Coluna: A glória dos pernas de pau

O campeonato nacional entra na reta decisiva e, ao mesmo tempo, viceja uma série de pequenas polêmicas, normalmente alimentadas na mídia, sobre transações mirabolantes envolvendo jogadores de péssimo comportamento disciplinar e valorização exagerada. O certo é que vive-se no Brasil – e em alguns mercados europeus – uma espécie de reino das fábulas, com empresários e agentes atuando livremente no sentido de superdimensionar a importância de certos atletas, que pela via normal dos fatos jamais despertariam interesse maior de qualquer clube.
Quem liga a TV ou lê os jornais se depara com uma novela cheia de suspenses e subtramas. Não se está falando de um jogador de Seleção ou um goleador indiscutível. Nada disso. Tempo e espaço são dedicados em doses cavalares a notícias sobre o jogador Kléber. Revelado pelo São Paulo, saiu muito cedo do Brasil para jogar no Leste Europeu. Não emplacou por lá, voltou por baixo e ganhou chance no Palmeiras. Foi depois negociado com o Cruzeiro e, depois de criar muita confusão e colecionar expulsões em campo, voltou como ídolo ao Palmeiras, onde, diga-se, não conquistou nenhum título.
Nem bem chegou ao clube tratou de criar uma encrenca com a torcida, assumindo que na adolescência torcia pelo rival Corinthians. Quase um mês de debates na imprensa paulista sobre o palpitante acontecimento. Em seguida, tentou forçar uma transferência para o Flamengo, que irresponsavelmente chegou a acenar com incríveis R$ 10 milhões por sua aquisição. Foram mais dois meses consumidos nesse factóide, que só deu relevância ao próprio Kléber, um jogador apenas mediano, que jamais engata uma boa sequência de gols na carreira. Para coroar sua atribulada passagem pelo Palmeiras, tratou de inventar uma arenga com o técnico Felipão, que, no melhor estilo turrão, contribuiu para a presepada. Era justamente o que o atacante queria: ficar semanas sem jogar, incompatibilizado com o treinador, e utilizar seu tempo disponível para receber propostas de vários clubes de primeira linha.
O Grêmio, o mais tresloucado de todos, anda oferecendo mundos e fundos. O Corinthians, que já torra R$ 63 mil por dia com Adriano, acena com salários de até R$ 300 mil para o avante palmeirense. Diante do descalabro das ofertas e da fragilidade do futebol de Kléber, fica fácil compreender os amuos de gente como Coutinho – da célebre dupla com Pelé -, quando vê moleques como Neymar, Ganso e tantos outros faturando rios de dinheiro num piscar de olhos. O velho (e talentoso) artilheiro deve lembrar daqueles tempos do grande Santos, que pulava de uma cidade a outra e jogava até cinco vezes por semana. O futebol era de primeiríssima qualidade, mas os salários e prêmios eram dignos de trabalhadores braçais.
Kléber e seus outros privilegiados colegas de profissão não podem ser execrados pela atual situação do futebol no Brasil. São apenas personagens que lucram com a óbvia ausência de craques de verdade em campo e excesso de negociatas nos bastidores. Alguns dirigentes também se juntam à farra, transformando farsantes em ídolos de araque. Ou alguém acha que é normal o Flamengo pagar R$ 70 mil mensais a um reserva obscuro como Fierro? Enquanto esse tipo de desordem financeira prevalecer nos clubes, sob gestões imprevidentes e pouco fiscalizadas, astros de pés de barro continuarão a ser inventados a cada semana. Em resumo: como diz um velho rock do Camisa de Vênus, muita estrela para pouca constelação. 

 
O Paissandu terá uma novidade na escalação hoje contra o Luverdense: Vagner, que já foi titular inquestionável, volta ao time. A mudança, mesmo que temporária, deve garantir mais segurança à zaga, que perdeu muito quando o ex-capitão saiu para a entrada de Leandro Camilo. No aspecto tático, é evidente a preocupação de Andrade em montar um meio-de-campo de habilidade, com Robinho e Juliano, para combinar com os dois homens de ataque, Rafael e Héliton. A intenção é valorizar ao máximo a posse da bola, fazer inversões de posicionamento e obrigar o adversário a se desgastar. É um bom plano de jogo.
Ao mesmo tempo, Andrade, com aquela conversa macia que todos conhecem, apelou para a única estratégia possível a essa altura do pagode: celebrar a união interna, mesmo que seja uma utopia. Juntou as cobras criadas e pregou a necessidade de eleger a classificação como único objetivo. Pode até não dar certo, mas é um progresso em comparação ao ambiente tumultuado que havia na Curuzu antes de sua chegada.
Quanto ao adversário, a boa notícia – para o Paissandu – é que está mesmo no fio da navalha. Quem viu o lance do primeiro gol do América, domingo, deve ter percebido que o zagueiro do Luverdense não conseguiu acompanhar o atacante Max até o disparo final. Pois é desse jeito, cansado pela estafante maratona de até três jogos por semana, que o LEC vem ao Mangueirão tentar a última cartada. Só a vitória lhe serve para seguir na luta pelo acesso. O desespero, aliado à exaustão física, deve ser bem explorado pelo Papão, mas a história mostra que pode ser também um combustível perigoso. A conferir. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 16)

