Todo mundo acredita.O IBOPE comfirma cientificamente com pesquisas sérias que o PAPÃO tem a maior torcida do Norte , alcançando números acima de 6 milhões de pessoas.Não acreditar ou mascarar os fatos é o caminho mais curto para NÃO orientar-se.

    Curtir

  11. Com certeza nao deixaram claro a todos dentro do clube que teriam uma profissional trabalhando na área. Amadorismo e despreparo da direção.

    Curtir

  12. Lamento o que ocorreu com a jovem jornalista, mas, é preciso não conhecer o minimo do que é a vida intestina dos chamados grandes do futebol paraenses para aceitar proposta de assessoria,
    seja lá qual for.
    Não há condições. A própria imprensa concorre quando faz ligação direta com os cartolas, alijando assim os assessores do clube. Há quem diga que nos clubes de Belém, todo mundo é pau mandado. às vez até o Pte. é mandado por alguem que não é diretor mas que manda e desmanda.

    Curtir

  13. Do Globo Esporte. com: O ranking atualizado de média de público dos 100 clubes das séries A, B, C e D. Paysandu é o 13° entre os 100 clubes, na frente de Vasco e outros grandes clubes do Brasil. E o LOP reclamando de receita.

    Curtir

  14. Oi Michele. Isso é falta de valorização e respeito a um profissional.Fui um dos primeiros Técnicos de Seg. do Trabalho,de Belém,formado na segunda turma, em 1975.Trabalhei em empresas importantes,mas q contratavam os aludidos profissionas por imposição da lei, Resolvi,depois de determinado tempo abandonar a profissão,pela falta de reconhecimento e apoio dos empresários ,q na santa ignorância achavam q os referenciados da área,eram peso morto ou deficitário para a empresa.Hoje graças a Deus enveredei pelo caminho certo e sou autônomo,sem depender de ações dessa natureza. Dá pra sentir no desabafo,a pessoa séria e competente q o é. .Parta pra outra,pois sempre haverá espaço para àqueles profissionais dignos da profissão abraçam

    Curtir

  15. Esta sra. só confirmou com outras letras, as palavras que disse o “velho Giba” – O Remo é um carro atolado-, enquanto os “donos” mandarem os profissionais não tem vez. È isso aí !!!

    Curtir

  16. Esse relato é a cara do Futebol do Pará, entregua na mão de neofitos que não possuem nenhum preparo para gerir o Clube e ainda se acham superiores e espertos quando na verdade não passam de incompetentes.

    Curtir

  17. Realmente, ela pode não querer admitir que a torcida do Paysandu é maior, mas ainda incluiu o Nordeste e levou de roldão Bahia, Santa Cruz etc. #FAIL

    Curtir

  18. Apesar da péssima situação do Clube do Remo, os dados apontam que sua torcida é quantitavamente superior na RMB, ainda que por uma pequena margem de diferença. Nos últimos 10 anos, essa diferença vem diminuindo em virtude da melhoria da imagem do PSC no cenário nacional entre 2000 e 2005, o que possibilitou a formação de jovens torcedores e uma nova geração alvi-azul, mas que ainda não pode constituir massa sólida de crescimento. Quanto a ser maior torcida do Norte, aí não há dados que sustente essa afirmação. Uma jornalista, independente de sua paixão, poderia ter evitado esse “caco”. O resto da denúncia, se comprovada – vou confiar nas informações da profissional pois trabalhou com o Panzera declaradamente torcedor do Papão – aponta para o nível de nossos dirigentes em um mundo do futebol marcado pela barbárie humana, especialmente em se tratando de gerações provincianas que se encastelam em nossa região. Na média geral, o paraense é machista e homofóbico e no futebol, penso que essa tendência aflora aliado ao amadorismo dos setoristas que cobrem os clubes. Infelizmente jamais será espaço para profissionais arejados e com o agravante de serem mulheres e objetivamente belas.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s