12 comentários em “Capa do Bola, edição de quinta-feira, 23

  1. Faltou critério na unificação

    Se a intenção era boa, a execução passou longe disso.
    A unificação dos títulos brasileiros pela CBF foi exagerada e jogou desastradamente no mesmo balaio conquistas muito diferentes.

    Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa não são farinha do mesmo saco. Não é possível comparar a primeira, disputada entre 1959 e 1968 com o segundo, entre 1967 e 1970.

    Nem com a melhor das boas vontades, é possível nivelar o atual Campeonato Brasileiro (1971-2010) com a Taça Brasil, torneio regionalizado – em que times de Rio e São Paulo já entravam nas fases decisivas – onde em cinco, seis partidas, se conquistava o título.

    A intenção era homenagear Pelé?!

    Mas de quais homenagens ainda precisa o Rei, além das legítimas e justas que recebe todos os dias ao redor do mundo?

    Não se pode atropelar o bom senso em nome disso.

    O Santos foi campeão cinco vezes seguidas da Taça Brasil (1961-65), tendo jogado no total 24 jogos, média de menos de CINCO por ano.

    Um dos argumentos comuns para defender a unificação, de que “era o campeonato mais importante da época”, é frágil. Corre-se o risco de termos que unificar competições regionais ainda mais antigas, como o Rio-São Paulo, porque “era o campeonato mais importante da época”.

    Era uma OUTRA época, com a sua importância, mas que simplesmente não pode ser comparada ou nivelada à atual.

    Simples assim.

    Pela insólita unificação, o Palmeiras passa a ter dois títulos brasileiros no mesmo ano (1967), quando ganhou o Robertão e a Taça Brasil. No ano seguinte, em seis partidas “e meia” (a sétima foi interrompida), o Botafogo levou a mesma Taça Brasil numa competição com times que simplesmente abandonaram a disputa.

    Quase bizarro.

    O Robertão (ou Taça de Prata), conquistado duas vezes por Palmeiras, uma pelo Santos e outra pelo Fluminense, tinha característica e dificuldade semelhantes ao atual campeonato. Unificá-lo às conquistas atuais não era obrigatório, mas sensato.

    Mas dizer que “se unificar estes tem que unificar tudo”, se não for desconhecimento, é despir-se de bom senso e vestir-se de torcedor.

    Mais que isso: é legitimar que, num futuro próximo, os vencedores da Copa do Brasil (esta sim, semelhante à Taça Brasil) também reivindiquem – com toda razão – que suas conquistas sejam unificadas no mesmo pacote.

    A mais simples e óbvia unificação sensata para o futebol brasileiro seria:

    Taça Brasil = Copa do Brasil
    Robertão = Campeonato Brasileiro

    Assim como a decisão mais simples, óbvia, e sensata sobre 1987 seria – no mínimo – dividir o título oficialmente entre Flamengo e Sport.

    Mas eu disse “óbvia”, “sensata” e “futebol brasileiro” na mesma frase?

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  2. Faltou critério na unificação

    Se a intenção era boa, a execução passou longe disso.
    A unificação dos títulos brasileiros pela CBF foi exagerada e jogou desastradamente no mesmo balaio conquistas muito diferentes.

    Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa não são farinha do mesmo saco. Não é possível comparar a primeira, disputada entre 1959 e 1968 com o segundo, entre 1967 e 1970.

    Nem com a melhor das boas vontades, é possível nivelar o atual Campeonato Brasileiro (1971-2010) com a Taça Brasil, torneio regionalizado – em que times de Rio e São Paulo já entravam nas fases decisivas – onde em cinco, seis partidas, se conquistava o título.

    A intenção era homenagear Pelé?!

    Mas de quais homenagens ainda precisa o Rei, além das legítimas e justas que recebe todos os dias ao redor do mundo?

    Não se pode atropelar o bom senso em nome disso.

    O Santos foi campeão cinco vezes seguidas da Taça Brasil (1961-65), tendo jogado no total 24 jogos, média de menos de CINCO por ano.

    Um dos argumentos comuns para defender a unificação, de que “era o campeonato mais importante da época”, é frágil. Corre-se o risco de termos que unificar competições regionais ainda mais antigas, como o Rio-São Paulo, porque “era o campeonato mais importante da época”.

    Era uma OUTRA época, com a sua importância, mas que simplesmente não pode ser comparada ou nivelada à atual.

    Simples assim.

    Pela insólita unificação, o Palmeiras passa a ter dois títulos brasileiros no mesmo ano (1967), quando ganhou o Robertão e a Taça Brasil. No ano seguinte, em seis partidas “e meia” (a sétima foi interrompida), o Botafogo levou a mesma Taça Brasil numa competição com times que simplesmente abandonaram a disputa.

    Quase bizarro.

    O Robertão (ou Taça de Prata), conquistado duas vezes por Palmeiras, uma pelo Santos e outra pelo Fluminense, tinha característica e dificuldade semelhantes ao atual campeonato. Unificá-lo às conquistas atuais não era obrigatório, mas sensato.

    Mas dizer que “se unificar estes tem que unificar tudo”, se não for desconhecimento, é despir-se de bom senso e vestir-se de torcedor.

    Mais que isso: é legitimar que, num futuro próximo, os vencedores da Copa do Brasil (esta sim, semelhante à Taça Brasil) também reivindiquem – com toda razão – que suas conquistas sejam unificadas no mesmo pacote.

    A mais simples e óbvia unificação sensata para o futebol brasileiro seria:

    Taça Brasil = Copa do Brasil
    Robertão = Campeonato Brasileiro

    Assim como a decisão mais simples, óbvia, e sensata sobre 1987 seria – no mínimo – dividir o título oficialmente entre Flamengo e Sport.

    Mas eu disse “óbvia”, “sensata” e “futebol brasileiro” na mesma frase?

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