Luiz Suarez já se destacava nas divisões de base, mas não foi à Copa do Mundo de 2006. Não que os treinadores a serviço da seleção uruguaia de futebol rejeitassem seu futebol. Ao contrário. Avaliou-se que era mais prático deixá-lo participar do Mundial de Juniores em 2007 para ganhar cancha internacional. O Uruguai terminou em 12º lugar, mas essa decisão estratégica permitiu que o atacante chegasse pronto à Copa seguinte, na África do Sul.
Suarez se juntaria a Diego Forlán e, a partir da belíssima campanha no mundial sul-africano, tomaram a dianteira no processo de ressurreição do futebol uruguaio perante o mundo. Com o quarto lugar na Copa, a Celeste resgatou o respeito de todos, após décadas de fiascos. Forlán ainda levou o troféu de melhor jogador do torneio.
Na Copa América que acaba hoje Forlán e Suarez, craques reconhecidos por todos, comandam o Uruguai em busca do primeiro título de ressonância desde o renascimento. É sempre prazeroso falar sobre um time que tem dois jogadores de alta categoria, que jogam em função de fazer gols.
Os dois astros uruguaios pontificam em campo, mas é importante ressaltar que há um esforço muito mais profundo, que inclui planejamento e execução de projetos voltados para a formação de jogadores, desde que Oscar Tabarez assumiu o comando.
O título mundial sub-17, conquistado no mês passado, reflete diretamente o acerto desse trabalho de preparação paciente, que está vinculado à educação de qualidade. E tem na figura de Tabarez um papel exponencial. Ex-professor de escolas primárias no Uruguai, ganhou o prêmio da Unesco destinado a desportistas empenhados em contribuir com a educação infantil. Seus jogadores costumam ressaltar que o técnico jamais levanta a voz ou fala palavrões, e trata o futebol como além de ganhar ou perder. Enfim, um professor de verdade.
E é para este Uruguai que a maioria dos fãs de futebol irão torcer neste domingo, pois é a única seleção que mostrou na Argentina a solidez técnica digna de um título continental.
Ecos da campanha brasileira na Copa América. O Twitter de Paulo Henrique Ganso (@SamsungPHGanso), que em apenas 13 dias havia atingido 100 mil seguidores, sofreu um processo de desaceleração depois do insucesso da Seleção (e do meia paraense) em gramados argentinos. Quarenta dias depois, o microblog de PHG ainda não chegou a 200 mil seguidores – tinha, até sábado, exatos 192.055.
De Cubillas, craque dos anos 70 e maior jogador do futebol peruano em todos os tempos: “Um jogo sem gols é como um jardim sem flores”. Simples, poético, certeiro.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 24)

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