Três décadas sem John Lennon

Do blog de Jamari França (jamsessions)

Pouco depois de meia-noite do dia oito para o dia nove de dezembro de 1980, o doutor Stephan Lynn, chefe da emergência do Hospital Roosevelt, na esquina da Nona Avenida com a Rua 59, em Nova York, saiu para falar com o batalhão de jornalistas aglomerados do lado de fora.
– John Lennon foi trazido num carro de policia para o pronto socorro do Hospital Roosevelt esta noite, pouco depois das 11 horas. Ele estava morto ao dar entrada. Extensos esforços para ressuscitá-lo foram feitos mas, a despeito de transfusões e outras medidas, não foi possive salvá-lo. Ele tinha sete ferimentos a bala no braço esquerdo, no peito e nas costas. Houve danos significativos nos principais vasos do peito que provocaram maciça perda de sangue, o que provavelmente resultou na sua morte. O óbito foi declarado às 23h 07m. (Obs. A time line dos acontecimentos é meio estranha. Ele teria saído do estúdio 22h30, chegou no Dakota às 22h50.  A polícia chegou rápido, pegou Lennon, levou pra o hospital onde morreu às 23h 07. Tudo num período de 17 minutos. Por estes numeros, não deu tempo de fazer os esforços para ressuscitação citados pelo médico. Conclui-se que chegou morto ao hospital e os médicos viram que nada mais podia ser feito).

Às duas da madrugada, o porta-voz da policia, James T. Sullivan, falou com centenas de jornalistas apinhados na sala de imprensa do 20º distrito na Rua 82 Oeste.
– Pedimos que viessem para dar um breve relato sobre o que sabemos até agora sobre o homicídio de John Lennon. Prendemos Mark David Chapman, residente na Rua South Kukui 55, no Havaí, pela morte de John Lennon. É caucasiano, pele bronzeada, um metro e setenta, 80 quilos, cabelos castanhos, olhos azuis, 25 anos de idade. Nascido no dia 10 de maio de 1955, aparentemente está em Nova York há mais ou menos uma semana, tendo se hospedado na Associação Cristã de Mocos e no Sheraton Centre. Ele esteve rodeando o prédio Dakota nos últimos dias e conseguiu obter um autógrafo num disco de Mr. Lennon quando este saía para o estúdio. Permaneceu no Dakota de noite esperando que Mr. Lennon voltasse. Pouco antes das 11 horas, John Lennon e sua esposa chegaram de volta ao Dakota numa limusine, que parou na frente do edifício. Existe uma entrada de automóvel que podia ter sido usada. Os dois saíram e andaram até a arcada do Dakota…Este indivíduo, Mr. Chapman, saiu de trás e chamou “Mr. Lennon”. Em seguida, em posição de combate, esvaziou o revolver Charter Arms calibre 38. O sr. Lennon gritou “Fui baleado”, subiu os degraus, empurrou a porta e caiu.
O porteiro do Dakota John Hastings, um fã dos Beatles, estava lendo uma revista, pouco antes de 11 da noite, quando ouviu vários tiros do lado de fora e barulho de vidro estilhaçado. John Lennon cambaleou para dentro, andou vários passos e caiu, espalhando as fitas cassete que tinha nas mãos. Yoko veio logo em seguida, gritando, “John foi baleado”. Hastings apertou o alarme que chamava a policia, correu e se ajoelhou junto de Lennon. Yoko gritava pedindo uma ambulância, depois foi para junto de John e gritou “Tudo bem John. Você vai ficar bom.” Hastings tirou a gravata para usar como torniquete, mas não havia lugar para aplicar o torniquete. O sangue jorrava do peito e da boca de Lennon, seus olhos abertos e desfocados, ele tossiu vomitando sangue e pedaços de tecido. Dois carros de policia chegaram e dois policiais entraram no prédio, viram Lennon, viraram-no para avaliar os ferimentos, disseram que não dava para esperar uma ambulância e levaram-no para um dos carros, que saiu em disparada com ele e Yoko dentro.

4 comentários em “Três décadas sem John Lennon

  1. “Quem souber dizer a exata explicação, me diz como pode acontecer um simples canalha mata um Rei em menos de um segundo…oooh minha estrela amiga, por que vc não fez a bala parar?” Beto Guedes vem imediatamente à cabeça.

  2. Vejam o filme “Capitulo 27”
    Conta toda a historia do assassinato de John e desvenda a mente insana do maldito Chapman

  3. É impressionante como a morte de Lennon alterou o comportamento das celebridades. Um assassinato como este seria quase impossível nos tempos atuais, dados os investimentos em segurança pessoal feitas pelos artistas, Até na morte, surpreendente. Assim como Chaplin, Lennon morreu no mês errado…

Deixe uma resposta