4 comentários em “Coluna: A glória dos pernas de pau

  1. Gerson,

    Perfeita a sua coluna. Mostra muito bem como o futebol mais vitorioso da história anda mal das pernas. Um campeonato onde pontificam Dedé (que é um “zagueiraço” para os nossos padrões atuais, mas que não chega aos pés de um Mauro Galvão, um Gamarra e um Aldair, ambos até há pouco tempo atuando), Emerson Sheik (cruzes!), Diego Souza (pasmem!), Éder Luiz (meu Deus do céu…) e outros muitos medianos é apenas um indicativo do atual nível técnico do nosso futebol. Como quase sempre isso se reflete em nossa Seleção, nada mais natural do que esta estar se arrastando em campo por relvados (e até pastos) mundo afora, menos no Brasil (que ironia não? Acho até que vão rebatizar o Emirates Stadium em Londres de New Maracanã Stadium…). Enquanto isso, Espanha, Alemanha, Holanda, Uruguai e outras seleções voam em campo e jogam entre si, em amistosos que visam testar de fato tais equipes.
    Começo a desconfiar que Gabão, Egito, Sri Lanka e Tibet (e por que não? Nunca se sabe…) são adversários apropriados para nós no momento.

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  2. Acredito, Gerson e amigos, que o Andrade, diferentemente do RF, manteve a equipe e, só mexeu no ataque, por causa da saída do Josiel, no que penso ser primordial, para que vc não desmonte o pouco conjunto que o time já estava conseguindo, ao comando do Edson Gaúcho. Agora, é dentro de campo que vamos ver se o trabalho do novo técnico, irá dar resultado ao Papão.
    – Vale lembrar, que esse negócio do LEC estar cansado, é porque jogou dentro dos seus domínios e teve que partir pra cima, logo, o desgaste é maior, mas jogando fora, o desgaste é bem menor. O que o Paysandu tem que fazer é abrir o placar logo no início, para forçar eles a sair para o jogo e, aí sim, se tornará bem mais difícil pra eles e, facilitará a vida do bicolor Paraense

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  3. Acredito, Gerson e amigos, que o Andrade, diferentemente do RF, manteve a equipe e, só mexeu no ataque, por causa da saída do Josiel, no que penso ser primordial, para que vc não desmonte o pouco conjunto que o time já estava conseguindo, ao comando do Edson Gaúcho. Agora, é dentro de campo que vamos ver se o trabalho do novo técnico, irá dar resultado ao Papão.
    – Vale lembrar, que esse negócio do LEC estar cansado, é porque jogou dentro dos seus domínios e teve que partir pra cima, logo, o desgaste é maior, mas jogando fora, o desgaste é bem menor. O que o Paysandu tem que fazer é abrir o placar logo no início, para forçar eles a sair para o jogo e, aí sim, se tornará bem mais difícil pra eles e, facilitará a vida do bicolor Paraense.
    – os amigos que participam ou aompanham o jogo On Line, aqui no blog, vale lembar, que, conforme acordei com o amigo Gerson, hoje voltaremos no jogo Paysandu x LEC, às 20:30
    Boooooooooooooooooooora Papãooooooooooooooooo

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  4. Tomara que sim amigo Columbia. Eu por exemplo não consigo mais postar.Moderado novamente até a alma.E o mais incrível é que o ator GLOBAL apareceu e posta sem problemas.Coitado do blogueiro-roqueiro espero que sane essa saga clonática.Falar no sr.Gerson , espero que tenha pego o exemplar do Correio do Estado de MS QUE LEVEI PARA ELE NA REDAÇÃO.VOU OUVIR NA SKY , pela Clube e ler seus comentários amigo Claudio.

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