Não há mais dúvida: o principal destaque do returno do Campeonato Paraense é o São Raimundo, que aplicou goleada no Independente, ontem, e assumiu a liderança isolada desta etapa. Com todos os méritos, diga-se. Charles Guerreiro, campeão de 2010 e especialista na montagem de times para consumo doméstico, opera um pequeno milagre ao comando do representante santareno.
Assumiu o time no fim do primeiro turno em meio a uma crise monumental, depois que Sebastião Rocha saiu até no tapa com dirigentes e foi praticamente expulso de Santarém. Com tranqüilidade, Charles reconstruiu a equipe, que era lanterna da competição. Aproveitou os melhores valores disponíveis e aos poucos deu feição vencedora ao São Raimundo.
Alcançou de cara a façanha de derrotar os três grandes da capital e, ao longo do returno, foi ganhando força e entusiasmando a normalmente vibrante torcida santarena. Com isso, passou a acumular vitórias e caminhou até a categórica apresentação de ontem, quando garantiu presença nas semifinais com uma rodada de antecedência.
É importante observar que Charles só ganhou dois reforços (Vélber e Aldivan) para empreender a boa campanha. Seu maior mérito foi dar organização tática, consistência ofensiva e confiança a um time que marcou somente nove gols na fase inicial e já chegou a 13 neste turno.
Em Marabá, no sábado à noite, o Águia festejou o Dia das Mães, afastando o Paissandu do returno e voltando à briga para não cair. E venceu com autoridade, apesar dos muitos desfalques. Dominou a partida de cabo a rabo, falhando no primeiro tempo por falta de maior presença ofensiva.
No segundo tempo, João Galvão estabeleceu a vitória explorando as conhecidas deficiências defensivas do Paissandu, que foi escalado num esdrúxulo 3-5-2, que não disfarça o maior aleijão do time: a ausência de um criador de jogadas.
Por puro oportunismo, Rafael Oliveira ainda conseguiu fazer um golzinho, mas ao longo do jogo a equipe de Sérgio Cosme foi facilmente envolvida e podia ter sofrido um escore mais vexatório.
É um fenômeno. Fraquíssimo, inseguro e dado a engolir frangos, Renan se mantém há mais de um ano como titular absoluto do Internacional, um dos grandes clubes do país. Sai técnico, entra técnico e ele continua lá, firme e intocável. Ou tem padrinho muito forte ou os colorados gostam mesmo de emoções fortes. Ontem, no primeiro Gre-Nal da decisão gaúcha, voltou a aprontar das suas. Foi o responsável direto pela derrota do Inter, falhando em dois gols gremistas.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 09)
Deixe uma resposta para blogdogersonnogueiraCancelar resposta