Coluna: A tradição ameaçada

Nossa paixão pelo lado romântico do futebol por vezes nubla o raciocínio mais objetivo. Avaliei, embalado por aquela simpatia natural que o clube desperta em todos os paraenses, que a Tuna estaria na briga direta por uma das vagas à fase principal do Campeonato Paraense. Palpite infeliz. Como já ocorre há duas temporadas, a Lusa corre o sério risco de não participar do principal banquete do futebol local.

O time é fraco, demorou a se armar e garimpou alguns poucos reforços de última hora, mas não conseguiu se estruturar a ponto de fazer frente aos adversários mais fortes desta etapa classificatória. Ananindeua, Castanhal e Parauapebas disputam de verdade o acesso. Os demais – Tuna, Abaeté, Sport, Santa Rosa e Time Negra – estão mais para coadjuvantes, com chances remotas de sucesso.

Pode-se dizer que a Tuna não encarou seriamente o desafio de voltar à elite. Tradicional celeiro de bons jogadores, especializando-se na revelação de nomes a cada ano, a agremiação desta vez não encontrou na base a força necessária para montar um time competitivo.

Além das fragilidades técnicas do time, o futebol tunante padece de falta de suporte e estrutura para atender a equipe profissional. É como se a Lusa de tantas glórias – duas vezes campeã brasileira – tivesse desaprendido a cuidar de futebol.

Na quarta-feira, antes do jogo com o Sport Belém, os jogadores não tinham transporte para ir ao estádio. Alguns se arranjaram em caronas, outros de ônibus e bicicletas, expondo a atual situação do futebol cruzmaltino e o grau de importância que a diretoria confere à modalidade.

Durante anos, várias diretorias da Tuna ensaiaram pedir licenciamento do futebol, a fim de priorizar modalidades amadoras e a vida social do clube. Manuel Chipelo, um de seus mais atuantes e apaixonados dirigentes, jamais permitiu que essa opção prevalecesse.

Pois agora, diante da maneira trôpega e descuidada como o atual time foi formado e entregue a um empresário (Flávio Goiano), entendo que talvez fosse mais digno sair de cena por uns tempos. Para voltar mais forte e com tunantes verdadeiramente comprometidos com a história do clube. 

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Marlene da Silva, torcedora do Paissandu, além de dúvidas quanto às possibilidades de sucesso do recém-contratado Sérgio Cosme, escreve à coluna para criticar a estranha opção dos dirigentes do Paissandu por socorrer o Time Negra, clube dirigido pelo filho do presidente Luiz Omar Pinheiro. “Ou seja, o Paissandu, que deveria estar se preparando para o tal torneio internacional, arrisca seus jogadores num campeonato inferior”.

Para Marlene, o Paissandu vem sendo desrespeitado diariamente. “Atitudes e ações noticiadas estão envergonhando a grande nação bicolor. Diante de tanto descalabros dessa diretoria, estou desmotivada, triste e desesperançada, por isso, tomei a decisão de não ir mais a nenhum jogo do Paissandu enquanto esses incompetentes estiverem no cargo. Também desistir de pagar o sócio-torcedor. Não aguento mais!”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 10) 

9 comentários em “Coluna: A tradição ameaçada

  1. Acompanhando a situação calamitosa da Tuna, é inevitável traçar um paralelo com Remo e Paysandu, tamanha é a semelhança no declínio do trio.

    Remo e Paysandu, outrora, habituais frequentadores da elite do futebol brasileiro, hoje parecem estacionados, sem perspectiva de evolução. Só não estão piores por terem torcida e sempre conseguirem uma verba aqui, um patrocínio ali. No entanto seguem em trajetória acentuada de queda, cada vez mais próximos da Tuna. Não sei de nenhum torcedor que esteja animado com os noticiários de Remo e Paysandu. Se nada mudar, será inevitável o Parazão um dia vir a ser dominado pelos times do interior.

    Conheço um torcedor que deixou o Pará há cerca de seis anos, tendo assistido a todos os grandes momentos do nosso futebol, e que retornou por estes dias, em férias: está horrorizado com o que vê no noticiário, tal a falta de perspectivas. Conta que lá fora já não somos mais vistos como o El Dorado de outrora. A ausência da mídia nos relegou a um quase anonimato. A idéia de que somos decadentes já está arraigada lá fora, o que é grave, pois será difícil mudar tal conceito, além de afastar jogadores e técnicos. Sei, por ouvir de outros torcedores, que no Ceará e na Bahia, nossa imagem caiu a zero. O que se diz por lá é que nosso futebol acabou. Também não fazemos nada para mudar o quadro. Dirigentes perdedores e perdulários continuam sendo eleitos e reeleitos seguidamente, o que compromete ainda mais a credibilidade de nossos grandes e desanima o torcedor…

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  2. Ninguém desaprende a andar de bicicleta, jogar bola e outras coisas mais. O que abateu e hoje gera consequências a TUNA são as mesmas razões que aniquilam a dupla REPA, ou seja: Falta de SERIEDADE, COMPETÊNCIA, ORGANIZAÇÃO e a pior de todas a CORRUPÇÃO. Sem esquecer que outros apetrechos adornam esta árvore de natal.

