O coração tropical faz com que sejamos sempre radicais, 8 ou 80, sem meio-termo. Derrotas, ainda mais como a de ontem, têm o condão de fazer todo mundo mergulhar na mais amarga frustração, como se não houvesse amanhã. E há – precisamente daqui a três anos. É na Copa do Mundo de 2014 que se deve pensar.
Eu sei, foi vergonhoso perder quatro penalidades num torneio continental, também fiquei invocado, mas não é nesse detalhe que se deve centrar as preocupações. Se o Brasil passasse pelo Paraguai não significaria que a Seleção é maravilhosa. Do mesmo jeito, a eliminação não significa o desastre total que muitos estão vendo. Apesar da tradição, Copa América não é torneio de primeira linha.
O trabalho de preparação para o mundial está apenas começando e, em face dos muitos erros, deve ser urgentemente reformulado. Há necessidade de mudanças urgentes nos critérios de escolha dos jogadores. A geração de Lúcio & cia. não pode servir de referência para a nova Seleção Brasileira.
Mano Menezes não pode ser crucificado pelos chutes tortos de Elano, Tiago Silva, André Santos e Fred, mas deve ser cobrado pela visão equivocada sobre o selecionado. Não pode ficar aprisionado a um passado que nada venceu. Júlio César, Lúcio, Robinho, Kaká (que não foi chamado desta vez), Fred, Ronaldinho Gaúcho e outros remanescentes de 2006 e 2010 devem abrir espaço para novas apostas.
O técnico também precisa ser mais preciso na leitura dos jogos. Errou feio ontem ao tirar Paulo Henrique Ganso em momento capital da partida. Mesmo muito marcado, PHG era o único organizador, com talento para lançar os atacantes e criar chances reais de gol. Sem ele, o Brasil se nivelou ao Paraguai nos chutões e na correria. Não podia dar certo.
Como é próprio do Brasil, não me surpreenderia se começarem a brotar defensores de Dunga e seu estilo missionário. Não se pode incorrer nesse erro. O time não está bem, precisa evoluir muito ainda, mas jamais deve ser comparado a um projeto fracassado.
Dunga ganhou Copa América, Copa das Confederações, se saiu bem nas eliminatórias. Seu time jogava feio, mas muitos aplaudiam porque dava resultado. Bem, resultou na perda da Copa do Mundo, fazendo exibições horrorosas e dando pontapés. Felizmente, temos tempo de sobra para evitar repetir o mesmo erro. Com ou sem Mano Menezes.
“Dimos todo y no pudo ser. La desilusión de ustedes es la nuestra. Rescato que siempre quisimos jugar al futbol”. Palavras de Sergio Kun Aguero, centroavante da Argentina, explicando-se (sem desculpas furadas) com os patrícios pela eliminação frente ao Uruguai. Pelo tom pesaroso, até nas derrotas os hermanos parecem sinceramente mais antenados com a torcida do que os nossos boleiros.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 18)
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