Há quem implique com jogadores muito habilidosos. A reclamação mais corriqueira é a de que são “delegados” e querem vencer o jogo, sozinhos. Jamais aceitei essa tendência rabugenta. Prefiro sempre o driblador contumaz ao mediano monótono. Tiago Potiguar, que desarrumou com a defesa da Tuna ontem, ainda recebeu críticas da torcida em alguns lances.
É certo que poderia ter passado mais a bola ou deveria ter caprichado mais nas finalizações. Tudo bem, mas Potiguar também fez o que um time espera de seu principal jogador. Tomou a iniciativa, não se escondeu em nenhum momento, foi incansável nas ações de ataque e ainda fez gol. Fazer mais que isso seria a perfeição absoluta e, como se sabe, isso não existe.
Além de Potiguar, o Paissandu teve outro jogador decisivo. Dois jogos, dois gols. Definitivamente, o tuiteiro Mendes começa a conquistar o coração da Fiel Bicolor. Perdeu duas boas oportunidades, mas deixou sua marca, confirmando a condição de titular, de fato e direito.
Tão desembaraçado em campo quanto nas entrevistas, o atacante repetiu o bom desempenho mostrado em Tucuruí e foi fundamental, junto com Tiago Potiguar, para a terceira vitória do Paissandu no torneio. Potiguar desequilibra, Mendes empolga.
Mas o Paissandu não foi só Potiguar e Mendes. É preciso destacar o trabalho impecável do meio-de-campo, pela dinâmica e variedade de jogadas. Até Alexandre Carioca, normalmente sóbrio, apareceu bastante. Billy e Sandro, porém, funcionaram como os motores da equipe.
Graças ao ritmo ditado pela meia cancha, a partida se tornou incrivelmente fácil para o Paissandu. A Tuna, lutadora desde sempre, pecou no quesito criatividade. Alexandre Pinho, seu armador mais talentoso, não rendeu o esperado e a ligação com o ataque raramente se efetivava.
Não se pode atribuir a Pinho, porém, a responsabilidade maior pelo fraco nível do setor. Léo, Negreti e Welton pareciam travados. Sobra juventude e vontade, mas nem sempre isso basta para vencer.
A partir de avanços organizados e em bloco, o Paissandu imprensou a Tuna durante todo o primeiro tempo. Chutou muito e impôs um cerco competente, alternando cruzamentos e infiltrações. No segundo período, a partida ficou mais lenta. Os lances de área rarearam, mas houve tempo ainda para mais um gol, o de Mendes, mais do que merecido. O Paissandu está com o time quase pronto, mas ainda pode melhorar.
Cercado de expectativa pela rivalidade pessoal com o Paissandu, Adriano jogou muito. Pegou até pênalti, fiel às suas características, mas não podia fazer milagre. Apesar disso, se algo não mudar no restante do time, nem o “Paredão” será capaz de salvar a Tuna do desastre.
Apesar de alguns informes, o Remo ainda não bateu o martelo quanto ao novo atacante. Rodrigão e Adriano Magrão foram contatados, mas os dirigentes ainda negociam. Até o fechamento da edição, Magrão estava mais próximo de um acordo para defender o Leão no campeonato.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 4)
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