Floresce, há dois anos, um perigoso movimento contra o que ainda resta de atraente no futebol paraense. Refiro-me ao excesso de exigências e vaidades da comissão de vistoria dos estádios do Campeonato Paraense. Os critérios envolvem minúcias que não alteram em nada o nível de segurança, nem trazem qualquer benefício prático para o torcedor, que, em tese, é o objeto da preocupação das autoridades.
Dirigentes de clubes interioranos queixam-se de atitudes hostis e deselegantes por parte de militares que integram a equipe, sempre refratários a qualquer conciliação para resolver problemas menores.
Desde que o campeonato começou, três partidas foram diretamente afetados por essa postura. No sábado passado, em Tucuruí, a ordem de interdição foi comunicada à direção do Independente cerca de 20 minutos antes do começo da partida contra o Paissandu, criando vários embaraços, além de afugentar o público. No domingo, em Cametá, a falta do documento liberatório não impediu que o jogo fosse realizado.
Por fim, na quarta-feira, São Raimundo e Cametá jogaram no estádio Jader Barbalho, em Santarém, com portões fechados. Tudo porque uma arquibancada não foi erguida a tempo, conforme previsto inicialmente. Será que a falta desse módulo poria em risco as demais áreas do estádio? O bom senso e a opinião de engenheiros indicam que não. O certo é que todos perderam com o veto imposto pela comissão.
A pergunta que não quer calar: por que as vistorias não foram feitas antes da abertura da competição? Deixar o tempo correr para, em cima da hora, condenar as instalações dos estádios evidencia preocupação com holofotes. Na era midiática que atravessamos, há muita gente ávida por notoriedade, fato que sempre colide com práticas realmente nobres.
Esquisito também é o peso dos critérios que podem levar à interdição. A comissão verifica a estrutura dos estádios, o estado dos banheiros, a segurança das grades e até a capacidade das luminárias, mas liga a mínima para as condições do campo de jogo. Quase todos os gramados (?) do torneio são impróprios para o futebol, não resistindo a uma inspeção mais séria. A comissão, porém, até hoje não ameaçou interditar nenhum deles. E vida que segue.
Remo e Paissandu terão diferentes graus de dificuldade na rodada deste domingo. Contra o Castanhal, logo cedo, o Remo precisará se apresentar melhor do que em Cametá há uma semana, além de torcer por bom tempo. E é fato que as carências ofensivas se manifestam de maneira mais aguda quando o time de Comelli joga longe do Baenão.
Na Curuzu, à tarde, a lógica indica que Tiago Potiguar, Mendes & cia. devem dar novas alegrias à Fiel. O Cametá, que parou o Remo e venceu em Santarém, tem bons valores – Leandro Cearense, Robinho, Cassiano – mas enfrentará o melhor time do campeonato dentro de seu caldeirão.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 6)
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