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  3. “entendo que talvez fosse mais digno sair de cena por uns tempos. Para voltar mais forte e com tunantes verdadeiramente comprometidos com a história do clube”

    essa foi segura! o atual presiidente simplesmente e’ adepto dos pijamas da Curuzu. vai dai…

    Os ultimos presidentes da Tuna nao sabem o tamanho que tem a marca Tuna Luso, ficam eternamente sonhado em ter um clube social ugualzinho ao Gremio Literario. Clube que saiu das entranhas dos tugas do Souza.

    Sempre que aparece tunantes serios para fazer algo no Futebol, ficam com ciumeuiras e etccc.

    Nos torcedores Tunantes somos sustimados dentro do propio Souza.
    Gerson,É igualmente consensual entre tunantes , que o Futebol e’ o nosso maior patrimonio e que com ele morto, a Tuna deixara’ de existir.

    Sigo acreditando que ainda podemos nos reerguer, mesmo vendo este cenario negro que encobre ha algumas epocas o Chico Vasques.

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  4. Mais um anos Sem praticamente nada a ganhar e com tudo a perder.

    “Está tudo bem, está tudo bem! Estamos a ser bombardeados por fora e minados por dentro, mas está tudo bem!”

    Segiremos a empunhar a bandeira, para isto servem os adeptos , desistir nunca! ora pois!

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  5. Bom dia Gerson Nogueira e Amigos do Blog;
    Entendo que devemos acreditar no trabalho do Sérgio Cosme, afinal, ele já está contratado, apesar de algum tempo inativo de comando Técnico, quando atuou como tal, realizou grandes trabalhos, teve passagem destacada no gremio de porto alegre, e no próprio fluminense e não vale dizer que isso já faz muito tempo; lembremos o Arthur Neto reerguendo o rebaixado Goiás, a perda do título inédito da Sul americana, não o desmerece nunca, no entanto, quando por aqui passou no comando do nosso BICOLOR AMAZÔNICO, não ganhou nada, nem do tradicional adversário que na ocasião improvisara o Aguinaldo como técnico.
    Se dará certo ou não é outro assunto pois ninguém tem bola de cristal, agora que ele chegou agindo bonito ah! isso chegou, senão vejamos:
    1- Manteve a CT local, só trouxe o seu Aux. técnico, isso é muito bom;
    2- Promete aproveitar ao máximo, a prata da casa, principalmente os da base, isso é excelente, sempre reclamamos por isso.
    3- ontem no cartaz esportivo ele falou algo muito legal, “as carências ficam prá depois, eu vou conhecer e avaliar o que o clube tem.
    O cara merece crédito, não torçamos contra o GRANDE BICOLOR AMAZÔNICO.

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  6. Gerson,
    Concordo com os seus comentários sobre o atual time da Tuna. O Clube não tinha recurso suficiente para fazer um time forte, capaz de reerguer o nome tunante. A base (o sub-20) tinha sido dispensada pois não havia recursos para mantê-la na ativa. Não havia uma coordenação geral do futebol (da base ao profissional) com planejamento de longo prazo. O que se apresenta hoje é consequência das limitações financeiras existentes.

    Naturalmente a chave do sucesso em qualquer empresa é fazer muito com pouco, mas o técnico contratado não tinha esta capacidade, mesmo com o apoio que recebeu dos torcedores e abnegados.

    A vantagem da Tuna em relação a dupla Remo e Paissandu é que o clube está praticamente saneado financeiramente e, com um bom planejamento no próximo ano, poderá rapidamente criar um modelo de gestão inovador para o futebol paraense por meio de parcerias com o setor privado. Entretanto, isso exige vontade política e uma capacidade extraordinária de implementação. Vamos ver o que vai acontecer!!

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  7. A desilusão da Marlene tem fundamento e encontra eco em parcela significativa da grande massa ALVI-CELESTE, já presenciei várias manifestações semelhantes à dela e também sou partícipe desse sentimento, pois o GRANDE BICOLOR AMAZÔNICO está sendo defenestrado por quem é o guadião maior, DA HONRA E DA HISTÓRIA VITORIOSA DESSA NAÇÃO, quero acrescentar à lista apresentada pela Marlene mais uma de cuja já me manifestei anteriormente neste blog, inclusive, refiro-me ao sandro, traíra e entregador que continua vinculado ao bicolor e treinando com os demais do grupo; quero lembrar ao aLOPrado, ele voltou, que PARAENSE TEM SANGUE CABANO, MARRA E VERGONHA NA CARA! o sandro é um cancro que precisa ser extirpado e proibido de pisar na Curuzú, pro bem do GRANDE BICOLOR AMAZÔNICO.

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  8. Por partes:
    Essa falta de seriedade da diretoria da Tuna para com o futebol profissional já foi observada por mim, Nada contra a comissão técnica que lá está, mas a Tuna precisa de algo mais.

    Com relação ao Time Negra, acho que o Paysandu deveria deixar essa parceria de lado e centrar suas forças no seu elenco e pensar nas três competições que temos a disputar em 2011. Essa de emprestar jogador é o fim da picada. Desmotiva o torcedor, desvaloriza o jogador e mostra o amadorismo como o clube está sendo tratado.

    Por fim, continuarei indo assistir os jogos, pagando o sócio-torcedor. Não é num momento desse que vou me afastar dessa paixão que é o Paysandu.
    Orgulho de ser paraense. Orgulho de ser Paysandu.

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  9. Que Deus o ouça, amigo Harold. É doloroso demais ver a derrocada cruzmaltina ao longo dos anos, sem que apareça alguém disposto a estancar a queda.

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