Antes de entrar nas minúcias do futebol de quinta categoria apresentado pelo Paissandu, cabe reconhecer a superioridade em campo do bravo Salgueiro e seus méritos pela vitória. Criado há cinco anos, portanto ainda nas fraldas, tinha tudo para chegar à Curuzu lotada e tremer. Não foi o que se viu. Como todos que se planejam para vencer, os salgueirenses não se amofinaram em nenhum instante.
Pisaram no gramado na condição de eliminados, pois o 0 a 0 beneficiava o Paissandu, mas não esmoreceram. Para piorar, sofreram um gol logo no começo. Podiam ter sucumbido, mas fizeram o que os fortes costumam fazer nestes momentos: foram à frente, com alma e coragem. Obviamente, sem esquecer de jogar, que sem isso não se chega a lugar algum. Bola de pé em pé, lançamentos para os melhores homens do ataque.
No geral, o Salgueiro é uma equipe limitada. A zaga é rebatedora e os volantes são apenas razoáveis. Acontece que quatro jogadores são tecnicamente bons e – mais importante – estavam a fim de jogo. Cléberson, Edu Chiquita, Fagner e Rogério Rios erraram pouquíssimos passes e jogaram com extrema objetividade. Quase nenhuma firula, apenas toques de primeira e movimentação constante.
O futebol não tem muitos segredos e qualquer boleiro sabe que a bola, como já decretou o filósofo Muricy Ramalho, pune. Desta vez, castigou com rigor e virulência o time que se empenhou menos, que parecia dar a vitória como favas contadas.
O Paissandu jogou com a parcimônia dos burocratas. Os jogadores se comportavam como se fossem resolver tudo quando bem entendessem. Faltou combinar com o adversário. O problema é que nem o torcedor mais cri-cri podia prever o desastre da domingueira na Curuzu.
Mas, como bem lembrou mestre Carlos Castilho, faltou interpretar alguns sinais. Quando o primeiro tempo acabou empatado em 1 a 1, com o time de Charles Guerreiro se arrastando em campo, lerdo e sem criatividade, era preciso ter tomado medidas drásticas. Tirar Fernandão, por exemplo. Aliás, de onde Charles tirou a idéia de escalar um atacante que nunca havia entrado como titular? Outra boa providência seria substituir Sandro ou Tácio, que não tinham entrado em campo.
Tudo isso acabou sendo providenciado, mas com vários minutos de atraso. E aí já era realmente tarde. A manhã avançava sobre o estádio vovô da cidade e o Salgueiro virou o marcador, depois ampliou para 3 a 1 e podia ter chegado ao quarto gol se Chiquita não errasse o balãozinho sobre Favaro. Paulão ainda descontou num daqueles 300 cruzamentos despejados na área pernambucana, mas não havia mais nada a fazer. E vida que segue.
Não cabe culpar apenas Charles pela escalação desenxabida. Há uma imensa carga de responsabilidade sobre os jogadores, que acharam que a parada estava resolvida de véspera. O empate que caiu do céu em Salgueiro, no sábado anterior, foi superdimensionado, mas devia ter servido de lição. Agora é passado. O presente indica que o Paissandu tem que começar a trabalhar para tentar tudo de novo em 2011.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 18)
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