Mr. Slowhand está de volta, com disco inédito

Depois de cinco anos sem um novo disco solo, chega este mês às lojas, “Clapton”, o 19º disco do guitarrista, com as participações de sua ex-namorada Sheryl Crow , seu ex-companheiro da banda Blind Faith, Steve Winwood, o trompetista de jazz Wynton Marsalis, o ícone do R&B de Nova Orleans, Allen Toussaint e o guitarrista do Allman Brothers, Derek Trucks. Clapton produziu este álbum com seu colaborador de longa data, Doyle Bramhall. O disco solo mais recente de Clapton foi “Back Home”, de 2005. Em 2006, o guitarrista lançou “The Road to Escondido”, com o guitarrista e amigo, J.J. Cale. Muitas vezes, pessoas mais jovens, me perguntam por que Clapton foi chamado de Deus da Guitarra? A primeira dica é assistir a algum documentário de sua banda dos anos 60, Cream; a outra, será, a partir de agora, ouvir este novo disco, com um bom fone de ouvido, sentindo Eric, sutilmente, mostrar o que uma guitarra é capaz de fazer e emocionar. Clapton nunca quis ser um solista pirotécnico ou velocista, preferiu reconstruir escalas de blues, experimentar com a psicodelia ou levar o reggae para as massas ao imortalizar “I shot the sheriff” de Bob Marley. Seu aspecto atual, de senhor comportado, por vezes pode mascarar o furioso guitarrista dos anos 60, que quase foi tragado pelas drogas.

Neste disco, Clapton escolheu algumas canções que, hoje, podem parecer esquecidas, mas são clássicos que ele mesmo declarou serem “naturais” para ele, pois já existiam como algo belo, mesmo antes dele se entender como gente: “É uma coleção eclética, de canções que realmente não eram conhecidas e eu gosto muito porque, se for uma surpresa para os fãs, é porque também foi uma surpresa para mim.” – disse ele em comunicado. Entre essas surpresas estão “Autumn Leaves”, uma canção de 1945, originalmente francesa, com o título de “Les feuilles mortes”, de autoria de Joseph Kosma e com letra de Jacques Prévert (o compositor americano, Johnny Mercer, fez a versão em 1947); a belíssima “How Deep is the Ocean”, de Irving Berlin, que já havia sido imortalizada por Frank Sinatra; a reverência a seu mestre, o bluesman Sonny Boy Williamson, está na versão de “Crazy About You Baby”; a super pra cima “When Somebody Thinks You’re Wonderful”, original de Fats Waller e ainda, “That’s No Way to Get Along”, um blues clássico para conhecedores, de autoria de Robert Wilkins. A audição é uma viagem agradável do começo ao fim, com muitas citações musicais e colaborações precisas dos ilustres convidados; Clapton consegue se superar nesta volta, coisa rara para um músico tão veterano, a ponto de ser o único a entrar para o Hall of Fame, por três vezes: como artista solo, com seu grupo Yardbirds e com o super trio Cream.

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